21/04/12

A escola da Fontinha

Ao longo do dia de ontem, acompanhei as informações sobre os acontecimentos violentos que ocorreram no Porto, por acaso, na escola onde, há 32 anos, realizei o meu estágio profissional.
Só um doentio medo da cultura e da livre iniciativa dos cidadãos pode explicar o uso da força desproporcionada e das atitudes de vandalismo a que assistimos. 
Não aprecio o insulto como forma de combate político, mas ao pensar na personalidade mesquinha que provocou uma ação tão prepotente e irracional, várias vezes me vieram à memória as palavras finais deste poema de Ary dos Santos. 

O BURGUÊS
A gravata de fibra como corda
amarrada à camisa mal suada
um estômago senil que só engorda
arrotando riqueza acumulada.

Uma espécie de polvo com açorda
de comida cem vezes mastigada
de cadeira de braços baixa e gorda
de cómoda com perna torneada.

Um baú de tolice. Uma chatice
com sorriso passado a purpurina
e olhos de pargo olhando de revés.

Para dizer quem é basta o que disse
é uma besta humana que rumina
é um filho da puta é um burguês.

3 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito :)

Lígia

Graciete Rietsch disse...

Grande poema para ilustrar a figura do presidente da Câmara.

Um beijo.

Giuliano Quase disse...

Acho que vc conhece o Ode ao burguês do Mário de Andrade.

abç