05/10/10

Outros 5 de Outubro

Para a minha geração, o primeiro 5 de Outubro foi o de 1974.
Era Sábado, Vasco Gonçalves veio ao Porto e discursou para uma multidão na Praça General Humberto Delgado. Com o sincero calor humano que sempre transmitia, mobilizou para a histórica jornada de trabalho voluntário que se realizou no dia seguinte: um Domingo de trabalho para a batalha da produção ou, como agora dizemos, pôr Portugal a produzir.
No entanto, nos anos anteriores a Implantação da República foi sempre comemorada como oportunidade de resistência antifascista.
Hoje, tal como no passado, a memória da Revolução de 5 de Outubro de 1910 não é propriedade dos que se apoderam da "coisa pública" para benefício seu ou dos poderes que os controlam e se aproveitam das efemérides para manobras de propaganda saudosista. Os que enchem os discursos de republicanismo, mas acatam servilmente os mapas cor-de-rosa do século XXI.
5 de outubro, como todas as outras datas marcantes do progresso, é património daqueles que se batem pela soberania popular, por uma República melhor e uma Democracia mais avançada, num país independente.

(Já tinha publicado estes documentos guardados, em 8/1/2009, mas hoje pareceu-me um bom dia para repetir a sua apresentação)

9 comentários:

Olmanita disse...

Todas as épocas têm contradições e é dos confrontos provocados por elas que podem surgir, através de uma acção colectiva, novas atitudes na construção de mais justiça e mais paz. Assim, reportando-me às comemorações da República e ao que escreveste, penso que o motor dos avanços foram e são a determinação e acção do Povo, que integrados ou não num colectivo sempre jovem, embora com 89 anos, representam o motor do progresso, hoje ameaçado, mas no qual tenho confiança porque as lutas continuam...
Gostei muito do que escreveste!

Jorge Aragão disse...

Olá Companheiro, já não passava aqui faz algum tempo.
Muito bom o que escreveste.
Espero é que o Povo acorde e depressa...
J´agora, de quando são estes panfletos?
Abraço.

Graciete Rietsch disse...

Parabéns Eduardo e Olga. O teu comentário, Olmanita, também é muito bom. Subscrevo inteiramente as vossas palavras e fiquei emocionada coma a referência do Eduardo ao 5 de Outubro de 1974.

Beijos.

eduricardo disse...

Viva, Jorge
Os panfletos são de 1969. Eram do meu avô.
Abraço

samuel disse...

Bom post!
Belos documentos de colecção e memória!

Abraço.

Sérgio Ribeiro disse...

Muito bem lembrado (ou relembrado...)

Calorosas saudações

Anónimo disse...

Gostei muito deste pequeno pedaço da tua memória e da memória de Portugal. Desde Espanha, com inveja sa do 5 de Outubro portugués, e com o desejo de mais um 14 de Abril que traga uma forma de governo mais desenvolvida e democrática para este pais.

Até breve...
Carlos

Augusto Canedo disse...

Eu sou um monárquico convicto.
Lamento que por detrás das afirmações do texto esteja um enorme desconhecimento do que realmente se passa em Portugal.
Apesar de rival político, saúdo a boa qualidade do blog.
Já agora, uma pequena informação: a implantação da Repúbica, em Portugal, não foi em 1910, mas em 1822.
Cumprimentos monárquicos,

eduricardo disse...

Carlos
Com os "republicanos" que por cá (se) governam não vale a pena nenhum tipo de inveja em relação à República Portuguesa.
Entre Cavacos e Bourbons... venha o diabo e escolha...
Abraço, até breve


Exmo. Senhor Doutor Augusto Canedo
(espero não ter falhado nenhum título de nobreza)
Agradeço o tom paternal que dedica a este modesto desconhecedor «do que realmente se passa em Portugal».
Vou ler atentamente o seu blogue, procurando algumas lições sobre os nomes dos Presidentes entre 1822 e 1910.
Agora a sério:
Obrigado pela visita e boa semana