25/04/12

O teu rosto será o último

O facto de um livro ser distinguido com um prémio prestigiado  não constitui, em princípio, uma motivação para que o compre ou leia, por muito que o coloquem em espaços privilegiados nas montras das livrarias. 
No entanto, a informação da contracapa e das badanas deste primeiro romance de João Ricardo Pedro despertou-me alguma curiosidade.
E valeu a pena...
Cinco minutos depois de sair da livraria, estava preso à estranha morte do homem que saiu de casa antes das sete  horas da manhã do dia vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro... 

Em duas centenas de páginas, agrupadas em capítulos curtos, percorrem-se várias gerações duma mesma família, numa ação que decorre em diferentes espaços geográficos e em diferentes ambientes sociais e que nos confronta com o modo como cada geração transporta em si as feridas das gerações que a antecederam. 
Se a mãe de Duarte que carrega o trauma da morte do seu pai durante uma prisão pela PIDE, Duarte vive com as feridas dos traumas que o seu pai trouxe da guerra colonial.
«O teu rosto será o último» é tecido como um  aliciante labirinto de mistérios, surpresas e emoções, composto por histórias  relativamente autónomas, cujos laços comunicantes se vão revelando ao longo da leitura.
Uma obra surpreendente que, a meu ver, tem o enorme mérito de desenvolver uma estrutura complexa através duma leitura muito agradável.




2 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Interessante... Muito interessante mesmo!!!

Graciete Rietsch disse...

Deapertou-me o interesse, Eduardo. Já o tinha visto exposto, mas o título não me dizia muito. Agora vou tentar lê-lo.

Um beijo.