A Mesa dos Quatro Abades é uma antiga tradição de Ponte de Lima, à qual existem referências documentais desde, pelo menos, 1775.
No terceiro domingo de Junho, os párocos das freguesias de Bárrio, Calheiros, Cepões e Vilar do Monte reuniam-se, em torno de uma velha mesa de pedra, para debater os problemas das quatro freguesias vizinhas e comiam um almoço em comum. É provável que, no fim, cada um deles dissesse o tradicional: «Comi como um abade!»
A velha mesa e os bancos de pedra ainda lá estão, num local onde se reunem caminhos provenientes das quatro freguesias. Desde 1988 a tradição foi retomada, mas o almoço é, agora, partilhado pelos presidentes das quatro juntas de freguesia.
Lembrei-me da Mesa dos Quatro Abades, hoje, dia 25 de Abril de 2011, quando a televisão me trouxe abundantes reportagens duma celebração que teve lugar no Palácio de Belém. Pareceu-me ver os quatro velhos abades, paternalmente preocupados com os problemas da paróquia, pregando a passividade ao rebanho e prescrevendo penitências aos seus paroquianos.
Nenhum daqueles quatro abades se reconhece, nem um bocadinho, responsável pelas opções que, ano após ano, levaram o país até à situação presente. No entanto, todos eles souberam louvar as virtudes da submissão e do sacrifício e souberam apelar a uma unanimidade bacoca, em torno da continuidade das políticas de que eles e os seus partidos foram executores.
Terminada a cerimónia pública, enquanto se dirigiam para o interior do palácio, pareceu-me imaginá-los a segredar uns para os outros: «Vamos continuar a comer como abades…»






































