25/04/11

A Mesa dos Quatro Abades



A Mesa dos Quatro Abades é uma antiga tradição de Ponte de Lima, à qual existem referências documentais desde, pelo menos, 1775.


No terceiro domingo de Junho, os párocos das freguesias de Bárrio, Calheiros, Cepões e Vilar do Monte reuniam-se, em torno de uma velha mesa de pedra, para debater os problemas das quatro freguesias vizinhas e comiam um almoço em comum. É provável que, no fim, cada um deles dissesse o tradicional: «Comi como um abade!»


A velha mesa e os bancos de pedra ainda lá estão, num local onde se reunem caminhos provenientes das quatro freguesias. Desde 1988 a tradição foi retomada, mas o almoço é, agora, partilhado pelos presidentes das quatro juntas de freguesia.


Lembrei-me da Mesa dos Quatro Abades, hoje, dia 25 de Abril de 2011, quando a televisão me trouxe abundantes reportagens duma celebração que teve lugar no Palácio de Belém. Pareceu-me ver os quatro velhos abades, paternalmente preocupados com os problemas da paróquia, pregando a passividade ao rebanho e prescrevendo penitências aos seus paroquianos.


Nenhum daqueles quatro abades se reconhece, nem um bocadinho, responsável pelas opções que, ano após ano, levaram o país até à situação presente. No entanto, todos eles souberam louvar as virtudes da submissão e do sacrifício e souberam apelar a uma unanimidade bacoca, em torno da continuidade das políticas de que eles e os seus partidos foram executores.


Terminada a cerimónia pública, enquanto se dirigiam para o interior do palácio, pareceu-me imaginá-los a segredar uns para os outros: «Vamos continuar a comer como abades…»

24/04/11

25 de Abril, vivo também nas escolas

Encontrei este filme, cujas autoras não conheço, mas felicito.

Assim se prova que a memória do 25 de Abril também está viva nas escolas.

Apesar de tudo...


Onda


Cascais, 20/4/2011

22/04/11

CRISTO - CRISTOS



Cristo por Rembrandt, Rafael, Velázquez, Gauguin, Salvador Dali, Emil Nolde, El Greco , Rosa ramalho, Giotto, Andrea Mantegna, Miguel Ângelo, Chagall e Picasso.

Nesta época do ano, fala-se mais desta morte.

Tomemo-la como exemplo duma qualquer vítima de um qualquer império.

Uma entre milhões.

Até quando?

Para quando a ressurreição da humanidade?

14/04/11

Porque hoje é o dia 14 de Abril

DIA DA REPÚBLICA ESPANHOLA

As eleições Municipais de 12 de Abril de 1931 evidenciaram a clara maioria dos republicanos e constituíram uma histórica derrota dos monárquicos e da monarquia.

Dois dias depois, o rei Afonso XIII abandonou o poder e fugiu do país, embora sem abdicar do trono.



14 de Abril



Dolores Ibarruri

Discurso de despedida das Brigadas internacionais

... e quando a oliveira da Paz florescer...

10/04/11

Langston Hughes (1902-1967)

Mais um poeta americano que fiquei a conhecer ao reler «Nenhum homem é estrangeiro», de Joseph North.

O negro fala sobre rios

Conheço rios:


Conheço rios antigos como o mundo e mais velhos que o fluxo de sangue humano em veias humanas.


A minha alma tornou-se profunda como os rios.


Banhei-me no Eufrates quando as auroras eram jovens.


Construí minha cabana nas margens do Congo e ele embalou o meu sono.


Contemplei o Nilo e ergui as pirâmides a sombreá-lo.


Ouvi o canto do Mississippi quando Abe Lincoln desceu até New Orleans, e vi seu colo enlameado tornar-se ouro ao pôr-do-sol.


Conheço rios:


Antigos, cinzentos rios.


A minha alma tornou-se profunda como os rios.


Poema de Langston Hughes


Mais informação sobre Langston Hughes pode ser lida aqui.


Faz hoje 35 anos

Há dias, encontrei cá em casa este autocolante, recordação dum comíco inesquecível, realizado no Porto, no mesmo dia em que foi publicada a Constituição da República, que tinha sido aprovada oito dias antes.


Estávamos em campanha eleitoral e foi um grande comício num dia histórico.


03/04/11

80 anos do AVANTE! em S. Mamede Infesta


4 a 9 de Abril de 2011

Exposição comemorativa dos 80 anos do jornal Avante!, na Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta


Iniciativa de Comissão Concelhia de Matosinhos do PCP


A exposição é constituída por cerca de duas dezenas e meia de paineis sobre os 90 anos do PCP e sobre os 80 anos do jornal Avante!


Dia 4 de Abril – 21h30m – Inauguração com Porto de honra e lançamento do livro «Memórias dum tipógrafo clandestino».


Dias 5, 6, 7 e 8 de Abril – das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30


Dia 9 de Abril (sábado) – das 9h às 18h


Dia 9 de Abril – 15h - Sessão de encerramento com tertúlia sobre experiências de luta clandestina e sessão de lançamento do livro «Vidas na clandestinidade».

Associação Conquistas da Revolução


Mais de uma centena de pessoas, civis e militares, marcaram presença, sexta-feira, na Casa do Alentejo, em Lisboa, num jantar de confraternização que constituiu a primeira iniciativa, com expressão pública, para a criação da Associação Conquistas da Revolução.


Henrique Mendonça, da Comissão Promotora da Associação, numa breve intervenção, sublinhou a importância de criar a Associação – que apresentou como «imposição patriótica» – e informou que a Associação conta já com «várias centenas de adesões».


Falou a seguir José Emílio da Silva, que relembrou alguns momentos marcantes do processo revolucionário, designadamente: a derrota do golpe de 11 de Março de 1975; a Assembleia do MFA que decidiu a criação do Conselho da Revolução; as tomadas de posse e a acção desenvolvida pelos IV e V governos provisórios, presididos pelo General Vasco Gonçalves e dos quais o próprio José Emídio da Silva foi ministro da Educação e Cultura; e «o avanço impetuoso para as conquistas da Revolução, que viriam a transformar profunda e positivamente Portugal – e que, posteriormente consagradas na Constituição da República Portuguesa, viriam a moldar a democracia de Abril».


O artigo pode ser lido na íntegra no Avante! de 31/3/2011.

27/03/11

Sócrates por William Hogarth

José Sócrates foi, hoje, eleito secretário geral do PS, com 93,3% dos votos.

O pintor, desenhador e humorista inglês Willliam Hogarth (1697-1764) já tinha retratado, em duas pinturas de 1755, toda a emoção do surpreendente acontecimento.

«An Election Entretainment» e «Charing the Member».


21/03/11

Carl Sandburg (1878-1967)

Neste Dia Mundial da Poesia, relendo «Nenhum Homem é Estrangeiro», de Joseph North, tomei contacto com um poeta americano que não conhecia: CARL SANDBURG
Aqui fica um poema.

A GRADE
Agora, a mansão à beira do lago já está
concluída, e os trabalhadores estão
começando a grade.
São barras de ferro com pontas de aço, capazes
de tirar a vida de qualquer um que se
arrisque sobre elas.

Como grade, é uma obra-prima e impedirá a
entrada de todos os famintos e vagabundos
e de todas as crianças vadias à procura de
um lugar para brincar.
Entre as barras e sobre as pontas de aço nada
passará, exceto a Morte, a Chuva e o Dia de
Amanhã.

Tradução: Carlos Machado in http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet098.htm

SOLIDARIEDADE COM O POVO LÍBIO

14/03/11

Lisboa - 19 de Março

A memorável jornada que, no passado sábado, levou às ruas de várias cidades centenas de milhares de pessoas de todas as idades, foi uma clara e incontornável manifestação de repúdio pela política de direita que, durante décadas de alternância entre PS e PSD/CDS, levou o país à situação presente.

Depois de 12 de Março, a luta pode ter assumido novas formas e uma nova dimensão. Pode...

Mas aquele enorme potencial pode, também, correr o risco de esvaziar-se como água na areia.

Há que converter aquela corrente de contestação em combate sem preconceitos.

É possível que muitas pessoas que, no sábado passado, se manifestaram pela primeira vez percebam agora as potencialidades de mudança que existem na luta das massas, mobilizadas e organizadas.

Estes recentes acontecimentos trazem-me à memória uma passagem da letra da Internacional:

Para não ter protestos vãos,

Para sair destre antro estreito.

Façamos nós por nossas mãos

Tudo o que a nós diz respeito!

O passo seguinte está bem próximo. É já no dia 19!

12/03/11

PCP - 90 anos

Hoje, 12 de Março de 2011, realizou-se, no edifício da alfândega do Porto, um comício comemorativo dos 90 anos do PCP, com a participação de Jerónimo de Sousa.
O comício foi antecedido dum concerto pela Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova e por um coro constituído por professores de Ovar e S. Pedro da Cova, que interpretaram, em conjunto, várias canções populares e heróicas.
Aqui ficam algumas fotografias e, mais abaixo, um filme com a interpretação do «Hino de Caxias».

08/03/11

Porque hoje é o dia 8 de Março

Assinalando o Dia Internacional da Mulher, transcrevo um pequeno excerto duma entrevista a Óscar Lopes, publicada em «Escrita e Combate - textos de escritores comunistas», edições Avante!, 1976, página 358:

"E as heroínas mais admiráveis da vida real?
Todas as que, de algum modo, representam revolta lúcida contra a ética da resignação e da passividade - isto já que de mulheres se trata, e a exploração do homem pelo homem principiou como exploração da mulher pelo homem."



Mulheres Protestando, Di Cavalcanti, 1941

Sobre o livro de que extraí a citação, refira-se que inclui poemas, contos e outros textos de Álvaro Magalhães, Armando Silva Carvalho, Baptista-Bastos, Casimiro de Brito, E. M. de Melo e Castro, José Saramago, Manuel da Fonseca, Maria Alzira Seixo, Maria Lamas, Maria Velho da Costa, Papiniano Carlos, Urbano Tavares Rodrigues... e muitos outros. Quase meia centena de autores...

O exemplar, que adquiri há pouco tempo num alfarrabista do Porto, é assinado por César Príncipe e Egito Gonçalves.

01/02/11

O meu «Gaibéus»

Há poucos meses, realizei uma interessante acção de formação, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o tema «De pequenino nasce o leitor». O texto que a seguir se transcreve é a primeira parte do relatório crítico que produzi no fim do curso.


A leitura e os livros são omnipresentes no meu quotidiano. Acompanham-me todos os dias e ao longo de todo o dia. Antes de começar uma manhã de trabalho, ler ou escrever algumas páginas (de preferência não relacionadas directamente com a actividade profissional) constitui, mais do que um hábito, uma necessidade de indispensável higiene mental. Depois, durante o resto do dia, os livros estão sempre presentes, tanto no trabalho com os alunos como nos momentos livres. Não saio de casa sem que um deles me acompanhe, enquanto descanso no café, na fila do supermercado, nos tranportes públicos… Eles invadem todos os cantos da casa; correspondem sempre ao maior peso nas malas das férias; representam a fracção mais agradável do orçamento mensal.

Mas nem sempre foi assim. De facto, embora houvesse milhares de livros na casa onde vivia com a minha mãe, os meus irmãos e os avós maternos, e embora o meu irmão mais velho tenha sido, desde muito miúdo, um leitor compulsivo, eu considero-me um leitor tardio.

Tanto quanto me lembro, até aos quinze anos, eu fui um aluno com boas classificações escolares, mas raramente praticava a leitura nos tempos livres por iniciativa própria. Lembro-me de ter lido apenas alguns pequeninos livros de histórias editados pela Majora, algumas revistas de banda-desenhada das colecções «Mundo de Aventuras», «Falcão» e «Patinhas» e, mais tarde, três ou quatro livros juvenis. Recordo vagamente a leitura de uma biografia de Santa Iria, um livro sobre átomos, um outro da «Série 15» (Editorial Verbo) , um de aventura de Enid Blyton (colecção dos sete) e as primeiras páginas de «Huckleberry Finn».

A primeira leitura de que retirei verdadeiro prazer e da qual recordo as profundas emoções sentidas aconteceu só aos quinze anos, com um livro que pertencera ao meu pai. Esse momento constituiu uma experiência surpreendente e, a partir daí, nunca mais deixei de necessitar da companhia dos livros. É curioso que, na minha memória, eu identifico, com clareza, o momento exacto em que descobri o prazer da leitura; recordo a estante de onde retirei o livro, o sítio onde o li e a parte do dia em que isto aconteceu.

Conservo o objecto livro. Apropriei-me desse belo exemplar de «Gaibéus», de Alves Redol, com capa de Manuel Ribeiro de Pavia. Guardo-o com especial valor estimativo, como recordação da minha passagem pela estrada de Damasco da Leitura, objecto-símbolo duma nova dimensão da vida, que, através dele, me foi revelada.

25/01/11

SÓNIA DELAUNAY (1985 - 1979)

Pintora francesa de origem russa, Sara Stern nasceu em Gradizhsk (Ucrânia), em 1885.
Em 1910, casou em segundas núpcias com o pintor francês Robert Delaunay, um dos precursores da pintura abstracta, e adoptou o nome de Sonia Dalaunay.
Sonia realizou em 1911 as primeiras obras abstractas, sendo considerada uma das mais representativas artistas desta corrente.
Fugindo da Iª Guerra Mundial, o casal Delaunay veio viver, juntamente com o filho Charles, para Vila do Conde entre o Verão de 1915 e inícios de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores modernistas Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros e, sobretudo, Eduardo Viana, que claramente influenciaram.
Esse período de ano e meio que passou em Vila do Conde foi considerado por Sonia uma fase particularmente feliz e fonte de inspiração ao longo da sua vida. Em Portugal realizou importante obras inspiradas na arte popular portuguesa.
Mercado no Minho, 1915

Admiradora dos pintores Van Gogh e Gauguin, assim como dos pintores “fauvistas”, deles recebeu o gosto pela expressividade das cores luminosas.

O poeta e crítico de arte Guillaume Apollinaire designou o estilo de Robert e Sonia Delaunay de “Orfismo” ou “Cubismo Órfico”, em referência a Orfeu (o músico supremo da Mitologia Grega, que encantava a natureza com os seus dotes musicais).

Na obra «Les Peintres Cubistes», Apollinaire definiu “Orfismo” como "A arte de pintar estruturas novas com elementos emprestados não da realidade visual, mas inteiramente criados pelo artista e dotados por ele de uma potente realidade”.

Este conceito identificava semelhança entre a música e a exaltação da luz e da cor, por meio de contrastes entre tonalidades frias e quentes de cores puras, dispostas em círculos dinâmicos justapostos.

Desta forma, a pintura “órfica” – por vezes, também chamada de “cubismo lírico” - seria um reflexo do desejo de acrescentar um novo elemento de lirismo, cor e luminosidade ao cubismo de Picasso, Braque e Gris, alegadamente demasiado austero e intelectual.

Rhythme, 1938

Depois dum tempo de permanência em Madrid, Sonia Delaunay viveu em Paris a partir de 1921, continuando a pintar até à sua morte, em 1979.

Considerada um dos vultos mais salientes da Art Déco, Sónia Delaunay desenhou moda, fez decoração de teatro e bailado, criou tecidos e peças de mobiliário. Chamou aos seus tecidos pintados à mão "contrastes simultâneos", expressão que reflectia o seu interesse pelas relações cromáticas.

Entre os seus figurinos para bailados, destacam-se os concebidos para o espectáculo Cleópatra, produzido pelo bailarino e coreógrafo russo Sergei Diaghilev.


Rythmes couleures, 1971
Sem título, 1972

21/01/11

Presidenciais

«É preciso transformar
desânimos e resignações
em
esperança combativa!»
(Francisco Lopes)

E eu, que até nem gosto muito da palavra «esperança», manifesto aqui a minha inteira identificação com o adjectivo «combativa». Esta é a esperança de que necessitamos: a esperança combativa dos que sabem que as injustiças e a arrogância podem ser enfrentadas.
Todos os que acalentam a esperança de que seja possível um mundo diferente têm no próximo domingo mais um momento de afirmação e combatividade.

05/01/11

Malangatana (1936 - 2011)


Malangatana Valente Ngwenya nasceu em 1936 em Matalana, sul de Moçambique e faleceu hoje, em Portugal.
Os seus primeiros anos de vida foram passados em Escolas de Missões e ajudando a sua mãe no trabalho no campo. Com doze anos, muda-se para Maputo (então Lourenço Marques) para procurar trabalho e em 1953 começou a trabalhar no Clube de Ténis. Este trabalho permitiu-lhe continuar a estudar, frequentando as aulas à noite. Foi nesta altura que o seu talento começou a ser notado.
Em 1959, Malangatana teve o seu trabalho exposto publicamente pela primeira vez numa exposição colectiva e dois anos mais tarde,realizou a sua primeira individual.
Em 1963 a sua poesia foi publicada na revista 'Black Orpheus' e na antologia 'Modern Poetry from Africa".
No ano seguinte, Malangatana foi preso pela polícia secreta (PIDE) e passa 18 meses na cadeia. Em 1971 recebeu uma bolsa da Fundação Gulbenkian e estuda gravura e cerâmica.
Desde 1981 trabalhou exclusivamente como artista.
Malangatana foi agraciado com a medalha Nachingwea pela sua contribuição para a cultura Moçambicana e nomeado Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Expôs em Angola, Portugal, Índia, Nigéria, Chile e Zimbabué entre outros, e o seu trabalho está representado em colecções por todo o mundo. Trabalhou em várias encomendas de arte pública incluindo murais para a Frelimo e para a UNESCO. Malangatana esteve também activo no estabelecimento de várias instituições incluíndo o Museu Nacional de Arte e um centro para jovens artistas em Maputo. Foi também um dos fundadores do Movimento para a Paz. O trabalho de Malangatana projecta uma visão ousada da vida onde há uma comunhão entre homens, animais e plantas. Baseia-se na sua 'herança' mas simultaneamente abraçando símbolos de modernidade e progresso, síntese entre arte e política.
Em 1997, foi nomeado Artista UNESCO pela Paz. O reconhecimento do seu estatuto está presente na declaração proferida pelo Director-Geral da UNESCO, Federico Mayor ao entregar-lhe a distinção. Mayor nota que Malangatana é 'muito mais do que um artista, é alguém que demonstra que existe uma linguagem universal, a linguagem da Arte, que permite comunicar uma mensagem de Paz. (texto adaptado de http://www.africancontemporary.com/)

Poema de António Ramos Rosa

Cada árvore é um ser para ser em nós

Cada árvore é um ser para ser em nós

Para ver uma árvore não basta vê-la

a árvore é uma lenta reverência

uma presença reminiscente

uma habitação perdida

e encontrada

À sombra de uma árvore

o tempo já não é o tempo

mas a magia de um instante que começa sem fim

a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas

e de sombras interiores

nós habitamos a árvore com a nossa respiração

com a da árvore

com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses


António Ramos Rosa

04/01/11

Exposição de Fotografia de Paulo Ricardo



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
"INSTANTES DO OLHAR"
de
PAULO RICARDO
na Galeria Municipal do Entroncamento
de 8 a 16 de Janeiro de 2011
para mais informação, clicar na imagem

03/01/11

Poema de Fiama Hasse Pais Brandão

Do Amor IV

Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte na natureza pede
o amor em dois olhares.

Fiama Hasse Pais Brandão
(in As Fábulas)

29/12/10

Alegria de Sócrates



Não é que seja surpresa ou grande novidade, mas a Lusa noticia hoje que o primeiro ministro, José Sócrates aparecerá ao lado de Alegre pelo menos por duas vezes na campanha eleitoral das eleições presidenciais.

Provavelmente,a primeira aparição será no início da campanha e a segunda ocorrerá na ponta final.

Confirma-se assim a justeza das palavras de Francisco Lopes no debate televisivo entre o candidatos apoiados pelo PCP e pelo PS:

«Manuel Alegre está em melhores condições para mobilizar os que apoiam o Governo; eu estou em melhores condições para mobilizar todos os que são contra o Governo».

Tendo em conta que todos os votos, quer em Alegre quer em Francisco Lopes, serão igualmente úteis para a não reeleição de Cavaco, seria desejável que os votos daqueles que se opõem à política de direita não pudessem ser confundidos com qualquer abraço, directo ou indirecto, ao governo.

Pela minha parte, fica-me alguma mágoa por ver ao lado de Alegre e de Sócrates alguns amigos que, apesar das divergências, estamos habituados a ter ao nosso lado nos combates da oposição.