25/11/10
21/11/10
14/11/10
10/11/10
09/11/10
Nos 92 anos de Papiniano Carlos
ITINERÁRIO
Os milhares de anos que passaram viram
a nossa escravidão.
NÓS carregámos as pedras das pirâmides,
o chicote estalou,
abriu rios de sangue no nosso dorso.
NÓS empunhámos nas galés dos césares
os abomináveis remos
e o chicote estalou de novo na nossa pele.
A terra que há milhares de anos arroteámos
não é nossa,
e só NÓS a fecundamos!
E quem abriu as artérias? quem rasgou os pés?
Quem sofreu as guerras? quem apodreceu ao abandono?
E quem cerrou os dentes, quem cerrou os dentes
e esperou?
Spartacus voltará: milhões de Spartacus!
os anos que aí vêm hão-de ver
a nossa libertação.
Poema de Papiniano Carlos, nascido em 9 de Novembro de 1918
07/11/10
No dia 25 de Outubro de 1966, dei um erro no ditado e, ainda por cima, foi na igreja...
Dei uns poucos de erros na cópia, que é coisa que continuo a detestar, mas a dona Micaela não os assinalou. Talvez estivesse distraída, a pensar no Cristo, que na parede da sala de aula nos observava, pregado entre os dois ladrões.
O que me leva a publicar esta página dos meus cadernos escolares é a aprovação na generalidade do Orçamento de Estado.
Também vai vestido de branco, enfeitado de laços, parece um anjo. Leva padrinho e madrinha, todos contentes por oferecerem ao país aquele afilhado.
Ele é o ÚNICO
03/11/10
Tiago Vieira expulso de Marrocos
Nos dias 30 e 31 de Outubro, o presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) e Coordenador da Comissão Organizadora do Comité Internacional do 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, Tiago Vieira, foi detido e expulso pelas autoridades marroquinas sem qualquer explicação consistente.
Em visita a Laayoune, após apelo e convite da organização de juventude saharaui UJSARIO dada a situação de cerco que o exército marroquino tem imposto aos activistas do Sahara Ocidental naquela região (cerco que já levou à morte um jovem de 14 anos assassinado há poucos dias pelas forças marroquinas), Tiago Vieira foi abordado pela polícia marroquina ainda no interior do avião procedente de Casablanca, recém aterrado em Laayoune. Foram-lhe feitas perguntas sobre o porquê da visita àquela região de Marrocos e tiradas fotografias do seu rosto assim como do seu passaporte, sem qualquer explicação e com a referência apenas ao “cumprimento de ordens”.
Retido no avião, o presidente da FMJD foi posteriormente obrigado a regressar para a Casablanca, privado do passaporte, que durante o voo foi retido pelo próprio piloto do avião. Ao chegar a Casablanca, sem conseguir recuperar o passaporte, foi encaminhado para um carro da polícia, nova detentora do passaporte, que o encaminhou para uma sala onde além do frio e ausência de sítio para dormir, ficou durante mais de 15 horas sem qualquer justificação, tendo apenas sido informado (ao fim de 12 horas) que a polícia marroquina o havia colocado no próximo voo para Portugal. Escoltado pela polícia até à porta de embarque do avião, o presidente da FMJD voltou a insistir no apuramento da razão desta expulsão do país, e uma vez mais lhe foi dito que eram “apenas ordens de alguém superior”.(continua)
Ler o resto da nota do gabinete de Imprensa do PCP aqui.
E por que se cala a comunicação social portuguesa ?
Por Tiago Vieira ser comunista?
Por Marrocos ser um país amigo?
30/10/10
Demagogia populista
Marcelino Camacho (1918-2010)
Para ilustrar uma homenagem, encontrei inúmeros videos com filmes documentais, comícios, fotografias, entrevistas, canções de combate...
Pela simplicidade e actualidade das palavras de Josefina Samper e Marcelino Camacho e pelo contexto em que foram ditas, escolhi este.
29/10/10
Centenário de Augusto Gomes
24/10/10
Desafio à memória dos leitores
A minha mãe encontrou numa caixa, juntamente com velhas fotografias e cartões, um papelinho com um poema anónimo sobre um ano em que muito aconteceu.
Quem se lembra de que ano foi este?
A Terra tremeu.
O "Maneta" apareceu.
O Eusébio cedeu.
A selecção perdeu.
O estudante sofreu.
O Ministro enfureceu.
A Académica ardeu.
A vida encareceu.
O Povo sofreu.
A gente envelheceu.
O "outro" não morreu.
O Marcelo prometeu,
E até agora nada deu.
E, no fim disto tudo,
Quem se lixou fui eu.
Da Algarve até ao Minho,
Tudo são aflições,
Desde o "mijo" do Agostinho,
À "merda" das eleições.
Pum-pum, e acabou-se...
23/10/10
19/10/10
APESAR DE...
Apesar do PEC 1, do PEC2, (...) do PEC x
Apesar dos pais do PEC
Apesar dos patrões dos pais do PEC
Dedico esta canção a todos os meus amigos que, temporariamente, andam "falando de lado e olhando para o chão".
Amanhã há-de ser outro dia!
11/10/10
3 blogues de documentação histórica
09/10/10
LIVRO, de José Luís Peixoto
«Livro», o último romance de José Luís Peixoto é, antes de mais nada, a homenagem que faltava à epopeia do milhão e meio de portugueses que emigraram para França entre 1960 e 1974. Nada mais justo do que vermos tão merecida homenagem surgir pela mão dum escritor que tão bem sabe abordar os ambientes, vivências e sentimentos mais populares, sem quaisquer traços de paternalismo intelectual.
Desde o século XIX até aos nossos dias, não faltam na literatura portuguesa obras dedicadas a temáticas directamente relacionadas com as classes populares de ambientes rurais. A vida dura das aldeias e dos trabalhadores do campo marcou forte presença em numerosos romances, numa linha de continuidade iniciada, talvez, com Júlio Dinis e na qual se destacam obras de, entre outros, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Fernando Namora, Alves Redol e, mais perto de nós, «Levantado do Chão» de Saramago.
Encontro neste «Livro» uma visão dessa realidade que me parece construída dum ponto de vista interior, isto é, do ponto de vista dum escritor que - sem deixar de assumir a sua erudição - vem falar-nos sobre a gente a que pertence, a sua gente, em vez de se assumir como uma testemunha indirecta vinda do meio letrado urbano para observar e contar o que viu.
Por outro lado, há neste romance várias passagens de impressionante vivacidade descritiva, nas quais as palavras conseguem ultrapassar o cinema pela capacidade de nos colocarem perante os olhos imagens móveis que se perpetuam na memória visual. Uma matança do porco; um rapaz que prepara a massa com cimento, areia e água; uma maçã repartida; o lançamento dum foguete... são cenas que vemos e continuamos a ver depois de fecharmos o livro.
Na segunda parte, um arrojado processo narrativo envolve-nos e arrasta-nos para o interior dum complexo diálogo entre autor, narrador, personagem, livro e leitor, até ao desenlace da história de amor que constitui o fio condutor do romance.
Se é certo que o lançamento de «Livro» foi antecedido duma série de acções e originalidades publicitárias que poderiam levar-nos a recear que o produto final ficasse aquém das expectativas criadas, a verdade é que, desta vez, a publicidade não enganou.
«Livro» é, na minha opinião, um grande livro, um dos que li com mais prazer nos últimos anos.
Mais sobre José Luís Peixoto no caderno sem capa05/10/10
Outros 5 de Outubro
04/10/10
29/09/10
DE COMO UM REI PERDEU A FRANÇA
EXPOSIÇÃO EM MATOSINHOS
12/09/10
08/09/10
PRESIDENCIAIS NO BRASIL
«A continuidade do capitalismo é uma ameaça à própria vida, à natureza e à espécie humana. Este sistema está completamente falido; mas não cairá de podre, se os trabalhadores não o derrotarem. Fará de tudo para aprofundar a exploração e atacar mais os sindicatos e as organizações populares. De tudo farão para explorar as reservas de recursos naturais e a biodiversidade do planeta.
Mesmo ferido pela crise, o sistema imperialista afia suas garras para manter essa ordem envelhecida e desumana. Promove a guerra contra povos inteiros, como no Iraque e no Afeganistão, arma Israel para apoiar sua política genocida e a expulsão dos palestinos de suas terras, realiza provocações e campanhas permanentes contra os povos que decidem resistir aos seus interesses. Na América Latina, promove golpe militar em Honduras, mantém o embargo criminoso contra Cuba e reativa a IV Frota para ameaçar os povos e garantir o controle sobre as riquezas naturais da região. Bases militares são criadas em vários países para cercar os governos progressistas, principalmente da Venezuela.
O Brasil tem realizado ações no plano internacional que demonstram alguma autonomia e mesmo algum grau de conflito em relação aos interesses dos Estados Unidos e seus aliados. Mas é clara a vinculação da política externa brasileira aos interesses do capital, tanto no que diz respeito às empresas brasileiras, que participam de obras e empreendimentos por toda a América Latina, quanto às empresas estrangeiras que atuam no território brasileiro.
Do projeto burguês de inserção do Brasil, como potência, ao capitalismo internacional faz parte a estratégia brasileira de integração regional: se a proposta da ALCA (projeto agressivo do imperialismo para impor a dependência econômica e política às nações do continente) foi enterrada com ajuda do Brasil, não há interesse da parte do governo brasileiro em fortalecer a ALBA, integração soberana e anti-imperialista da América Latina, liderada por Cuba, Venezuela e Bolívia. E as forças militares brasileiras são mantidas no Haiti, a pedido dos EUA, para manter o domínio sobre aquele povo.»
O Manifestodo PCB pode ser lido aqui.
PRESIDENCIAIS - 2
O texto de que, a seguir, se transcrevem extractos é da autoria do deputado António Filipe e pode ser lido na íntegra em http://blogs.parlamento.pt/apontamentos/
Francisco Lopes
A propósito da decisão anunciada pelo Comité Central do PCP de indicar um dos seus mais destacados dirigentes, Francisco Lopes, como candidato à Presidência da República, temos assistido a um desfile de ideias feitas visando desvalorizar ou até denegrir a candidatura e quem a protagoniza que, tendo como denominador comum o anti-comunismo mais ou menos primário, reflectem a séria incomodidade gerada por esta candidatura, à direita, mas também junto de uma certa esquerda.
A mais primária e preconceituosa dessas ideias está relacionada com a origem social do candidato, ou mais propriamente, com o facto de não possuir estudos superiores, como se a licenciatura fosse condição indispensável para o exercício de cargos públicos, e como se não existissem exemplos mais que bastantes de cidadãos que, não tendo estudos superiores, deram provas de capacidade e aptidão para o exercício das mais elevadas responsabilidades. (...) Ao contrário, Portugal tem sido (des)governado por “doutores” e “engenheiros” com os resultados que se conhecem.
Uma outra ideia feita resulta da escolha partidária do candidato, o que supostamente o desvalorizaria. Seria um homem do aparelho, escolhido pelo Comité Central, logo, menos candidato que os outros. Para além de recusar liminarmente a ideia de que alguém que é dirigente partidário fica limitado nos seus direitos cívicos por esse facto, importa recordar algumas evidências. A primeira é que, apoiando candidatos seus ou apoiando candidatos alheios, nunca nenhum partido deixou de tomar posição nas eleições presidenciais. A segunda é que, se falamos de “homens do aparelho”, não sei o que dizer da candidatura de Cavaco Silva que foi durante 10 anos líder do PSD; de Francisco Louçã que foi candidato e líder do BE; de Jorge Sampaio que foi Secretário-geral do PS; de Mário Soares que foi o que se sabe no PS; ou mesmo de Manuel Alegre, que foi reiteradamente cabeça de lista do PS por Coimbra e que exerceu por muitos anos o cargo de Vice-Presidente da AR por indicação do seu Partido. Ou seja, ser do aparelho só é mau, se o aparelho for o do PCP.
Quanto à escolha pelo Comité Central, não vejo onde está a admiração. O Comité Central do PCP decidiu em devido tempo apresentar a candidatura de um dos seus membros e tomou pública essa decisão. Posteriormente debateu e decidiu quem deveria ser esse candidato e publicitou-o. Prefiro mil vezes que tenha sido assim, do que se tivesse sido o Secretário-geral a anunciar publicamente o apoio a um candidato e a impô-lo ao Comité Central, gerando a perante a perplexidade e a incomodidade dos seus membros. Como diria alguém, vocês sabem do que estou a falar.
A ideia mais batida, difundida e rebarbativamente repetida, é porém a da suposta ortodoxia comunista do candidato. Francisco Lopes será da “linha dura”, apenas conhecido de meia dúzia de militantes, desconhecido da “opinião pública” e portanto, má opção para o Partido. (...) Apetece-me perguntar se os que criticam a suposta dureza de Francisco Lopes estariam na disposição de votar num candidato mais mole ou gelatinoso que tivesse sido proposto pelo PCP. Apetece-me perguntar ainda por que carga de água, sendo o candidato tão mau para o PCP, causa tanta preocupação entre os seus adversários confessos. O que seria natural é que festejassem a candidatura e que a aplaudissem, ainda que cinicamente. Mas não o fazem e sabem muito bem porquê.
(...)
O que acontece é que os rótulos de “ortodoxo”, de “homem do aparelho” ou a referência a um discurso supostamente repetitivo, com que muitos comunistas têm sido invariavelmente rotulados ao longo dos tempos como preço a pagar pela coerência das suas convicções, não é mais do que um velho truque destinado a evitar uma discussão séria sobre as propostas, as ideias e o projecto de sociedade por que lutam os comunistas. Arrumar as propostas dos comunistas a um canto com o argumento de que se trata da repetição da “cassette” é a mais esfarrapada desculpa para não ter de discutir as ideias que os comunistas realmente defendem e para não ter de admitir que é no PCP, nas suas candidaturas e nas suas propostas, que os trabalhadores e as camadas mais desfavorecidas da população encontram quem luta pelos seus direitos e quem defende uma sociedade mais justa e livre da exploração.
(...)
Depois vem o espectro da divisão. A candidatura de Francisco Lopes dividiria a esquerda e assim facilitaria a vitória de Cavaco Silva. Tal ideia, é preciso dizê-lo, não vem da direita, que assim não pensa. Não vem de Manuel Alegre que, inteligentemente, saudou a candidatura do PCP e afirmou que os votos do PCP nunca faltaram à esquerda nos momentos decisivos. Mas vem de alguns destacados bloquistas que procuram justificar o seu apoio ao candidato do PS com base numa suposta divisão do eleitorado que a candidatura comunista provocaria.
Basta saber fazer contas de somar para perceber que se o objectivo primeiro destas eleições, para quem é de esquerda, é evitar a vitória de Cavaco Silva à primeira volta, é fundamental mobilizar o maior número de votos possível em qualquer candidato que não seja Cavaco Silva. (...)
A incomodidade de alguns destacados bloquistas nestas eleições presidenciais é mais que evidente. Apoiaram prematuramente o candidato do PS e agora têm de lidar com isso. Vão ter de fazer um discurso contra o Governo PS na Assembleia da República e compartilhar o palco das presidenciais com dirigentes do PS e membros do Governo. Vão dizer que o PS não gosta do seu próprio candidato, mas vão ter o PS e porventura o próprio candidato (que nunca renegou o seu Partido apesar de algumas divergências que assumiu) a desmenti-los. O BE tomou a decisão que tomou e que é perfeitamente legítima. Agora porém, não venham alguns conhecidos bloquistas disfarçar a sua incomodidade com ataques ao PCP. Os apoiantes de Francisco Lopes sabem o que defende o seu candidato, sabem o que ele pensa da política do actual Governo e sabem que o seu voto permite contribuir para a derrota de Cavaco Silva sem se confundir ou identificar com políticas contrárias aos interesses dos trabalhadores e do povo português. Nem todos podem dizer o mesmo, mas cada um é responsável pelas suas opções.
Finalmente, lendo o que por aí se escreve, pode alguém ficar com a ideia que o PCP ficaria incomodado caso houvesse uma segunda volta, porque nessa altura poderia ter de votar em outro candidato contra Cavaco Silva. Quem assim escreve parece não conhecer o PCP e a coerência das suas posições em matéria de eleições presidenciais. O PCP apresentou sempre um candidato próprio e, de acordo com cada situação concreta, tomou a posição mais acertada para derrotar os candidatos da direita. (...)
Só quem não conhece os comunistas portugueses pode duvidar do seu empenhamento em derrotar Cavaco Silva e do seu papel decisivo para que essa derrota seja possível. A direita percebe isso e ataca Francisco Lopes com base em preconceitos anti-comunistas e de classe. Mas há também alguma esquerda que, enredada nas suas próprias contradições, procura por todos os meios desvalorizar o papel ímpar que a candidatura de Francisco Lopes vai assumir nestas eleições presidenciais na denúncia das políticas neo-liberais e na afirmação coerente dos valores da esquerda, sem equívocos e sem cedências tácticas, numa palavra, merecedora de confiança.
António Filipe
02/09/10
PRESIDENCIAIS - 1
As próximas eleições presidenciais têm, para já, a curiosa particularidade de haver um candidato que é apoiado, em comum, pelo governo de Sócrates e por uma força política da oposição.
Essa força política - que insiste em não se chamar partido - é o tal bloco que prometia introduzir no país uma forma inovadora e moderna de fazer política; o tal que nunca se engana no adversário.
Há um ano e meio, esta originalidade parecia impossível, até aos próprios dirigentes, como se ilustra com o filme seguinte, que recolhi no 5dias.net.






























