12/09/10
08/09/10
PRESIDENCIAIS NO BRASIL
«A continuidade do capitalismo é uma ameaça à própria vida, à natureza e à espécie humana. Este sistema está completamente falido; mas não cairá de podre, se os trabalhadores não o derrotarem. Fará de tudo para aprofundar a exploração e atacar mais os sindicatos e as organizações populares. De tudo farão para explorar as reservas de recursos naturais e a biodiversidade do planeta.
Mesmo ferido pela crise, o sistema imperialista afia suas garras para manter essa ordem envelhecida e desumana. Promove a guerra contra povos inteiros, como no Iraque e no Afeganistão, arma Israel para apoiar sua política genocida e a expulsão dos palestinos de suas terras, realiza provocações e campanhas permanentes contra os povos que decidem resistir aos seus interesses. Na América Latina, promove golpe militar em Honduras, mantém o embargo criminoso contra Cuba e reativa a IV Frota para ameaçar os povos e garantir o controle sobre as riquezas naturais da região. Bases militares são criadas em vários países para cercar os governos progressistas, principalmente da Venezuela.
O Brasil tem realizado ações no plano internacional que demonstram alguma autonomia e mesmo algum grau de conflito em relação aos interesses dos Estados Unidos e seus aliados. Mas é clara a vinculação da política externa brasileira aos interesses do capital, tanto no que diz respeito às empresas brasileiras, que participam de obras e empreendimentos por toda a América Latina, quanto às empresas estrangeiras que atuam no território brasileiro.
Do projeto burguês de inserção do Brasil, como potência, ao capitalismo internacional faz parte a estratégia brasileira de integração regional: se a proposta da ALCA (projeto agressivo do imperialismo para impor a dependência econômica e política às nações do continente) foi enterrada com ajuda do Brasil, não há interesse da parte do governo brasileiro em fortalecer a ALBA, integração soberana e anti-imperialista da América Latina, liderada por Cuba, Venezuela e Bolívia. E as forças militares brasileiras são mantidas no Haiti, a pedido dos EUA, para manter o domínio sobre aquele povo.»
O Manifestodo PCB pode ser lido aqui.
PRESIDENCIAIS - 2
O texto de que, a seguir, se transcrevem extractos é da autoria do deputado António Filipe e pode ser lido na íntegra em http://blogs.parlamento.pt/apontamentos/
Francisco Lopes
A propósito da decisão anunciada pelo Comité Central do PCP de indicar um dos seus mais destacados dirigentes, Francisco Lopes, como candidato à Presidência da República, temos assistido a um desfile de ideias feitas visando desvalorizar ou até denegrir a candidatura e quem a protagoniza que, tendo como denominador comum o anti-comunismo mais ou menos primário, reflectem a séria incomodidade gerada por esta candidatura, à direita, mas também junto de uma certa esquerda.
A mais primária e preconceituosa dessas ideias está relacionada com a origem social do candidato, ou mais propriamente, com o facto de não possuir estudos superiores, como se a licenciatura fosse condição indispensável para o exercício de cargos públicos, e como se não existissem exemplos mais que bastantes de cidadãos que, não tendo estudos superiores, deram provas de capacidade e aptidão para o exercício das mais elevadas responsabilidades. (...) Ao contrário, Portugal tem sido (des)governado por “doutores” e “engenheiros” com os resultados que se conhecem.
Uma outra ideia feita resulta da escolha partidária do candidato, o que supostamente o desvalorizaria. Seria um homem do aparelho, escolhido pelo Comité Central, logo, menos candidato que os outros. Para além de recusar liminarmente a ideia de que alguém que é dirigente partidário fica limitado nos seus direitos cívicos por esse facto, importa recordar algumas evidências. A primeira é que, apoiando candidatos seus ou apoiando candidatos alheios, nunca nenhum partido deixou de tomar posição nas eleições presidenciais. A segunda é que, se falamos de “homens do aparelho”, não sei o que dizer da candidatura de Cavaco Silva que foi durante 10 anos líder do PSD; de Francisco Louçã que foi candidato e líder do BE; de Jorge Sampaio que foi Secretário-geral do PS; de Mário Soares que foi o que se sabe no PS; ou mesmo de Manuel Alegre, que foi reiteradamente cabeça de lista do PS por Coimbra e que exerceu por muitos anos o cargo de Vice-Presidente da AR por indicação do seu Partido. Ou seja, ser do aparelho só é mau, se o aparelho for o do PCP.
Quanto à escolha pelo Comité Central, não vejo onde está a admiração. O Comité Central do PCP decidiu em devido tempo apresentar a candidatura de um dos seus membros e tomou pública essa decisão. Posteriormente debateu e decidiu quem deveria ser esse candidato e publicitou-o. Prefiro mil vezes que tenha sido assim, do que se tivesse sido o Secretário-geral a anunciar publicamente o apoio a um candidato e a impô-lo ao Comité Central, gerando a perante a perplexidade e a incomodidade dos seus membros. Como diria alguém, vocês sabem do que estou a falar.
A ideia mais batida, difundida e rebarbativamente repetida, é porém a da suposta ortodoxia comunista do candidato. Francisco Lopes será da “linha dura”, apenas conhecido de meia dúzia de militantes, desconhecido da “opinião pública” e portanto, má opção para o Partido. (...) Apetece-me perguntar se os que criticam a suposta dureza de Francisco Lopes estariam na disposição de votar num candidato mais mole ou gelatinoso que tivesse sido proposto pelo PCP. Apetece-me perguntar ainda por que carga de água, sendo o candidato tão mau para o PCP, causa tanta preocupação entre os seus adversários confessos. O que seria natural é que festejassem a candidatura e que a aplaudissem, ainda que cinicamente. Mas não o fazem e sabem muito bem porquê.
(...)
O que acontece é que os rótulos de “ortodoxo”, de “homem do aparelho” ou a referência a um discurso supostamente repetitivo, com que muitos comunistas têm sido invariavelmente rotulados ao longo dos tempos como preço a pagar pela coerência das suas convicções, não é mais do que um velho truque destinado a evitar uma discussão séria sobre as propostas, as ideias e o projecto de sociedade por que lutam os comunistas. Arrumar as propostas dos comunistas a um canto com o argumento de que se trata da repetição da “cassette” é a mais esfarrapada desculpa para não ter de discutir as ideias que os comunistas realmente defendem e para não ter de admitir que é no PCP, nas suas candidaturas e nas suas propostas, que os trabalhadores e as camadas mais desfavorecidas da população encontram quem luta pelos seus direitos e quem defende uma sociedade mais justa e livre da exploração.
(...)
Depois vem o espectro da divisão. A candidatura de Francisco Lopes dividiria a esquerda e assim facilitaria a vitória de Cavaco Silva. Tal ideia, é preciso dizê-lo, não vem da direita, que assim não pensa. Não vem de Manuel Alegre que, inteligentemente, saudou a candidatura do PCP e afirmou que os votos do PCP nunca faltaram à esquerda nos momentos decisivos. Mas vem de alguns destacados bloquistas que procuram justificar o seu apoio ao candidato do PS com base numa suposta divisão do eleitorado que a candidatura comunista provocaria.
Basta saber fazer contas de somar para perceber que se o objectivo primeiro destas eleições, para quem é de esquerda, é evitar a vitória de Cavaco Silva à primeira volta, é fundamental mobilizar o maior número de votos possível em qualquer candidato que não seja Cavaco Silva. (...)
A incomodidade de alguns destacados bloquistas nestas eleições presidenciais é mais que evidente. Apoiaram prematuramente o candidato do PS e agora têm de lidar com isso. Vão ter de fazer um discurso contra o Governo PS na Assembleia da República e compartilhar o palco das presidenciais com dirigentes do PS e membros do Governo. Vão dizer que o PS não gosta do seu próprio candidato, mas vão ter o PS e porventura o próprio candidato (que nunca renegou o seu Partido apesar de algumas divergências que assumiu) a desmenti-los. O BE tomou a decisão que tomou e que é perfeitamente legítima. Agora porém, não venham alguns conhecidos bloquistas disfarçar a sua incomodidade com ataques ao PCP. Os apoiantes de Francisco Lopes sabem o que defende o seu candidato, sabem o que ele pensa da política do actual Governo e sabem que o seu voto permite contribuir para a derrota de Cavaco Silva sem se confundir ou identificar com políticas contrárias aos interesses dos trabalhadores e do povo português. Nem todos podem dizer o mesmo, mas cada um é responsável pelas suas opções.
Finalmente, lendo o que por aí se escreve, pode alguém ficar com a ideia que o PCP ficaria incomodado caso houvesse uma segunda volta, porque nessa altura poderia ter de votar em outro candidato contra Cavaco Silva. Quem assim escreve parece não conhecer o PCP e a coerência das suas posições em matéria de eleições presidenciais. O PCP apresentou sempre um candidato próprio e, de acordo com cada situação concreta, tomou a posição mais acertada para derrotar os candidatos da direita. (...)
Só quem não conhece os comunistas portugueses pode duvidar do seu empenhamento em derrotar Cavaco Silva e do seu papel decisivo para que essa derrota seja possível. A direita percebe isso e ataca Francisco Lopes com base em preconceitos anti-comunistas e de classe. Mas há também alguma esquerda que, enredada nas suas próprias contradições, procura por todos os meios desvalorizar o papel ímpar que a candidatura de Francisco Lopes vai assumir nestas eleições presidenciais na denúncia das políticas neo-liberais e na afirmação coerente dos valores da esquerda, sem equívocos e sem cedências tácticas, numa palavra, merecedora de confiança.
António Filipe
02/09/10
PRESIDENCIAIS - 1
As próximas eleições presidenciais têm, para já, a curiosa particularidade de haver um candidato que é apoiado, em comum, pelo governo de Sócrates e por uma força política da oposição.
Essa força política - que insiste em não se chamar partido - é o tal bloco que prometia introduzir no país uma forma inovadora e moderna de fazer política; o tal que nunca se engana no adversário.
Há um ano e meio, esta originalidade parecia impossível, até aos próprios dirigentes, como se ilustra com o filme seguinte, que recolhi no 5dias.net.
01/09/10
20/07/10
Marlene Duras em Serralves
A exposição (patente até 10 de Outubro) tem o título de «Contra o Muro» e é constituída por um conjunto de pinturas de diversas dimensões, mas todas com uma forte carga expressiva, obtida por manchas e pinceladas fortes sobre fundos claros.
15/07/10
TODOS SOMOS PALESTINA
07/07/10
Matilde Rosa Araújo (1921-2010)
Ilustração de Maria Keil
Poema de Matilde Rosa Araújo
O Chapéuzinho
A menina comprou um chapéu
E pô-lo devagarinho:
Nele nasceram papoilas,
Dois pássaros fizeram ninho.
Chapéu de palha de trigo
Que a foice um dia cortou:
Na cabeça da menina,
O trigo ressuscitou.
Depois tirou o chapéu,
Tirou-o devagarinho:
Não vão murchar as papoilas,
Não se vá espantar o ninho.
E, chapéuzinho na mão,
De cabeça levantada,
A menina olhou o Sol,
Como a dizer-lhe: obrigada!
Matilde Rosa Araújo “O Cantar da Tila”
20/06/10
José Saramago (1922-2010)
Excerto de obra do escritor
Põe João Mau-Tempo o seu braço de invisível fumo por cima do ombro de Faustina, que não ouve nada nem sente, mas começa a cantar, hesitante, uma moda de baile antigo, é a sua parte no coro, lembra-se do tempo em que dançava com seu marido João, falecido há três anos, em descanso esteja, é este o errado voto de Faustina, como há-de ela saber. E olhando nós de mais longe, de mais alto, da altura do milhano, podemos ver Augusto Pintéu, o que morreu com as mulas na noite do temporal, e atrás dele, quase a agarrá-lo, sua mulher Cipriana, e também o guarda José Calmedo, vindo doutras terras e vestido à paisana, e outros de quem não sabemos os nomes, mas conhecemos as vidas. Vão todos, os vivos e os mortos. E à frente, dando os saltos e as corridas da sua condição, vai o cão Constante, podia lá faltar, neste dia levantado e principal. (Fim de Levantado do Chão)
Excerto de intervenção do cidadão
PORTO - 9 de Junho de 2010
13/06/10
Há cinco anos, 13 de Junho - 2
ÁLVARO CUNHAL (1913 - 2005)
Leia-se ou releia-se o Manifesto Comunista. Passe-se em revista, sem ideias feitas nem preconceitos, a história dos 150 anos decorridos. Não se apresente como novo o que já é velho e revelho nem se diga ser velho o que é historicamente novo. Não se insista em proclamar que morreu o que está vivo e que viverá para sempre um sistema social já historicamente condenado. A história indica e a vida mostrará que o futuro não pertence ao capitalismo mas ao socialismo e ao comunismo.
(Álvaro Cunhal, in "O Militante" Nº 233 - Março / Abril - 1998)
Há cinco anos, 13 de Junho - 1
EUGÉNIO DE ANDRADE (1923 - 2005)
No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.
(Eugénio de Andrade, in Ofício da Paciência)
09/06/10
Cavaco e as férias
"Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra", disse Cavaco Silva, em Albufeira. http://economico.sapo.pt/
1. Haverá alguém que explique ao senhor presidente que para ter férias é preciso ter emprego?
2. Haverá alguém que explique ao senhor presidente que para fazer turismo, mesmo dentro do país, é necessário ter um poder de compra superior ao da maioria dos portugueses, nomeadamente dos que recebem o salário mínimo nacional?
3. Haverá alguém que explique as senhor presidente que, para se poder escolher entre fazer turismo dentro ou fora do país, é necessário ter rendimentos muito superiores aos rendimentos médios dos portugueses?
4. Haverá alguém que explique ao economista (agora proteccionista) Cavaco Silva que as receitas do turismo realizado em Portugal pertencem a um mercado único europeu e a uma moeda única?
5. Haverá alguém que explique ao economista Cavaco Silva que, na década de oitenta, houve um primeiro ministro que destruiu os sectores produtivos da economia portuguesa e, agora, os turistas - nacionais ou estrangeiros - compram, em geral, produtos importados e alojam-se em hotéis de cadeias multinacionais?
6. Haverá alguém que recorde ao patriota Cavaco Silva que ele é um dos ex-ministros que decidiram a integração num mercado e numa moeda supra nacionais e que têm seguido, durante décadas, uma política económica de subserviência face a interesses estrangeiros?
7. Já agora... haverá alguém que recorde ao democrata Cavaco Silva que essas decisões foram impostas ao povo e ao país sem referendos nem auscultações?
02/06/10
Quatro poemas de Ferreira Gullar
O Prémio Camões 2010 foi atribuído ao poeta brasileiro Ferreira Gullar (nascido em 1930), distinguindo uma carreira literária iniciada em 1949 com «Um pouco acima do chão».
Em Portugal, a sua obra poética foi editada pelas edições Quasi.
MEU POVO, MEU POEMA
meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
DOIS E DOIS: QUATRO
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
ea liberdade, pequena.
BARULHO
Todo o poema é feito de ar
apenas:
a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa
de mulher.
O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.
THAT IS THE QUESTION
Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?
Aceito
ou detono o poema?
30/05/10
Viajando com mapa
E agora?
Sabemos o que dirão os governantes, tal como sabemos o que tentarão as forças que, dentro e fora do país, manobram os governantes.
Hoje de manhã, saltando na rede, entre sítios e blogues, portugueses e estrangeiros, encontrei esta frase:
«POLITICS WITHOUT MARXISM-LENINISM IS LIKE A JOUNEY WITH NO MAP»
Nós possuimos o mapa. Saberemos encontrar os caminhos certos da viagem.
23/05/10
Pensamento da semana
22/05/10
DIa 29 de Maio estaremos em Lisboa
QUEM FICA EM CASA QUANDO A LUTA COMEÇA
Quem fica em casa quando a luta começa
E deixa os outros combater p'la sua causa
Tem de ter cuidado: pois
Quem não partilhou da luta
Partilhará da derrota.
Nem sequer evita a luta
Quem evita a luta: pois
Lutará p'la causa do inimigo
Quem não lutou p'la própria causa.
Bertold Brecht (versão de Paulo Quintela)
11/05/10
O supremo ilusionista está entre nós
O supremo ilusionista está entre nós, com o seu sorriso puro e as suas vestes brancas.
Branco mais branco não há... para alegria dos broncos...
Durante os próximos dias, grandes milagres vão acontecer.Tudo serão bençãos do céu e a dura realidade estará oculta sob um manto branco.
Talvez a canonização do PEC seja o próximo segredo de Fátima.
Aliás, os nossos governantes estarão ao lado de Sumo Pontífice para beberem uma pingas da sua santidade. As escolas laicas estarão fechadas no dia 13 (que não é Sexta-feira) e toda a polícia do Estado laico estará ao serviço da segurança do representante de Deus. Não vá o diabo... etc.
Por mim, não posso deixar de assinalar a importância do momento. Por isso, vou comprar amanhã um livro que há muito desejo ler: «NA COVA DOS LEÕES», de Tomás da Fonseca.
07/05/10
Pelo vínculo efectivo de trabalho
ESTABILIDADE DO EMPREGO!
TRABALHO COM DIREITOS!















