01/09/10

PICOS DA EUROPA

Com muitas nuvens e alguma chuva, em Agosto.

IMAGENS DE OVIEDO, ASTÚRIAS

FEIRA DOS ANOS VINTE

Benia de Onis (Picos da Europa), 12 de Agosto de 2010
Cozinha
Gaiteiros

Fazendo albarcas
Aqui há fiado
Carrossel de pedal

D.Camilo?
Aqui comprei uma bengala de teixo.

20/07/10

Marlene Duras em Serralves

Seguindo o conselho da Regina Marques, fomos hoje ao Museu de Serralves ver a exposição de Marlene Dumas, pintora de origem sul-africana residente na Holanda.
A exposição (patente até 10 de Outubro) tem o título de «Contra o Muro» e é constituída por um conjunto de pinturas de diversas dimensões, mas todas com uma forte carga expressiva, obtida por manchas e pinceladas fortes sobre fundos claros.
Trabalhados a partir de fotografias, os quadro de Marlene Dumas mostram corpos e rostos de palestinianos detidos, mortos, agredidos pela brutalidade dos muros que lhes são impostos na sua terra, humilhados por brutais formas de violência.
Esta exposição constitui uma oportuna denúncia dos crimes cometidos pelo Estado de Israel contra a liberdade e a dignidade dos palestinianos, denúncia que assume ainda maior sentido quando é produzida por uma artista que viveu pessoalmente a experiência do apartheid.
Imagens como as da monstruosa «Barreira de Segurança», que corta a paisagem urbana e agride impiedosamente o quotidiano das populações, ficam-nos na memória como gritos de protesto.
Até quando continuarão as potências, que se consideram donas dos critérios do que é ou não é democrático, a pactuar com a segregação e a repressão na Palestina?
Quanto tempo - e quantos mortos mais - continuarão a ser tolerados os atropelos à liberdade e os crimes de guerra cometidos por Israel?

15/07/10

TODOS SOMOS PALESTINA

MÚSICA, ARTES, POESIA,
SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA
PORTO - Praça D. João I
Sábado, 17/Julho/2010, às 17h
(Iniciativa promovida pelo Movimento pela Paz)

07/07/10

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

Ilustração de Maria Keil

Poema de Matilde Rosa Araújo

O Chapéuzinho

A menina comprou um chapéu
E pô-lo devagarinho:
Nele nasceram papoilas,
Dois pássaros fizeram ninho.

Chapéu de palha de trigo
Que a foice um dia cortou:
Na cabeça da menina,
O trigo ressuscitou.

Depois tirou o chapéu,
Tirou-o devagarinho:
Não vão murchar as papoilas,
Não se vá espantar o ninho.


E, chapéuzinho na mão,
De cabeça levantada,
A menina olhou o Sol,
Como a dizer-lhe: obrigada!


Matilde Rosa Araújo “O Cantar da Tila”

20/06/10

José Saramago (1922-2010)

Excerto de obra do escritor

Põe João Mau-Tempo o seu braço de invisível fumo por cima do ombro de Faustina, que não ouve nada nem sente, mas começa a cantar, hesitante, uma moda de baile antigo, é a sua parte no coro, lembra-se do tempo em que dançava com seu marido João, falecido há três anos, em descanso esteja, é este o errado voto de Faustina, como há-de ela saber. E olhando nós de mais longe, de mais alto, da altura do milhano, podemos ver Augusto Pintéu, o que morreu com as mulas na noite do temporal, e atrás dele, quase a agarrá-lo, sua mulher Cipriana, e também o guarda José Calmedo, vindo doutras terras e vestido à paisana, e outros de quem não sabemos os nomes, mas conhecemos as vidas. Vão todos, os vivos e os mortos. E à frente, dando os saltos e as corridas da sua condição, vai o cão Constante, podia lá faltar, neste dia levantado e principal. (Fim de Levantado do Chão)

Excerto de intervenção do cidadão


PORTO - 9 de Junho de 2010

CONTRA O ROUBO DOS SALÁRIOS
Cadeia da Relação/Museu da Fotografia: no interior, a Resistência em exposição; no exterior, a resistência em acção.

A Torre dos Clérigos espreita as bandeiras comunistas.
Na Ribeira o S. João foi vermelho.

13/06/10

Há cinco anos, 13 de Junho - 2

ÁLVARO CUNHAL (1913 - 2005)


Leia-se ou releia-se o Manifesto Comunista. Passe-se em revista, sem ideias feitas nem preconceitos, a história dos 150 anos decorridos. Não se apresente como novo o que já é velho e revelho nem se diga ser velho o que é historicamente novo. Não se insista em proclamar que morreu o que está vivo e que viverá para sempre um sistema social já historicamente condenado. A história indica e a vida mostrará que o futuro não pertence ao capitalismo mas ao socialismo e ao comunismo.

(Álvaro Cunhal, in "O Militante" Nº 233 - Março / Abril - 1998)

Há cinco anos, 13 de Junho - 1

EUGÉNIO DE ANDRADE (1923 - 2005)

BALANÇA
No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.
(Eugénio de Andrade, in Ofício da Paciência)

09/06/10

Cavaco e as férias

"Segundo o Presidente da República, “passar férias cá dentro, nesta altura difícil, é também uma atitude patriótica”.
"Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra", disse Cavaco Silva, em Albufeira. http://economico.sapo.pt/

1. Haverá alguém que explique ao senhor presidente que para ter férias é preciso ter emprego?
2. Haverá alguém que explique ao senhor presidente que para fazer turismo, mesmo dentro do país, é necessário ter um poder de compra superior ao da maioria dos portugueses, nomeadamente dos que recebem o salário mínimo nacional?
3. Haverá alguém que explique as senhor presidente que, para se poder escolher entre fazer turismo dentro ou fora do país, é necessário ter rendimentos muito superiores aos rendimentos médios dos portugueses?
4. Haverá alguém que explique ao economista (agora proteccionista) Cavaco Silva que as receitas do turismo realizado em Portugal pertencem a um mercado único europeu e a uma moeda única?
5. Haverá alguém que explique ao economista Cavaco Silva que, na década de oitenta, houve um primeiro ministro que destruiu os sectores produtivos da economia portuguesa e, agora, os turistas - nacionais ou estrangeiros - compram, em geral, produtos importados e alojam-se em hotéis de cadeias multinacionais?
6. Haverá alguém que recorde ao patriota Cavaco Silva que ele é um dos ex-ministros que decidiram a integração num mercado e numa moeda supra nacionais e que têm seguido, durante décadas, uma política económica de subserviência face a interesses estrangeiros?
7. Já agora... haverá alguém que recorde ao democrata Cavaco Silva que essas decisões foram impostas ao povo e ao país sem referendos nem auscultações?

02/06/10

Quatro poemas de Ferreira Gullar

O Prémio Camões 2010 foi atribuído ao poeta brasileiro Ferreira Gullar (nascido em 1930), distinguindo uma carreira literária iniciada em 1949 com «Um pouco acima do chão».
Em Portugal, a sua obra poética foi editada pelas edições Quasi.

MEU POVO, MEU POEMA
meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta

DOIS E DOIS: QUATRO
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
ea liberdade, pequena.

BARULHO
Todo o poema é feito de ar
apenas:
a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa
de mulher.
O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.

THAT IS THE QUESTION
Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?
Aceito
ou detono o poema?

30/05/10

Viajando com mapa


Digam os servidores da comunicação social o que disserem, publiquem a desinformação que os mandarem publicar, cortem os zeros que cortarem, silenciem o que puderem silenciar, a verdade é a verdade.
A multidão que, ontem, desceu as avenidas centrais de Lisboa era muito mais numerosa do que as de outras manifestações que, anteriormente, foram reconhecidas como enormes.
E agora?
Sabemos o que dirão os governantes, tal como sabemos o que tentarão as forças que, dentro e fora do país, manobram os governantes.
Mas nós, os que lá estivemos, os que vivemos o dia histórico de 29 de Maio, o que faremos com aquela inegável afirmação de vontade colectiva?

Hoje de manhã, saltando na rede, entre sítios e blogues, portugueses e estrangeiros, encontrei esta frase:

«POLITICS WITHOUT MARXISM-LENINISM IS LIKE A JOUNEY WITH NO MAP»

Nós possuimos o mapa. Saberemos encontrar os caminhos certos da viagem.

23/05/10

Pensamento da semana

RECESSÃO - Começa quando o teu vizinho perde o emprego.

DEPRESSÃO - Começa quando tu perdes o teu emprego.

RECUPERAÇÃO - Começa quando Sócrates perder o emprego dele.

22/05/10

DIa 29 de Maio estaremos em Lisboa

QUEM FICA EM CASA QUANDO A LUTA COMEÇA

Quem fica em casa quando a luta começa

E deixa os outros combater p'la sua causa

Tem de ter cuidado: pois

Quem não partilhou da luta

Partilhará da derrota.

Nem sequer evita a luta

Quem evita a luta: pois

Lutará p'la causa do inimigo

Quem não lutou p'la própria causa.

Bertold Brecht (versão de Paulo Quintela)

11/05/10

O supremo ilusionista está entre nós

O supremo ilusionista está entre nós, com o seu sorriso puro e as suas vestes brancas.

Branco mais branco não há... para alegria dos broncos...

Durante os próximos dias, grandes milagres vão acontecer.
Tudo serão bençãos do céu e a dura realidade estará oculta sob um manto branco.
Talvez a canonização do PEC seja o próximo segredo de Fátima.
Aliás, os nossos governantes estarão ao lado de Sumo Pontífice para beberem uma pingas da sua santidade. As escolas laicas estarão fechadas no dia 13 (que não é Sexta-feira) e toda a polícia do Estado laico estará ao serviço da segurança do representante de Deus. Não vá o diabo... etc.

Por mim, não posso deixar de assinalar a importância do momento. Por isso, vou comprar amanhã um livro que há muito desejo ler: «NA COVA DOS LEÕES», de Tomás da Fonseca.

07/05/10

Pelo vínculo efectivo de trabalho

Petição da CGTP
PARA UM POSTO DE TRABALHO PERMANENTE
UM VÍNCULO DE TRABALHO EFECTIVO!
pode ser assinada clicando na imagem

ESTABILIDADE DO EMPREGO!

TRABALHO COM DIREITOS!

30/04/10

Eleições em Cuba

Cuba está a viver um dinâmico processo eleitoral, que teve no Domingo passado (25 de Abril) um importante marco. A comunicação social doméstica e domesticada, presa à repetição doentia dos preconceitos, ergue em torno deste processo o costumeiro muro de silêncio.
Abrem-se aqui quatro janelas informativas sobre o assunto:

1.

2.


3.

4.

24/04/10

ABRIL

Em 1982, quando estava em Tomar a cumprir (contrariadíssimo) o Serviço Militar Obrigatório, escrevi este texto, que ficou, até hoje, guardado num caderno com capa. Transcrevo-o agora, resistindo a alterá-lo.

Subitamente eu vi nascer o sol
no teu corpo adolescente, meu país.

Vi abrirem-se as portas que retinham
as palavras e os gestos e as águas.

Vi no cais caravelas regressadas
de mares nunca dantes navegados.

Vi nascer uma nova geografia,
oceanos de paz e de gaivotas.

Vi nas praças da cidade libertada
fogueiras de esperança e de canções.

Vi as mãos do trabalho que se ergueram
gritando as palavras necessárias:
Abre-te Sésamo dum futuro por abrir.

11/04/10

António de Spínola


O golpista de 28 de Setembro de 1974 e de 11 de Março de 1975, presidente da organização terrorista E.L.P. e do movimento fascista M.D.L.P., condecorado por Mário Soares em 1987, foi hoje homenageado por Cavaco Silva.
António Costa ajudou à festa.
Não é a memória que lhes falha. É o descaramento que não tem limites.

09/04/10

a máquina de fazer espanhóis

«a máquina de fazer espanhóis», último romance de valter hugo mãe, publicado pela editora Alfaguara, arrisca-se a ser mais notado pelas suas peculiaridades gráficas do que pela notável qualidade literária do texto.

Desde logo, a opção do autor por uma escrita que exclui as letras maiúsculas, tanto nos inícios de período como nos nomes próprios, constitui um factor distintivo, se bem que não absolutamente inovador. Recorde-se que o poeta norte-americano e. e. cummings (1894-1962) adoptou idêntica atitude, escrevendo exclusivamente em minúsculas, mesmo o seu próprio nome literário.

Por outro lado, o estranho título, a desconcertante fotografia da capa e as oito fotografias reproduzidas no fim do livro, pela sua (pelo menos aparente) desconexão com a narrativa, poderão imprimir ao objecto livro uma originalidade gráfica susceptível de obscurecer a surpreendente força literária da obra.

Dominando uma linguagem clara e exacta, valter hugo mãe envolve-nos, com a mesma profundidade e eficácia comunicativa, tanto em momentos de chocante violência dramática como em passagens de alegria incontida.

«a máquina de fazer espanhóis» é uma reflexão sobre a vida na terceira idade e sobre as descobertas que podem ser feitas quando a vida parece ter perdido o sentido.

O protagonista e narrador, é um homem de oitenta e quatro anos que entra num lar de idosos logo após a inesperada morte da sua companheira de quase cinquenta anos. «a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias. foi o que fizeram. depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher.» (página 29).

Previsivelmente, o tempo que lhe resta, entre a morte da mulher e a sua própria morte, não seria mais do que uma espera magoada e solitária, acompanhada pela avançar da senilidade e da doença. O autor centra a nossa atenção muito mais nos conflitos emocionais vividos pela personagem do que no seu processo de envelhecimento, evitando as descrições detalhadas de debilidades físicas (tão presentes, por exemplo, em «Patrimony», de Philipe Roth).

Surpreendentemente, sendo um romance sobre o fim da vida, este é um romance sobre a vida. Esta nova etapa será um tempo de descobertas, de novas perspectivas sobre o passado e sobre as relações humanas, um tempo de construção de novos laços. «este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contingência da coabitação…» (página 271).

Um livro a reter com lugar de destaque na mais recente geração de romancistas portugueses, ao lado de «Cemitério de Pianos», de José Luís Peixoto.

03/04/10

Petição Contra a Discriminação informativa ao PCP


Acabei, há minutos, de assinar esta petição

Para: Autoridade para a Comunicação Social

Os media Portugueses discriminam a actividade que o Partido desenvolve em defesa do Povo Português.
Exigimos respeito por um Partido que ao longo dos seus 89 anos de vida , mostrou estar sempre ao lado da luta do nosso povo, pela democracia e pelo socialismo.
Querem-nos silenciar.
Os Comunistas, democratas e antifascistas, presentes nesta rede social, não o vão permitir.
Vamos fazer chegar esta causa e este protesto à alta autoridade para a Comunicação Social.
Vamo-nos organizar
Venceremos

Pode ser assinada aqui

21/03/10

Mães, há só umas?


Milhares de manifestantes desfilaram, ontem em Washington, protestando contra as guerras no Iraque e no Afeganistão.
Sete dos manifestantes foram detidos, entre eles Cindy Sheehan, mãe dum militar norte-americano morto em combate, no Iraque, em 2004.
Em 2006, Cindy Sheehan participou no Fórum Social Mundial, realizado na Venezuela. Na ocasião, manifestou a sua admiração pelo presidente Hugo Chávez "pela sua integridade ao resistir aos Estados Unidos". (fonte)

Otto René Castillo

Poeta e guerrilheiro guatemalteco, nasceu em 1936 e, em 1954, iniciou um primeiro exílio em El Salvador.
Aos 19 anos, ganhou o Prémio Centro-Americano de Poesia, o que lhe possibilitou iniciar a publicação de seus poemas, marcados por uma profunda nostalgia da pátria e pela opressão do seu povo, nomeadamente, das comunidades indígenas.
Em El Salvador, participou na fundação do Círculo Literário Universitário, que tinha como lema “No hay estética sin ética”.
Em 1958 voltou à Guatemala, onde iniciou um curso de direito.
No ano seguinte, iniciou um curso de letras em Leipzig (República Democrática Alemã).
Ao fim de 3 anos, interrompeu a vida académica para integrar um grupo de cineastas europeus que filmavam curtas-metragens sobre a luta armada de libertação latino-americana.
Em 1964, Otto René de Castillo partilha a actividade clandestina da luta armada com a direcção dum teatro municipal. Capturado no ano seguinte, é-lhe imposto um novo exílio.
Nomeado, pelas organizações revolucionárias, representante da Guatemala no Comité Organizador do Festival Mundial da Juventude, que terá lugar na Argélia, viaja por vários países europeus e permanece alguns meses em Cuba.
Em 1966, regressa clandestinamente ao seu país para se incorporar as guerrilhas das Forças Armadas Rebeldes, já conhecido como poeta-guerrilheiro.
Em Março do ano seguinte, ferido em combate, é capturado pelas forças do governo e conduzido, juntamente com sua companheira Nora Paiz e com vários camponeses locais, para a base militar de Zacapa. Aí, depois de torturado e mutilado, Otto René Castillo acaba por ser queimado vivo.

Intelectuais apolíticos
Um dia,
os intelectuais
apolíticos
do meu país
serão interrogados
pelo homem
simples
do nosso povo.
Serão perguntados
sobre o que fizeram
quando
a pátria se apagava
lentamente,
como uma fogueira frágil,
pequena e só.
Não serão interrogados
sobre os seus trajes,
nem acerca das suas longas
siestas
após o almoço,
tão pouco sobre os seus estéreis
combates com o nada,
nem sobre sua ontológica
maneira
de chegar às moedas.
Ninguém os interrogará
acerca da mitologia grega,
nem sobre o asco
que sentiram de si,
quando alguém, no seu fundo,
dispunha-se a morrer covardemente.
Ninguém lhes perguntará
sobre suas justificações
absurdas,
crescidas à sombra
de uma mentira rotunda.
Nesse dia virão
os homens simples.
Os que nunca couberam
nos livros e versos
dos intelectuais apolíticos,
mas que vinham todos os dias
trazer-lhes o leite e o pão,
os ovos e as tortilhas,
os que costuravam a roupa,
os que manejavam os carros,
cuidavam dos seus cães e jardins,
e para eles trabalhavam,
e perguntarão,
“Que fizestes quando os pobres
sofriam e neles se queimava,
gravemente, a ternura e a vida?”
Intelectuais apolíticos
do meu doce país,
nada podereis responder.
Um abutre de silêncio vos devorará
as entranhas.
Vos roerá a alma
vossa própria miséria.
E calareis,
envergonhados de vós próprios.
Poema de Otto René de Castillo

18/03/10

PAZ SIM! NATO NÃO!

Assinei esta petição em www.pazsimnatonao.org/peticao/

Petição Ao Presidente da Assembleia da República

Assunto: Realização da Cimeira da NATO em Portugal

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) anunciou a realização de uma cimeira em Portugal, onde prevê rever o seu conceito estratégico no sentido de alargar o seu campo de actuação geográfica, como já sucede nos Balcãs, no Afeganistão e no Paquistão e os pretextos de intervenção.

A realização desta Cimeira em Portugal significa a confirmação do envolvimento do país nos propósitos militaristas deste bloco político-militar, que constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional.

O empenhamento do governo português na NATO colide com princípios fundamentais inscritos na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas, de que Portugal é signatário – soberania, independência, não ingerência, não agressão, resolução pacífica dos conflitos e igualdade entre Estados; abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração; desarmamento, dissolução dos blocos político-militares.

Preocupados com os objectivos e significado desta cimeira as e os abaixo-assinados expressam a sua oposição à realização da Cimeira da NATO em Portugal e aos seus objectivos belicistas e reclamam das autoridades portuguesas:

- A retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO

- O fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional

- A recusa da militarização da União Europeia, que a transforma no pilar europeu da NATO

- A efectiva realização de uma política externa portuguesa em consonância com os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas, incluindo a promoção de iniciativas em prol do desarmamento e da dissolução dos blocos político-militares.

www.pazsimnatonao.org/peticao/

O aniversário que não aconteceu

Oitenta e nove anos na vida de um partido político é algo de notável, sobretudo se se tiver em conta que 48 destes foram passados na mais rigorosa clandestinidade, com os seus militantes e dirigentes a terem de enfrentar perseguições, prisões e torturas. Por vezes assassinatos.
Apesar disto, as estações televisivas e as rádios nacionais não fizeram qualquer referência ao 89.º aniversário do PCP no dia em que se assinalava a efeméride – 6 de Março. Não tanto pelo que o PCP foi, mas pelo que é hoje e pela carga de futuro que a sua acção e as suas propostas transportam.
E nem precisavam de «inventar» matérias, pois o PCP realizou, nesse mesmo dia, um comício comemorativo, na Aula Magna, em Lisboa, ao qual compareceram mais de duas mil pessoas, fazendo desta a maior iniciativa partidária desse fim-de-semana. Nos noticiários desse dia, tal iniciativa simplesmente não aconteceu.
O breve registo de Jerónimo de Sousa sobre o PEC, recolhido por uma das estações de televisão, não compensa esse apagamento – sobretudo tendo em conta a intervenção realizada pelo Secretário-geral do PCP onde este abordou os principais problemas do País e do mundo, adiantou a análise do PCP sobre a actual situação política e apresentou um conjunto de propostas de ruptura e mudança para o País.
Aliás, está a tornar-se uma regra a falta de enquadramento e de contextualização das imagens que passam relativas às iniciativas do PCP. Nomeadamente a falta de informação sobre o local e o tipo de realizações, o que contribui para o esbatimento da visibilidade das iniciativas e realizações do Partido. Por vezes, os jornalistas dirigem-se às iniciativas apenas e só para recolherem depoimentos sobre o «assunto do dia».
Nos protestos enviados às direcções das estações televisivas, o PCP reclamou uma alteração de critériosde forma a que sejam garantidos os deveres de pluralismo e isenção a que estão obrigados. A começar, desde logo, pelos restantes comícios de aniversário do Partido. Um deles, realizado na Maia no dia 13, foi ignorado pelo Jornal de Notícias, um dos principais órgãos de informação no Norte do País. O mesmo que fez, aliás, no ano passado. Já o Público não comparece em qualquer iniciativa do PCP desde as eleições autárquicas.

06/03/10

6 de Março

Sobre a condenação de Arnaldo Otegi


«O líder independentista basco Arnaldo Otegi foi condenado esta terça-feira, em Madrid, a dois anos de prisão por «enaltecimento do terrorismo», disse fonte judicial. Arnaldo Otegi, ex-porta-voz do Batasuna, «braço político» ilegalizado da ETA, foi julgado em Janeiro por participar, em 2005, numa homenagem a José Maria Sagarduy, membro da organização separatista basca, que se encontra detido. O dirigente basco foi detido em Outubro por ter tentado, segundo a justiça, reconstituir a direcção do Batasuna, partido ilegalizado em Espanha desde 2003, devido às ligações com a ETA. Otegi foi ilibado dos crimes de associação e reunião ilícita, dos quais também estava acusado.» diario.iol
«O líder independentista basco Arnaldo Otegi foi condenado a dois anos de prisão por “apologia do terrorismo”, mais 16 anos de privação dos direitos civis, durante os quais ficará impedido de exercer cargos públicos ou ser eleito para funções públicas.» publico

Ilibado de acusações de "crime de associação e reunião ilícita" só pode significar que não foram encontrados quaisquer indícios de associação à ETA ou a outra actividade susceptível de ser considerada terrorista.
Dois anos de prisão e dezasseis anos de privação de direitos civis!
Alguém me explica por que não podem aplicar-se a este caso, ocorrido na "democrática" Espanha de 2010, as expressões PRESO POLÍTICO e PRESO POR DELITO DE OPINIÃO?