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Em 1982, quando estava em Tomar a cumprir (contrariadíssimo) o Serviço Militar Obrigatório, escrevi este texto, que ficou, até hoje, guardado num caderno com capa. Transcrevo-o agora, resistindo a alterá-lo.«a máquina de fazer espanhóis», último romance de valter hugo mãe, publicado pela editora Alfaguara, arrisca-se a ser mais notado pelas suas peculiaridades gráficas do que pela notável qualidade literária do texto.
Desde logo, a opção do autor por uma escrita que exclui as letras maiúsculas, tanto nos inícios de período como nos nomes próprios, constitui um factor distintivo, se bem que não absolutamente inovador. Recorde-se que o poeta norte-americano e. e. cummings (1894-1962) adoptou idêntica atitude, escrevendo exclusivamente em minúsculas, mesmo o seu próprio nome literário.
Por outro lado, o estranho título, a desconcertante fotografia da capa e as oito fotografias reproduzidas no fim do livro, pela sua (pelo menos aparente) desconexão com a narrativa, poderão imprimir ao objecto livro uma originalidade gráfica susceptível de obscurecer a surpreendente força literária da obra.
Dominando uma linguagem clara e exacta, valter hugo mãe envolve-nos, com a mesma profundidade e eficácia comunicativa, tanto em momentos de chocante violência dramática como em passagens de alegria incontida.
«a máquina de fazer espanhóis» é uma reflexão sobre a vida na terceira idade e sobre as descobertas que podem ser feitas quando a vida parece ter perdido o sentido.
O protagonista e narrador, é um homem de oitenta e quatro anos que entra num lar de idosos logo após a inesperada morte da sua companheira de quase cinquenta anos. «a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias. foi o que fizeram. depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher.» (página 29).
Previsivelmente, o tempo que lhe resta, entre a morte da mulher e a sua própria morte, não seria mais do que uma espera magoada e solitária, acompanhada pela avançar da senilidade e da doença. O autor centra a nossa atenção muito mais nos conflitos emocionais vividos pela personagem do que no seu processo de envelhecimento, evitando as descrições detalhadas de debilidades físicas (tão presentes, por exemplo, em «Patrimony», de Philipe Roth).
Surpreendentemente, sendo um romance sobre o fim da vida, este é um romance sobre a vida. Esta nova etapa será um tempo de descobertas, de novas perspectivas sobre o passado e sobre as relações humanas, um tempo de construção de novos laços. «este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contingência da coabitação…» (página 271).
Um livro a reter com lugar de destaque na mais recente geração de romancistas portugueses, ao lado de «Cemitério de Pianos», de José Luís Peixoto.
Para: Autoridade para a Comunicação Social

Assinei esta petição em www.pazsimnatonao.org/peticao/
Petição Ao Presidente da Assembleia da República
Assunto: Realização da Cimeira da NATO em Portugal
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) anunciou a realização de uma cimeira em Portugal, onde prevê rever o seu conceito estratégico no sentido de alargar o seu campo de actuação geográfica, como já sucede nos Balcãs, no Afeganistão e no Paquistão e os pretextos de intervenção.
A realização desta Cimeira em Portugal significa a confirmação do envolvimento do país nos propósitos militaristas deste bloco político-militar, que constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional.
O empenhamento do governo português na NATO colide com princípios fundamentais inscritos na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas, de que Portugal é signatário – soberania, independência, não ingerência, não agressão, resolução pacífica dos conflitos e igualdade entre Estados; abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração; desarmamento, dissolução dos blocos político-militares.
Preocupados com os objectivos e significado desta cimeira as e os abaixo-assinados expressam a sua oposição à realização da Cimeira da NATO em Portugal e aos seus objectivos belicistas e reclamam das autoridades portuguesas:
- A retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO
- O fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional
- A recusa da militarização da União Europeia, que a transforma no pilar europeu da NATO
- A efectiva realização de uma política externa portuguesa em consonância com os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas, incluindo a promoção de iniciativas em prol do desarmamento e da dissolução dos blocos político-militares.
Nas últimas semanas, este blogue tem andado um pouco abandonado.

Assinalando os 50 anos da Fuga de Peniche, o Diário de Notícias publica hoje uma interessantíssima entrevista com a poetisa Maria Eugénia Cunhal.
arrancado de los bosques.
en medio de la ciudad,
apagado por el día
encendido por la noche,
y dentro de una semana
seco y muerto para siempre.
Poema de Rafael Alberti
"Determinamos que não seríamos capazes de atender às nossas necessidades de defesa nacional nem nossos compromissos de segurança para com nossos amigos e aliados se assinássemos essa convenção", disse o porta-voz Ian Kelly.

"Bate os brancos com a cunha vermelha"
Este cartaz, é uma das obras marcantes do construtivismo russo, movimento artístico iniciado nos primeiros anos de Revolução Soviética.
Foi concebido por El Lissitzky, (1890-1941), como instrumento de propaganda na guerra contra o exército branco da contra-revolução, em 1920.
Os construtivistas concebiam as suas pinturas e esculturas mais como construções do que como representações, criando tensões e equilíbrios entre formas geométricas, que acentuavam o movimento no espaço.
Através da criação de objectos artísticos de propaganda e mobilização de energias colectivas, inovaram, de forma radical e comprometida, a comunicação entre as artes e uma sociedade que vivia, nesses anos, as mais mais profundas transformações que a humanidade produziu no século XX.
Dos artístas dessa geração (El Lissitsky, Rodchenko, Tatlin, Malevich, o poeta Mayakovsky, o cineasta Eisenstein...) se pode dizer que, esses sim, derrubaram muros.