27/02/10
Como consertar o mundo
26/02/10
Há um jornal diferente
25/02/10
Dois livros
Nas últimas semanas, este blogue tem andado um pouco abandonado.
15/02/10
A MÃE, de Bertold Brecht
O Teatro Municipal de Almada apresenta no Porto, no Teatro Nacional São João, de 12 a 21 de Fevereiro, A Mãe, de Bertolt Brecht.
Tradução da peça e das letras das canções Yvette K. Centeno, Teresa Balté
Encenação Joaquim Benite
Direcção musical Fernando Fontes
Cenografia Jean-Guy Lecat
Figurinos Sónia Benite, Ana Rita Fernandes
Desenho de luz José Carlos Nascimento
Voz e elocução Luís Madureira
Assistência de encenação Rodrigo Francisco
Interpretação Alberto Quaresma, André Albuquerque, Carlos Gonçalves, Carlos Santos, Celestino Silva, Daniel Fialho, Laura Barbeiro, Luzia Paramés, Manuel Mendonça, Marco Trindade, Marques D’Arede, Miguel Martins, Paulo Guerreiro, Paulo Matos, Pedro Walter, Sofia Correia, Teresa Gafeira, Teresa Mónica
Produção Teatro Municipal de Almada
20/01/10
11/01/10
QUEBRA-CABEÇAS
Procura-se uma cabeça disponível para preenchimento de vaga em estátua do século passado.
«CADERNOSEMCAPA» tem a honra de facultar aos seus seguidores e a todos os leitores eventuais uma valiosa oportunidade para participarem na selecção, contribuindo, por esta forma, para a preservação e modernização de tão preciosa relíquia.
Para darem o vosso contributo, poderão manifestar as vossas preferências entre qualquer uma das ilustres cabeças abaixo apresentadas.
Poderão ainda apresentar outras propostas, devidamente fundamentadas.
Vamos pôr as cabeças a funcionar, com a criatividade e a seriedade que merece o formoso monumento.
“Cada cabeça sua sentença”.
09/01/10
SALGUEIROS
Vamos lá ver quem descobre que poeta famoso escreveu este poema épico-desportivo.
Quem não sabe que o Salgueiros
É o Benfica do Norte?
sim. Benfica até na cor
Da camisola vermelha.
Quem lhe quer, quer bem ao Povo,
À Justiça e à Liberdade,
E sente que esta cidade
Traz nas veias sangue novo.
Gente que sonha de noite
Mas que luta, ao Sol, de dia.
Quem junto dela se acoite
Aprende a amar a alegria.
Afinal, a Poesia
Nem sempre é filha da noite...
Em Ele perdendo, o pranto
Rebenta em todos os olhos.
E só deus conhece o quanto
Os homens acham de escolhos.
Mas se ganha, velhos, novos,
Unidos no mesmo abraço,
Riem, acertando o passo.
(Portugal é Portugal!)
Felizes daqueles Povos
Que vivem do mesmo ideal!
Jogadores do Salgueiros!
Fronte erguida, braço forte,
Rudes, simples, verdadeiros.
Quem não sabe que o Salgueiros
É o Benfica do Norte?
08/01/10
A luta pela Paz

Passado quase um ano sobre a eleição de Obama como presidente dos EUA, e apesar da imensa operação ideológica realizada em seu redor, é cada vez mais claro que a agenda estratégica e militarista da actual Administração norte-americana prossegue os mesmos objectivos fundamentais que a anterior.
03/01/10
Maria Eugénia Cunhal
Assinalando os 50 anos da Fuga de Peniche, o Diário de Notícias publica hoje uma interessantíssima entrevista com a poetisa Maria Eugénia Cunhal.
Em cada hora
e dele saem dardos, punhais, espadas
In “As Mãos e o Gesto”
Editorial Escritor
31/12/09
23/12/09
Um conto de Luísa Ducla Soares
A mãe aproveita umas horas extra, na pastelaria, para preparar fornadas de bolos-reis.
O pai, antes de sair, marcou-lhe páginas e páginas de trabalhos de casa. É preciso, para poder acompanhar os colegas,
Folheando o dicionário, a pequena ucraniana procura as palavras portuguesas que há-de escrever em frente das que tão bem conhece.
ОЛiВЕДЬ — lápis
ЗОШИТ — caderno
КИГА — livro
ШКОЛА — escola
Tudo diferente! Até o abecedário... Na escola, os outros fazem pouco dela e chamam-lhe “língua de trapos”. Que quererá isso dizer?
Vai à página 190, logo em seguida à 293. Era de calcular...
Tem, no entanto, orgulho em ser a melhor a matemática. Ninguém a bate em contas. Quando a professora entrega os testes e lhe dá vinte, há sempre um grupinho irritado que, no recreio seguinte, se junta, numa roda, à sua volta, cantarolando:
Irina, Irina, Irina,
Que menina tão fina!
Tem cara cor de sal,
Olhos cor de piscina.
Cabelos cor de margarina.
Ai, doem-te as saudades?
Vai tomar aspirina.
Na Ucrânia deixou tantos amigos...
Evita aqueles olhos escuros que se fixam nela, uns curiosos, outros trocistas, outros indiferentes.
Sente-se como uma extraterrestre. Porque é que os pais a mandaram vir?
Isola-se no recreio, a um canto, tentando desvendar a algaraviada das conversas. Às vezes, o Afonso murmura-lhe ao ouvido um segredo:
— Pareces uma fada!
E foge logo a correr.
Que palavrão será “fada”? Nem vale a pena procurar no dicionário. Algumas palavras que lhe dizem nem sequer lá vêm. A princípio ainda perguntou à mulher da limpeza o que significavam mas ela empurrou-a com a esfregona.
— Ordinária! Estes imigrantes mal sabem falar mas fixam logo a porcaria... Porque não voltam para o sítio de onde vieram?
Com lágrimas nos olhos, Irina vai agora à janela e vê as luzinhas acender e apagar nas árvores despidas. Por trás das paredes deslavadas das velhas casas, decerto se celebra a consoada. Como será?
Doze pratos se punham na mesa de festa no Natal da sua terra. Uma em memória de cada apóstolo.
É Natal em Portugal. Que interessa? A família está dispersa. A mãe a fazer bolos-reis que não vai provar porque para os ortodoxos é tempo de sacrifício e jejum. O pai lá anda, na construção civil. Como mais ninguém queria trabalhar na noite de 24, foi, sozinho, pintar um café que está a ser remodelado, ao fundo da rua. Os dois irmãos mais novos ficaram em Priluki, lá longe, com a avó.
Irina aquece a sopa e arranja uma sandes de queijo. Como pesa o silêncio!
De repente, sente um grito abafado no andar de cima. Algum assalto? Alguém que caiu? Não sentiu passos nem o baque de uma queda...
Com o coração a bater, põe-se a espreitar pelo óculo. Nada!
— Acudam! Acudam!
Mais ninguém se encontra no prédio. As lojas do rés-do-chão estão fechadas, os vizinhos do primeiro andar foram de férias. Por cima, na mansarda, mora uma rapariga nova, gorda, pálida.
Irina abalança-se a subir. A porta encontra-se apenas encostada e a miúda entra, a medo. Já ninguém grita. Um gemido fraco ecoa ao fundo do corredor.
Haverá feridos? Tem horror ao sangue. Por um momento, pensa em voltar para trás. Mas prossegue, pé ante pé, até ao quarto.
Deitada na cama, a moça, que ela conhece de vista, geme, agarrada à barriga enorme. Irina aproxima-se, repara que está alagada em suor.
— Ladrão atacar tu? Estar doente?
Tremendo, a outra responde:
— Chama o 112. O bebé vai nascer.
Que será o 112? Estará ela a delirar? Quase desfalece.
Então Irina precipita-se pela escada abaixo. A rua encontra-se deserta. Não conhece ninguém nas redondezas. Corre até ao café onde o pai está a pintar paredes.
— Pai, pai! — grita ela.
Anton desce do escadote, pousa o rolo, inquieto ao ver a filha naquela aflição.
— Que foi? Aconteceu alguma desgraça?
Mal sabe o que se passa, marca um número no telemóvel, dá a morada, pede urgência. Segue-a em passo apressado. Sobre eles desaba uma chuva gelada. Ficam com os cabelos a escorrer, encharcam os sapatos nas poças que, num instante, se formam.
Chegados ao prédio, o ucraniano galga os degraus dois a dois, entra sozinho no quarto da vizinha. A filha fica à espera.
— Irina, ferve uma panela de água. Traz-me um frasco de álcool, uma tesoura, toalhas.
A miúda obedece, confusa.
— Traz-me roupa lavada, para me mudar!
O pintor despe o fato-macaco, sujo de tinta e de pó, na casa de banho, enfia uma camisa branca, umas calças desbotadas. Esfrega as mãos e a tesoura com álcool.
— Irina, a água já ferve?
De novo no quarto, fala pausadamente com a rapariga, em voz alta. Ouve-se tudo cá fora.
— Força! Coragem! Está quase...
De súbito ouve-se o choro de um bebé.
— Entra, Irina — diz, pouco depois, o pai. — Vem ajudar. Já és crescida.
Entrega-lhe o recém-nascido.
A rapariga, na cama desalinhada, sorri.
— Embrulha-o num xailinho. Está na gaveta do meio.
Irina aconchega aquele corpo tão pequenino e frágil. Embala-o devagarinho, como fazia com as bonecas. Uma minúscula mãozinha aperta então o seu polegar.
O alarme de uma ambulância apita. Pára à entrada do edifício. Duas enfermeiras precipitam-se pela porta dentro.
— Então, viram-se atrapalhados? Um parto faz sempre confusão, principalmente aos homens.
— Sou médico — confessa o ucraniano. — Mas, em Portugal, ando nas obras...
As enfermeiras cruzam um olhar subitamente triste. Examinam a criança.
— O bebé nasceu no dia de Natal. É o nosso Menino Jesus.
A mãe olha para o homem e pergunta:
— Como é que o doutor se chama?
— Anton.
— António? Quer ser o padrinho? Vou pôr-lhe o seu nome.
As enfermeiras levam a rapariga e o bebé para a ambulância.
— Vão dar um passeio até à maternidade. Estão ambos óptimos.
— Manhã nós visitar! — exclama a garota.
Já passa da meia-noite. Pai e filha descem até ao patamar do primeiro andar. Na escada nunca há luz. Felizmente a gente do 112 usa lanternas... Mas, logo que o pessoal da ambulância se afasta, a escuridão instala-se. Às apalpadelas, o pai mete a chave na fechadura. Tropeça num embrulho.
— Que será? — espanta-se ele. — Esta é uma noite de surpresas.
Sobre o tapete de cairo está um embrulho enfeitado com um laçarote cor-de-rosa. Traz um bilhete preso com fita-cola.
Para uma fada loura.
com amizade
A menina abre-o. É um conjunto de canetas de ponta de feltro.
— O Pai Natal português não se esqueceu de ti — ri-se o médico.
— O Afonso é a única pessoa que me trata por fada — replica a Irina, um bocadinho corada.
Corre para o dicionário, passando as páginas até à número 159 e exclama, radiante:
OЗНАКА — fada
Depois, pega numa folha de papel e desenha, a amarelo, uma estrela a brilhar, a brilhar, a brilhar.
(Há sempre uma estrela no Natal, Porto, Civilização Editora, 2006)
20/12/09
Com papas e bolos...
Árvore de Natal
arrancado de los bosques.
en medio de la ciudad,
apagado por el día
encendido por la noche,
y dentro de una semana
seco y muerto para siempre.
Poema de Rafael Alberti
06/12/09
Administração Obama recusa assinar proibição das minas terrestres
O executivo norte-americano decidiu não assinar uma convenção internacional que proíbe as minas terrestres, revelou o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, afirmando que a administração Obama acabou recentemente de reapreciar a questão e decidiu não mudar a política da administração Bush.
"Determinamos que não seríamos capazes de atender às nossas necessidades de defesa nacional nem nossos compromissos de segurança para com nossos amigos e aliados se assinássemos essa convenção", disse o porta-voz Ian Kelly.
PETIÇÃO EM FAVOR DE ANTONIO TABUCCHI
A liberdade de expressão está ameaçada na Itália.
O presidente do senado italiano, Renato Schifani, pediu-lhe em tribunal a quantia exorbitante de 1.350.000 euros como indemnização por um artigo publicado no «Unità».
Para ler e assinar a petição, clicar sobre a foto
20/11/09
UMA EDIÇÃO DE LÉNINE HÁ 80 ANOS
15/11/09
El Lissitzky

"Bate os brancos com a cunha vermelha"
Este cartaz, é uma das obras marcantes do construtivismo russo, movimento artístico iniciado nos primeiros anos de Revolução Soviética.
Foi concebido por El Lissitzky, (1890-1941), como instrumento de propaganda na guerra contra o exército branco da contra-revolução, em 1920.
Os construtivistas concebiam as suas pinturas e esculturas mais como construções do que como representações, criando tensões e equilíbrios entre formas geométricas, que acentuavam o movimento no espaço.
Através da criação de objectos artísticos de propaganda e mobilização de energias colectivas, inovaram, de forma radical e comprometida, a comunicação entre as artes e uma sociedade que vivia, nesses anos, as mais mais profundas transformações que a humanidade produziu no século XX.
Dos artístas dessa geração (El Lissitsky, Rodchenko, Tatlin, Malevich, o poeta Mayakovsky, o cineasta Eisenstein...) se pode dizer que, esses sim, derrubaram muros.
14/11/09
IMAGENS DO MEU PASSADO 3
IMAGENS DO MEU PASSADO 1
11/11/09
COMUNISTAS: ELES SOMOS ASSIM
Os jovens comunistas de todas as idades somos assim...
Perigosamente parecidos com os mais humanos dos seres humanos.
07/11/09
REVOLUÇÃO DE OUTUBRO (em 7 de Novembro de 1975)
Tal facto resultou numa contra-manifestação da ala direita que nessa altura já andava a levantar cabelo ( o 25 de Novembro estava próximo) e para evitar que a bandeira fosse arreada, o pessoal entrincheirou-se na sala que dava acesso à varanda, gorando as intenções.
O caso ficou feio e só a intervenção da Dra Palmira, uma professora respeitada e querida por todos, acabou com a séria hipótese de confronto, negociando uma solução de compromisso em que a bandeira ficaria por mais algum tempo e seria depois retirada.
Como o mais importante estava feito, lá acabamos por concordar e o assunto resolveu-se de forma relativamente pacífica.
Interessante foi um comunicado posterior do MRPP que criticava o " renegado"Angelo por ter colocado no poste a gloriosa bandeira do Movimento em conluio com os sociais fascistas (alguns colegas ligados ao PCP). Na verdade o dito Ângelo tinha saído dos MRs e foi a casa buscar uma enorme bandeira que tinha desses tempos, enrolou a parte das letras amarelas da organização do Camarada Arnaldo de Matos (e do Cherne Barroso, da justiceira Misetsung, etc) e foi esse pano vermelho que flutuou ao vento, do qual guardei a foto histórica que coloco em cima, já um bocado descolorida mas nem por isso menos interessante.
Agora que se comemoram os 92 anos da Revolução de Outubro, lembro estes momentos únicos de uma época em que tudo parecia possível.
E por falar da Revolução, bem que me parece que uma nova revolta está na ordem do dia, numa altura em que cada vez mais as desigualdades sociais se notam e não pára de crescer a exploração a que estamos todos sujeitos por uma minoria detentora do poder.
Aprender com os erros e lutar por uma nova sociedade mais igualitária é uma urgência.











































