02/09/09

PÓRTICO OCIDENTAL DE BRAVÃES

O portal ocidental da Igreja do Mosteiro de Bravães (Ponte da Barca) é, segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, "o mais decorado portal românico em Portugal" e "um dos melhores exemplos onde se simboliza um portal de igreja como «Porta do Céu»".
Na espessura da parede insere-se um programa iconográfico típico, desenvolvido na forma de retábulo com cinco arquivoltas e quatro pares de colunas.

No tímpano, é apresentada a figuração de Cristo na Glória, inserido numa auréola em forma de amêndoa, assistido por dois anjos.

Ao longo das arquivoltas exteriores, dispõem-se figuras humanas enfileiradas que são interpretadas de diversas formas. Enquanto na opinião de Ferreira de Almeida representam os apóstolos, na interpretação de Manuel de Aguiar Barreiros, são alusões à universalidade da redenção do homem.

As arquivoltas interiores são decoradas com motivos geométricos.


Verticalmente, há quatro colunas de cada lado, ornamentadas com temas diversos e capitéis ricamente trabalhados.


As segundas assumem-se como estátuas colunas representando uma Anunciação.
Do lado direito, o arcanjo S. Gabriel é figurado com barba e com as palmas das mãos voltadas para fora, numa atitude de veneração associada ao momento de pronunciar «Ave gratia plena».
Do lado esquerdo, a Virgem com a mão direita no peito e a esquerda pousada sobre o ventre, é o primeiro exemplo português de representação da Senhora do O.


Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da Arte em Portugal III – o Românico, Lisboa, 1986.
BARREIROS, Padre Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926.
www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=69876

DESABAFO SOBRE ÉVORA E O PATRIMÓNIO

Évora já foi uma cidade apaixonante.

Évora já foi uma cidade que mereceu o título de Património Mundial.
Évora já teve uma gestão municipal que sabia valorizar o património.
A visita que fiz este ano, deixou-me alguma desilusão.
Abunda a sujidade, prolifera o caos no exterior da muralha, e, sobretudo, verifiquei duas situações que me chocaram pelo que revelam de desrespeito pelo património e pelos visitantes:

1.ª Paga-se bilhete para entrar na catedral.
Não se trata de entrada num museu, ou cripta ou claustro, mas sim no templo propriamente dito.

2.ª O interior da igreja da Graça não pode ser visitado. Segundo me informaram, só abre para a missa dominical.

Antes de terminar o ano de 2009, Évora pode retomar o rumo que fazia dela uma cidade apaixonante.
Entretanto, numa aldeia do Minho - Bravães, Ponte da Barca - há uma igreja que, não podendo disponibilizar quem acompanhe os visitantes, tem este simpático aviso na porta:

Cá fica o exemplo.

IGREJA DE BRAVÃES

Na estrada nacional que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca, a quatro quilómetros desta vila, encontramos, do lado esquerdo, um dos mais impressionantes exemplares da arquitectura românica em Portugal.
Trata-se da igreja do mosteiro de Bravães, também designada por Igreja de S. Salvador de Bravães.


Basicamente, a volumetria do edifício é constituída por dois paralelipípedos de diferentes dimensões: nave e a capela-mor, sendo aquela, obviamente, mais larga, mais alta e mais longa do que esta.
As duas partes são articuladas pelo arco-cruzeiro, sobre o qual se abre uma rosácea gótica.


A parede da fachada ocidental tem, ao nível inferior, uma espessura acrescida na qual se inscreve um portal que, pela sua riqueza e originalidade escultóricas, será objecto de tratamento em artigo posterior.

Da porta lateral sul (virada para a estrada), destaca-se a representação do Agnus Dei sob a cruz, inscrita no tímpano, o qual, por sua vez, é suportado por duas cabeças de leão.

Na porta norte, o trabalho escultórico é bastante mais elementar e a decoração do tímpano afigura-se inacabada.

Além da já referida rosácea, cuja visualização a partir do exterior é dificultada pela elevação do telhado da capela-mor, a iluminação do templo resulta dum conjunto de quatro frestas, que assumem, no interior, a forma de janelas ladeadas de colunas.

No interior, merecem destaque os dois capitéis cúbicos, de decoração diversa, que assinalam o arranque do arco-cruzeiro.

Em obras posteriores, o interior da igreja foi decorada com interessantes painéis murais, que enquadram visualmente o arco-cruzeiro. O da esquerda, datado de 1510, apresenta uma sugestiva representação do martírio de S. Sebastião enquanto o da direita representa a Virgem com o Menino ao colo.

Para concluir, registo, com enorme agrado, o notável exemplo de civismo patente no aviso afixado na porta norte.

Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da Arte em Portugal III – o Românico, Lisboa, 1986.
BARREIROS, Padre Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926.
www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=69876

24/08/09

ARTE URBANA EM PONTE DE LIMA?

Na minha opinião, este acordeonista de granito, implantado há alguns anos, é um elemento valorizador do espaço da vila de Ponte de Lima, que pode bem comparar-se à velhinha e sempre jovem mulher do cântaro instalada, há décadas, numa fonte atrás da torre da cadeia velha.

São produções do artesanato local que, pela matéria-prima, pelo tema, pelas dimensões e pela localização, dã0 vida ao espaço, dialogando serenamente com os elementos envolventes.

Lamento não poder dizer o mesmo duma quantidade de “lindinhos” que, nos últimos anos, têm vindo a proliferar no centro da vila e do outro lado do Lima.
O conde do chapéu ao lado, o touro musculado, o cardeal sentado e seus candeeiros, os romanos coloridos a pé e a cavalo, a rainha do foral, a fadista das lavadeiras e, muito recentemente, os oito folclóricos das Feiras Novas são peças de gosto bastante duvidoso.

Parecem-me ter como principal objectivo entreter os excursionistas, que vão descobrindo as novidades e vão tirando fotografias encarrapitados nelas, enquanto esperam pela mesa do restaurante onde vão saborear o sarrabulho.
Na minha opinião, com estes enfeites - onde abundam as placas com o nome do Presidente de Câmara - a vila de Ponte de Lima corre o risco de tomar o aspecto dum parque de diversões descaracterizado, "engraçadinho" e, cada vez mais, distante da seriedade que se espera dum centro histórico de raízes medievais.

23/08/09

MOINHOS DA GEMIEIRA


O poema é uma tortura, ura, ura, ura…
Mas o sítio é delicioso.

O acesso deve ser feito pela ecovia que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca, ao longo da margem esquerda do rio Lima.
Há outro acesso que não me apetece divulgar. Deixo essa divulgação como trabalho para os comentadores…

Quem percorre, a pé ou de bicicleta, os cerca de 5 Km de Ponte de Lima à Gemieira merece o descanso proporcionado por estes moinhos de água e pela paisagem envolvente.





Num dos moinhos, funciona um pequeno bar, que serve, além doutras coisas, vinho verde, broa, azeitonas e chouriço assado.

A varanda ao fundo pertence ao bar.

Um paraíso onde tudo se pode refrescar.

SANTUÁRIO DO SENHOR DO SOCORRO

O acesso ao Santuário do Senhor do Socorro, situado na freguesia de Labruja, concelho de Ponte de Lima, faz-se pela estrada que liga esta vila a Paredes de Coura.
A construção do conjunto arquitectónico iniciou-se em 1773 e o santuário chegou a ser, noutros tempos, um dos mais famosos do Alto Minho.


O recinto exterior do templo é enquadrado por um muro coroado por fogaréus e estátuas, entre as quais se destacam os dois anjos tocando trombetas, que dominam o arranque da escadaria.




A frontaria rocaille da igreja, de ousado recorte, sobrepõem-se a um largo arco abatido e é ladeada por duas torres de remates bolbosos com quatro arestas. Sobre o arco, as estátuas de S. Pedro e do papa Gregório Magno ladeiam uma janela, encimada pelas armas régias.



No interior, a igreja apresenta uma única nave e uma capela-mor com um interessante retábulo de talha rocaille. A capela-mor é encimada por uma cúpula com lanternim.
Visão exterior do lanternim
Nas paredes laterais expõem-se curiosas pinturas de ex-votos, além duma pintura representando o ambicioso projecto de ampliação do santuário elaborado no século XIX, projecto no qual são evidentes as semelhanças com o Bom Jesus de Braga.




Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho – Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1987.
REIS, António Matos, Ponte de Lima no Tempo e no Espaço, Ponte de Lima, 2000.