Ontem, visitei a casa museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia, concelho de Mora.
12/08/09
CASA MUSEU MANUEL RIBEIRO DE PAVIA
ANTA DE PAVIA
31/07/09
IMAGENS DIFERENTES DE PONTE DE LIMA
A mim parecem-me estranhas estas imagens desertas da tão humana e humanizada vila de Ponte de Lima.
Retirei-as de http://www.di.uminho.pt/pl3d/index.html

26/07/09
MUDANÇA DE VISUAL
Houve obras neste blog.
Fizeram-se alterações gráficas, mudanças de visual.
Tentou-se torná-lo mais arejado.
Foram trabalhos pesados e difíceis.
Apesar de ser domingo...
24/07/09
ADRIANO TEIXEIRA DE SOUSA (1955-2009)
Quando te despediste de nós, há pouco, levavas contigo o ar sereno de quem parte de bem com a Vida...
Sabias que, enquanto cidadão, deste tudo o que tinhas para dar... ao teu Sindicato, à tua FENPROF, ao País, e, sobretudo, aos/às Amigos/as...
Tu, Adriano, foste exemplo para todos nós: de entrega, de dedicação, de empenhamento, de combatividade. Foste exemplo, que não esqueceremos, de capacidade de resistência e de luta... lutaste até ao limite, até que a morte, traiçoeira como é sempre, te arrastasse sem que pudesses continuar a resistir-lhe. Mas, enquanto pudeste, nunca baixaste a guarda.
Seguramente, sentiste o sabor amargo da injustiça, percebeste que não tinhas mais nada para dar, dando tudo, não sendo merecida esta partida precoce de uma Vida que teimou em abandonar-te... Não merecias... ninguém merece quando se entrega como te entregaste à Vida...
Mas, mesmo quando sentiste que a Vida te escorregava por entre os dedos, tentaste agarrá-la até não poderes mais. Fizeste bem. Provavelmente, choraste, sozinho, quando percebeste que, dando tudo, a Vida não te quis dar mais nada... mas é assim a Vida, tantas vezes ingrata... ou não, é simplesmente assim e somos nós que, por tanto dela gostarmos, teimamos em não a ver com outros olhos.
Fizeste o que tinha de ser feito e, como sempre, estiveste bem... lutaste, resististe, nunca abriste mão...por isso, mesmo parecendo que perdeste, ganhaste...Ganham sempre, Adriano, e afirmam-se como Homens, aqueles que nunca desistem de lutar porque acreditam que a Vida lhes fala verdade quando diz não os querer perder! Cada dia tem sempre o antes e o depois, por isso a Vida não devia ter o direito de decidir, em cada dia, o que fará no seguinte, como se o dia a dia fosse de decisão unilateral...mas tem e assume esse direito!
Mesmo sabendo tudo isso, repito-te, fizeste bem em não desistir, Adriano. Deixas-nos um exemplo - Grande, Enorme - que, como tantos outros exemplos que nos deste, devemos seguir...Há sempre que acreditar nas promessas da Vida, ainda que comecemos a perceber que ela se prepara para nos deixar...todo o bem que ela nos deu e todo o Amor que lhe entregámos, são razões suficientes para que não haja rancor na partida...
Foi bom ver o teu ar sereno na despedida, agradecendo à Vida...Também nós te agradecemos, Adriano...Obrigado Amigo!
Coimbra, 20. Julho. 2009
Mário Nogueira
Camarada, Colega e Amigo
21/07/09
17/07/09
SOBRE O FASCISMO E A VERDADE HISTÓRICA
Acabei há poucas horas de ler, no último número da revista "O Militante", um artigo com este título.
15/07/09
DESAFIO AOS LEITORES
14/07/09
QUASE DOIS MESES DEPOIS
E vai disto...
UM FILME

19/05/09
MARIO BENEDETTI (1920-2009)
Poema de Mario Benedetti (1920-2009)
TE QUIERO
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida morale
jay porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho mas que dos.
(Mario Benedetti, in INVENTARIO UNO, p. 316)
14/05/09
05/04/09
E AGORA ESTAMOS EM ABRIL
O dia inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.“
Sophia de Mello Breyner Andresen
31/03/09
HINO AO 1º DE ABRIL
Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo,
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Jorge de Sena
30/03/09
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
20/01/09
08/01/09
06/01/09
Israel
By José Saramago
Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.


































