12/08/09

CASA MUSEU MANUEL RIBEIRO DE PAVIA

Ontem, visitei a casa museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia, concelho de Mora.

Um artista pouco recordado, mas com uma obra que, multiplicada por capas de livros e revistas, passou e passa pelas mãos e pelos pelos olhos de milhares de leitores.
Se outras razões não houvesse, valeria a pena percorrer os 40Km que separam Pavia de Évora.



Hoje, já em casa, apeteceu-me digitalizar capas.


GAIBÉUS, de Alves Redol, é especial.
Foi um dos livros que mais prazer me deram.
Li-o, em 1975, neste exemplar em que o meu pai escreveu a data de 21/5/1949. Dez anos antes de eu nascer...
A capa é de Manuel Ribeiro de Pavia.

ANTA DE PAVIA


Classificada como "Monumento Nacional" em 1910, a "Anta de Pavia" foi erguida entre o IV milénio a. C. e o III milénio a. C de modo relativamente isolado numa planície de Mora, enquadrando-se cronologicamente no entendimento generalizado de "Megalitismo eborense", cujo exemplar mais notável é geralmente atribuído à "Anta Grande da Comenda da Igreja", localizada em Montemor-o-Novo.
Transformada em capela consagrada a S. Dinis ou S. Dionísio já em plena centúria de seiscentos, muito possivelmente com base no protótipo da Anta/Capela de S. Brissos, situada em Santiago do Escoural, foi nesta época que passou a centralizar um dos largos da aldeia de Pavia.
Escavada no segundo quartel do século XX por V. C. Pinto da Fonseca Virgílio Correia (1888-1944), foi reaproveitada do primitivo monumento megalítico a câmara sepulcral de planta poligonal com cerca de quatro metros de diâmetro e quase três metros e meio de altura, da qual remanescem in situ sete dos esteios que a comporiam, bem como a respectiva laje de cobertura. Foram, precisamente, estes elementos estruturantes do sepulcro neo-calcolítico que constituíram a base do processo de adaptação da primeva componente funerária megalítica a templo cristão, onde o esteio da cabeceira passou a servir de testeira à capela, numa clara evidência do exercício de um poder manifestado através da religiosidade, que se apropriou de um espaço simbólico e imagético preexistente de profundas e imemoriais raízes cultuais. Foi, assim, que a área ocupada pela câmara sepulcral foi transformada em abside da pequena capela, com altar ladeado de azulejaria lisbonense setecentista, cuja nave, com apenas um metro de comprimento, foi, de algum modo, vinculada ao corredor que lhe dava acesso, e do qual ainda não foram encontrados quaisquer vestígios. Mas a cristianização do espaço encontra-se sobremaneira vincada na fachada rematada por um dos seus símbolos maiores: a cruz, enquanto um pequeno campanário sobressaí da cobertura. [AMartins]
PORMENORES DOS PAINEIS DE AZULEJOS DO SÉCULO XVIII

31/07/09

CANDIDO PORTINARI (1903-1962)

Retirantes em 1944
Retirantes em 2008

IMAGENS DIFERENTES DE PONTE DE LIMA

A mim parecem-me estranhas estas imagens desertas da tão humana e humanizada vila de Ponte de Lima.
Retirei-as de http://www.di.uminho.pt/pl3d/index.html

26/07/09

MUDANÇA DE VISUAL

Houve obras neste blog.
Fizeram-se alterações gráficas, mudanças de visual.
Tentou-se torná-lo mais arejado.
Foram trabalhos pesados e difíceis.
Apesar de ser domingo...

24/07/09

ADRIANO TEIXEIRA DE SOUSA (1955-2009)

Como homenagem ao Adriano , sem mais palavras desnecessárias, deixo aqui o texto do Secretário Geral da FRENPROF

Quando te despediste de nós, há pouco, levavas contigo o ar sereno de quem parte de bem com a Vida...
Sabias que, enquanto cidadão, deste tudo o que tinhas para dar... ao teu Sindicato, à tua FENPROF, ao País, e, sobretudo, aos/às Amigos/as...
Tu, Adriano, foste exemplo para todos nós: de entrega, de dedicação, de empenhamento, de combatividade. Foste exemplo, que não esqueceremos, de capacidade de resistência e de luta... lutaste até ao limite, até que a morte, traiçoeira como é sempre, te arrastasse sem que pudesses continuar a resistir-lhe. Mas, enquanto pudeste, nunca baixaste a guarda.
Seguramente, sentiste o sabor amargo da injustiça, percebeste que não tinhas mais nada para dar, dando tudo, não sendo merecida esta partida precoce de uma Vida que teimou em abandonar-te... Não merecias... ninguém merece quando se entrega como te entregaste à Vida...
Mas, mesmo quando sentiste que a Vida te escorregava por entre os dedos, tentaste agarrá-la até não poderes mais. Fizeste bem. Provavelmente, choraste, sozinho, quando percebeste que, dando tudo, a Vida não te quis dar mais nada... mas é assim a Vida, tantas vezes ingrata... ou não, é simplesmente assim e somos nós que, por tanto dela gostarmos, teimamos em não a ver com outros olhos.
Fizeste o que tinha de ser feito e, como sempre, estiveste bem... lutaste, resististe, nunca abriste mão...por isso, mesmo parecendo que perdeste, ganhaste...Ganham sempre, Adriano, e afirmam-se como Homens, aqueles que nunca desistem de lutar porque acreditam que a Vida lhes fala verdade quando diz não os querer perder! Cada dia tem sempre o antes e o depois, por isso a Vida não devia ter o direito de decidir, em cada dia, o que fará no seguinte, como se o dia a dia fosse de decisão unilateral...mas tem e assume esse direito!
Mesmo sabendo tudo isso, repito-te, fizeste bem em não desistir, Adriano. Deixas-nos um exemplo - Grande, Enorme - que, como tantos outros exemplos que nos deste, devemos seguir...Há sempre que acreditar nas promessas da Vida, ainda que comecemos a perceber que ela se prepara para nos deixar...todo o bem que ela nos deu e todo o Amor que lhe entregámos, são razões suficientes para que não haja rancor na partida...
Foi bom ver o teu ar sereno na despedida, agradecendo à Vida...Também nós te agradecemos, Adriano...Obrigado Amigo!
Coimbra, 20. Julho. 2009

Mário Nogueira
Camarada, Colega e Amigo

17/07/09

SOBRE O FASCISMO E A VERDADE HISTÓRICA

Acabei há poucas horas de ler, no último número da revista "O Militante", um artigo com este título.

Escrito por Jorge Cadima, é uma brilhante síntese da história dos conflitos políticos e bélicos que marcaram a Europa do século XX.
Quem foi conivente?
Quem resistiu?
Quem combateu?
Um artigo que merece ser lido e divulgado.
PODE SER LIDO AQUI

HOJE VOU PARA

E LEVO A

15/07/09

DESAFIO AOS LEITORES

Para saber se tenho leitores, decidi lançar um desafio ao qual podem responder através de comentário ao texto.
Dá-se uma guloseima a quem descobrir as duas palavras, inciadas por A e B, que faltam no texto seguinte.
É óbvio que quem as descobir, identificou o romance que inicia com este período:
«Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel A_______ B______ había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo.»

14/07/09

QUASE DOIS MESES DEPOIS

Passaram quase dois meses sem acrescentar nada ao blog e não posso atribuir ao trabalho - sempre acrescido no fim do ano lectivo - as "culpas" deste abandono.
A verdade é que ainda não adquiri o hábito de o alimentar de forma continuada.
Hoje apetece-me desempenhar o papel daqueles conselheiros que dão uns palpites sugerindo ocupações para o tempo livre de quem os ouve ou lê.
É claro que as propostas poderiam ser muitas outras, mas, hoje, são estas.
E vai disto...

UM FILME
O LEITOR

UM LIVRO
A LÃ E A NEVE - FERREIRA DE CASTRO


UM PINTOR
EDUARDO NERY

UMA CIDADE DE PORTUGAL
TOMAR

19/05/09

MARIO BENEDETTI (1920-2009)

Lamentavelmente, só encontramos no mercado livreiro português, duas obras deste poeta e romancista do Uruguai, da América Latina e do Mundo.

Para que conste, publicou mais de oitenta livros de contos, drama, poesia, novela e ensaio, além de discos de poesia.

Poema de Mario Benedetti (1920-2009)

TE QUIERO
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida morale
jay porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho mas que dos.
(Mario Benedetti, in INVENTARIO UNO, p. 316)

14/05/09

TRATANTES

Com um abraço ao autor do tempo das cerejas

05/04/09

E AGORA ESTAMOS EM ABRIL



“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.“

Sophia de Mello Breyner Andresen

31/03/09

HINO AO 1º DE ABRIL

Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo,
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Jorge de Sena

30/03/09

A propósito da leitura de
«UM DIA DE CÓLERA»,
de Arturo Pérez-Reverte

recordo o poema de Jorge de Sena
CARTA A MEUS FILHOS
Sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.

É possível, porque tudo é possível, que ele seja

aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,

onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém

de nada haver que não seja simples e natural.


Um mundo em que tudo seja permitido,

conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,

o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto

o que vos interesse para viver. Tudo é possível,

ainda quando lutemos, como devemos lutar,

por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,

ou mais que qualquer delas uma fiel

dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade

não tem conta o número dos que pensaram assim,

amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,

de insólito, de livre, de diferente,

e foram sacrificados, torturados, espancados,

e entregues hipocritamente â secular justiça,

para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»

Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,

a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas

à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,

foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,

e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,

ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.

Às vezes, por serem de uma raça, outras

por serem de urna classe, expiaram todos

os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência

de haver cometido. Mas também aconteceu

e acontece que não foram mortos.

Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,

aniquilando mansamente, delicadamente,

por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.

Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,

foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha

há mais de um século e que por violenta e injusta

ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,

que tinha um coração muito grande, cheio de fúria

e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

Apenas um episódio, um episódio breve,

nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)

de ferro e de suor e sangue e algum sémen

a caminho do mundo que vos sonho.

Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém

vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.

É isto o que mais importa - essa alegria.

Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto

não é senão essa alegria que vem

de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém

está menos vivo ou sofre ou morre

para que um só de vós resista um pouco mais

à morte que é de todos e virá.

Que tudo isto sabereis serenamente,

sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,

e sobretudo sem desapego ou indiferença,

ardentemente espero. Tanto sangue,

tanta dor, tanta angústia, um dia

- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -

não hão-de ser em vão. Confesso que

multas vezes, pensando no horror de tantos séculos

de opressão e crueldade, hesito por momentos

e uma amargura me submerge inconsolável.

Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,

quem ressuscita esses milhões, quem restitui

não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?

Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes

aquele instante que não viveram, aquele objecto

que não fruíram, aquele gesto

de amor, que fariam «amanhã».

E. por isso, o mesmo mundo que criemos

nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa

que não é nossa, que nos é cedida

para a guardarmos respeitosamente

em memória do sangue que nos corre nas veias,

da nossa carne que foi outra, do amor que

outros não amaram porque lho roubaram.

20/01/09


O povo unilateral


Eles retiraram-se unilateralmente
Eles cessaram fogo unilateralmente
Eles invadiram unilateralmente
Eles venceram unilateralmente
Eles destruíram unilateralmente
Eles massacraram unilateralmente
Eles banharam-se em sangue unilateralmente
Eles espalharam fósforo branco unilateralmente
Eles mataram mulheres e crianças unilateralmente
Eles lançaram bombas unilateralmente
Eles vivem sobre terras roubadas unilateralmente
Eles apoiam seus líderes homicidas unilateralmente
Eles amam o seu "Estado apenas judeu" unilateralmente
A sua democracia é unilateral
Eles amam-se unilateralmente
Eles são o povo unilateral.
A viver atrás de muralhas de concreto, no ódio e na arrogância
Eles ainda estão unidos e com falha de amor lateral pelos seus vizinhos.


Gilad Atzmon, músico de jazz, compositor, realizador e escritor.

08/01/09

DOCUMENTOS GUARDADOS 10

5 de Outubro de 1969


DOCUMENTOS GUARDADOS 9
Carta de Noton de Matos
a Salazar

DOCUMENTOS GUARDADOS 8
5 de Outubro de 1960 no Porto

DOCUMENTOS GUARDADOS 7
31 de Janeiro de 1960 no Porto

06/01/09

Israel

By José Saramago


Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.
Texto transcrito de:

03/01/09

13 de Janeiro - Jornada Nacional de Reflexão e Luta

19 de Janeiro - Greve Nacional de Professores