02/09/09

IGREJA DE BRAVÃES

Na estrada nacional que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca, a quatro quilómetros desta vila, encontramos, do lado esquerdo, um dos mais impressionantes exemplares da arquitectura românica em Portugal.
Trata-se da igreja do mosteiro de Bravães, também designada por Igreja de S. Salvador de Bravães.


Basicamente, a volumetria do edifício é constituída por dois paralelipípedos de diferentes dimensões: nave e a capela-mor, sendo aquela, obviamente, mais larga, mais alta e mais longa do que esta.
As duas partes são articuladas pelo arco-cruzeiro, sobre o qual se abre uma rosácea gótica.


A parede da fachada ocidental tem, ao nível inferior, uma espessura acrescida na qual se inscreve um portal que, pela sua riqueza e originalidade escultóricas, será objecto de tratamento em artigo posterior.

Da porta lateral sul (virada para a estrada), destaca-se a representação do Agnus Dei sob a cruz, inscrita no tímpano, o qual, por sua vez, é suportado por duas cabeças de leão.

Na porta norte, o trabalho escultórico é bastante mais elementar e a decoração do tímpano afigura-se inacabada.

Além da já referida rosácea, cuja visualização a partir do exterior é dificultada pela elevação do telhado da capela-mor, a iluminação do templo resulta dum conjunto de quatro frestas, que assumem, no interior, a forma de janelas ladeadas de colunas.

No interior, merecem destaque os dois capitéis cúbicos, de decoração diversa, que assinalam o arranque do arco-cruzeiro.

Em obras posteriores, o interior da igreja foi decorada com interessantes painéis murais, que enquadram visualmente o arco-cruzeiro. O da esquerda, datado de 1510, apresenta uma sugestiva representação do martírio de S. Sebastião enquanto o da direita representa a Virgem com o Menino ao colo.

Para concluir, registo, com enorme agrado, o notável exemplo de civismo patente no aviso afixado na porta norte.

Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da Arte em Portugal III – o Românico, Lisboa, 1986.
BARREIROS, Padre Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926.
www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=69876

24/08/09

ARTE URBANA EM PONTE DE LIMA?

Na minha opinião, este acordeonista de granito, implantado há alguns anos, é um elemento valorizador do espaço da vila de Ponte de Lima, que pode bem comparar-se à velhinha e sempre jovem mulher do cântaro instalada, há décadas, numa fonte atrás da torre da cadeia velha.

São produções do artesanato local que, pela matéria-prima, pelo tema, pelas dimensões e pela localização, dã0 vida ao espaço, dialogando serenamente com os elementos envolventes.

Lamento não poder dizer o mesmo duma quantidade de “lindinhos” que, nos últimos anos, têm vindo a proliferar no centro da vila e do outro lado do Lima.
O conde do chapéu ao lado, o touro musculado, o cardeal sentado e seus candeeiros, os romanos coloridos a pé e a cavalo, a rainha do foral, a fadista das lavadeiras e, muito recentemente, os oito folclóricos das Feiras Novas são peças de gosto bastante duvidoso.

Parecem-me ter como principal objectivo entreter os excursionistas, que vão descobrindo as novidades e vão tirando fotografias encarrapitados nelas, enquanto esperam pela mesa do restaurante onde vão saborear o sarrabulho.
Na minha opinião, com estes enfeites - onde abundam as placas com o nome do Presidente de Câmara - a vila de Ponte de Lima corre o risco de tomar o aspecto dum parque de diversões descaracterizado, "engraçadinho" e, cada vez mais, distante da seriedade que se espera dum centro histórico de raízes medievais.

23/08/09

MOINHOS DA GEMIEIRA


O poema é uma tortura, ura, ura, ura…
Mas o sítio é delicioso.

O acesso deve ser feito pela ecovia que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca, ao longo da margem esquerda do rio Lima.
Há outro acesso que não me apetece divulgar. Deixo essa divulgação como trabalho para os comentadores…

Quem percorre, a pé ou de bicicleta, os cerca de 5 Km de Ponte de Lima à Gemieira merece o descanso proporcionado por estes moinhos de água e pela paisagem envolvente.





Num dos moinhos, funciona um pequeno bar, que serve, além doutras coisas, vinho verde, broa, azeitonas e chouriço assado.

A varanda ao fundo pertence ao bar.

Um paraíso onde tudo se pode refrescar.

SANTUÁRIO DO SENHOR DO SOCORRO

O acesso ao Santuário do Senhor do Socorro, situado na freguesia de Labruja, concelho de Ponte de Lima, faz-se pela estrada que liga esta vila a Paredes de Coura.
A construção do conjunto arquitectónico iniciou-se em 1773 e o santuário chegou a ser, noutros tempos, um dos mais famosos do Alto Minho.


O recinto exterior do templo é enquadrado por um muro coroado por fogaréus e estátuas, entre as quais se destacam os dois anjos tocando trombetas, que dominam o arranque da escadaria.




A frontaria rocaille da igreja, de ousado recorte, sobrepõem-se a um largo arco abatido e é ladeada por duas torres de remates bolbosos com quatro arestas. Sobre o arco, as estátuas de S. Pedro e do papa Gregório Magno ladeiam uma janela, encimada pelas armas régias.



No interior, a igreja apresenta uma única nave e uma capela-mor com um interessante retábulo de talha rocaille. A capela-mor é encimada por uma cúpula com lanternim.
Visão exterior do lanternim
Nas paredes laterais expõem-se curiosas pinturas de ex-votos, além duma pintura representando o ambicioso projecto de ampliação do santuário elaborado no século XIX, projecto no qual são evidentes as semelhanças com o Bom Jesus de Braga.




Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho – Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1987.
REIS, António Matos, Ponte de Lima no Tempo e no Espaço, Ponte de Lima, 2000.

12/08/09

CASA MUSEU MANUEL RIBEIRO DE PAVIA

Ontem, visitei a casa museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia, concelho de Mora.

Um artista pouco recordado, mas com uma obra que, multiplicada por capas de livros e revistas, passou e passa pelas mãos e pelos pelos olhos de milhares de leitores.
Se outras razões não houvesse, valeria a pena percorrer os 40Km que separam Pavia de Évora.



Hoje, já em casa, apeteceu-me digitalizar capas.


GAIBÉUS, de Alves Redol, é especial.
Foi um dos livros que mais prazer me deram.
Li-o, em 1975, neste exemplar em que o meu pai escreveu a data de 21/5/1949. Dez anos antes de eu nascer...
A capa é de Manuel Ribeiro de Pavia.