24/08/09

ARTE URBANA EM PONTE DE LIMA?

Na minha opinião, este acordeonista de granito, implantado há alguns anos, é um elemento valorizador do espaço da vila de Ponte de Lima, que pode bem comparar-se à velhinha e sempre jovem mulher do cântaro instalada, há décadas, numa fonte atrás da torre da cadeia velha.

São produções do artesanato local que, pela matéria-prima, pelo tema, pelas dimensões e pela localização, dã0 vida ao espaço, dialogando serenamente com os elementos envolventes.

Lamento não poder dizer o mesmo duma quantidade de “lindinhos” que, nos últimos anos, têm vindo a proliferar no centro da vila e do outro lado do Lima.
O conde do chapéu ao lado, o touro musculado, o cardeal sentado e seus candeeiros, os romanos coloridos a pé e a cavalo, a rainha do foral, a fadista das lavadeiras e, muito recentemente, os oito folclóricos das Feiras Novas são peças de gosto bastante duvidoso.

Parecem-me ter como principal objectivo entreter os excursionistas, que vão descobrindo as novidades e vão tirando fotografias encarrapitados nelas, enquanto esperam pela mesa do restaurante onde vão saborear o sarrabulho.
Na minha opinião, com estes enfeites - onde abundam as placas com o nome do Presidente de Câmara - a vila de Ponte de Lima corre o risco de tomar o aspecto dum parque de diversões descaracterizado, "engraçadinho" e, cada vez mais, distante da seriedade que se espera dum centro histórico de raízes medievais.

23/08/09

MOINHOS DA GEMIEIRA


O poema é uma tortura, ura, ura, ura…
Mas o sítio é delicioso.

O acesso deve ser feito pela ecovia que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca, ao longo da margem esquerda do rio Lima.
Há outro acesso que não me apetece divulgar. Deixo essa divulgação como trabalho para os comentadores…

Quem percorre, a pé ou de bicicleta, os cerca de 5 Km de Ponte de Lima à Gemieira merece o descanso proporcionado por estes moinhos de água e pela paisagem envolvente.





Num dos moinhos, funciona um pequeno bar, que serve, além doutras coisas, vinho verde, broa, azeitonas e chouriço assado.

A varanda ao fundo pertence ao bar.

Um paraíso onde tudo se pode refrescar.

SANTUÁRIO DO SENHOR DO SOCORRO

O acesso ao Santuário do Senhor do Socorro, situado na freguesia de Labruja, concelho de Ponte de Lima, faz-se pela estrada que liga esta vila a Paredes de Coura.
A construção do conjunto arquitectónico iniciou-se em 1773 e o santuário chegou a ser, noutros tempos, um dos mais famosos do Alto Minho.


O recinto exterior do templo é enquadrado por um muro coroado por fogaréus e estátuas, entre as quais se destacam os dois anjos tocando trombetas, que dominam o arranque da escadaria.




A frontaria rocaille da igreja, de ousado recorte, sobrepõem-se a um largo arco abatido e é ladeada por duas torres de remates bolbosos com quatro arestas. Sobre o arco, as estátuas de S. Pedro e do papa Gregório Magno ladeiam uma janela, encimada pelas armas régias.



No interior, a igreja apresenta uma única nave e uma capela-mor com um interessante retábulo de talha rocaille. A capela-mor é encimada por uma cúpula com lanternim.
Visão exterior do lanternim
Nas paredes laterais expõem-se curiosas pinturas de ex-votos, além duma pintura representando o ambicioso projecto de ampliação do santuário elaborado no século XIX, projecto no qual são evidentes as semelhanças com o Bom Jesus de Braga.




Bibliografia:
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho – Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1987.
REIS, António Matos, Ponte de Lima no Tempo e no Espaço, Ponte de Lima, 2000.

12/08/09

CASA MUSEU MANUEL RIBEIRO DE PAVIA

Ontem, visitei a casa museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia, concelho de Mora.

Um artista pouco recordado, mas com uma obra que, multiplicada por capas de livros e revistas, passou e passa pelas mãos e pelos pelos olhos de milhares de leitores.
Se outras razões não houvesse, valeria a pena percorrer os 40Km que separam Pavia de Évora.



Hoje, já em casa, apeteceu-me digitalizar capas.


GAIBÉUS, de Alves Redol, é especial.
Foi um dos livros que mais prazer me deram.
Li-o, em 1975, neste exemplar em que o meu pai escreveu a data de 21/5/1949. Dez anos antes de eu nascer...
A capa é de Manuel Ribeiro de Pavia.

ANTA DE PAVIA


Classificada como "Monumento Nacional" em 1910, a "Anta de Pavia" foi erguida entre o IV milénio a. C. e o III milénio a. C de modo relativamente isolado numa planície de Mora, enquadrando-se cronologicamente no entendimento generalizado de "Megalitismo eborense", cujo exemplar mais notável é geralmente atribuído à "Anta Grande da Comenda da Igreja", localizada em Montemor-o-Novo.
Transformada em capela consagrada a S. Dinis ou S. Dionísio já em plena centúria de seiscentos, muito possivelmente com base no protótipo da Anta/Capela de S. Brissos, situada em Santiago do Escoural, foi nesta época que passou a centralizar um dos largos da aldeia de Pavia.
Escavada no segundo quartel do século XX por V. C. Pinto da Fonseca Virgílio Correia (1888-1944), foi reaproveitada do primitivo monumento megalítico a câmara sepulcral de planta poligonal com cerca de quatro metros de diâmetro e quase três metros e meio de altura, da qual remanescem in situ sete dos esteios que a comporiam, bem como a respectiva laje de cobertura. Foram, precisamente, estes elementos estruturantes do sepulcro neo-calcolítico que constituíram a base do processo de adaptação da primeva componente funerária megalítica a templo cristão, onde o esteio da cabeceira passou a servir de testeira à capela, numa clara evidência do exercício de um poder manifestado através da religiosidade, que se apropriou de um espaço simbólico e imagético preexistente de profundas e imemoriais raízes cultuais. Foi, assim, que a área ocupada pela câmara sepulcral foi transformada em abside da pequena capela, com altar ladeado de azulejaria lisbonense setecentista, cuja nave, com apenas um metro de comprimento, foi, de algum modo, vinculada ao corredor que lhe dava acesso, e do qual ainda não foram encontrados quaisquer vestígios. Mas a cristianização do espaço encontra-se sobremaneira vincada na fachada rematada por um dos seus símbolos maiores: a cruz, enquanto um pequeno campanário sobressaí da cobertura. [AMartins]
PORMENORES DOS PAINEIS DE AZULEJOS DO SÉCULO XVIII

31/07/09

CANDIDO PORTINARI (1903-1962)

Retirantes em 1944
Retirantes em 2008

IMAGENS DIFERENTES DE PONTE DE LIMA

A mim parecem-me estranhas estas imagens desertas da tão humana e humanizada vila de Ponte de Lima.
Retirei-as de http://www.di.uminho.pt/pl3d/index.html