31/03/09

HINO AO 1º DE ABRIL

Os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Quando matam, quando esfolam,
quando capam, quando amolam,
quando todos se rebolam
prós ianques que os engrolam,
ou quando cantam de galo
ou relincham de cavalo,
ou vão puxando o badalo,
mais o saco do gargalo,
ou quando vendem a terra
e as riquezas que ela encerra,
ou quando rolham quem berra
ou mesmo quem embezerra,
ou quando as serras napalmam,
e com fogo tudo acalmam,
ou quando bancos empalmam
e corruptos se desalmam
é tudo sempre por bem.
De Pelotas a Belém
não duvide nunca alguém
seja fortudo ou pelém,
que os milicos milicazes
nunca foram maus rapazes.
Jorge de Sena

30/03/09

A propósito da leitura de
«UM DIA DE CÓLERA»,
de Arturo Pérez-Reverte

recordo o poema de Jorge de Sena
CARTA A MEUS FILHOS
Sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.

É possível, porque tudo é possível, que ele seja

aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,

onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém

de nada haver que não seja simples e natural.


Um mundo em que tudo seja permitido,

conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,

o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto

o que vos interesse para viver. Tudo é possível,

ainda quando lutemos, como devemos lutar,

por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,

ou mais que qualquer delas uma fiel

dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade

não tem conta o número dos que pensaram assim,

amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,

de insólito, de livre, de diferente,

e foram sacrificados, torturados, espancados,

e entregues hipocritamente â secular justiça,

para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»

Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,

a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas

à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,

foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,

e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,

ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.

Às vezes, por serem de uma raça, outras

por serem de urna classe, expiaram todos

os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência

de haver cometido. Mas também aconteceu

e acontece que não foram mortos.

Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,

aniquilando mansamente, delicadamente,

por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.

Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,

foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha

há mais de um século e que por violenta e injusta

ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,

que tinha um coração muito grande, cheio de fúria

e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

Apenas um episódio, um episódio breve,

nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)

de ferro e de suor e sangue e algum sémen

a caminho do mundo que vos sonho.

Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém

vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.

É isto o que mais importa - essa alegria.

Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto

não é senão essa alegria que vem

de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém

está menos vivo ou sofre ou morre

para que um só de vós resista um pouco mais

à morte que é de todos e virá.

Que tudo isto sabereis serenamente,

sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,

e sobretudo sem desapego ou indiferença,

ardentemente espero. Tanto sangue,

tanta dor, tanta angústia, um dia

- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -

não hão-de ser em vão. Confesso que

multas vezes, pensando no horror de tantos séculos

de opressão e crueldade, hesito por momentos

e uma amargura me submerge inconsolável.

Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,

quem ressuscita esses milhões, quem restitui

não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?

Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes

aquele instante que não viveram, aquele objecto

que não fruíram, aquele gesto

de amor, que fariam «amanhã».

E. por isso, o mesmo mundo que criemos

nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa

que não é nossa, que nos é cedida

para a guardarmos respeitosamente

em memória do sangue que nos corre nas veias,

da nossa carne que foi outra, do amor que

outros não amaram porque lho roubaram.

20/01/09


O povo unilateral


Eles retiraram-se unilateralmente
Eles cessaram fogo unilateralmente
Eles invadiram unilateralmente
Eles venceram unilateralmente
Eles destruíram unilateralmente
Eles massacraram unilateralmente
Eles banharam-se em sangue unilateralmente
Eles espalharam fósforo branco unilateralmente
Eles mataram mulheres e crianças unilateralmente
Eles lançaram bombas unilateralmente
Eles vivem sobre terras roubadas unilateralmente
Eles apoiam seus líderes homicidas unilateralmente
Eles amam o seu "Estado apenas judeu" unilateralmente
A sua democracia é unilateral
Eles amam-se unilateralmente
Eles são o povo unilateral.
A viver atrás de muralhas de concreto, no ódio e na arrogância
Eles ainda estão unidos e com falha de amor lateral pelos seus vizinhos.


Gilad Atzmon, músico de jazz, compositor, realizador e escritor.

08/01/09

DOCUMENTOS GUARDADOS 10

5 de Outubro de 1969


DOCUMENTOS GUARDADOS 9
Carta de Noton de Matos
a Salazar

DOCUMENTOS GUARDADOS 8
5 de Outubro de 1960 no Porto

DOCUMENTOS GUARDADOS 7
31 de Janeiro de 1960 no Porto

06/01/09

Israel

By José Saramago


Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.
Texto transcrito de:

03/01/09

13 de Janeiro - Jornada Nacional de Reflexão e Luta

19 de Janeiro - Greve Nacional de Professores

28/12/08

JUAN MUÑOZ: UMA RETROSPECTIVA
Só até 18 de Janeiro, em SERRALVES
Uma exposição absolutamente a não perder

22/12/08

Neste Natal,
sabes onde vais colocar
o teu sapatinho?



21/12/08

Com os desejos dum

2009

sempre com motivos de boa disposição

18/11/08

DOCUMENTOS GUARDADOS 6

NORTON DE MATOS
Apelo ao voto em
Ponte de Lima

DOCUMENTOS GUARDADOS 5

NORTON DE MATOS
Comício no Porto
23 de Janeiro de 1949

11/11/08

No dia 8 de Novembro lá fomos.
Fomos muitos.
Vamos mesmo parar este processo demente
de falsa avaliação do desempenho dos professores.
Está nas nossas mãos!

29/10/08

São necessários alguns documentos para o processo de
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE
nada de burocracias...
coisa bastante simplex...



19/10/08

8 de Novembro
8 meses depois de 8 de Março,

os professores voltam à rua!
Mega Plenário Nacional e Manifestação, do Marquês para o ME!
Com TODOS, apenas contra a política do M.E. e do Governo:

Por uma avaliação do desempenho justa.

Por horários pedagogicamente adequados.

Pela estabilidade profissional dos docentes.

Pela gestão democrática das escolas.

Com TODOS, apenas contra a política do M.E. e do Governo!

16/10/08

DOCUMENTOS GUARDADOS 4
MISÉRIA DE SALAZAR

DOCUMENTOS GUARDADOS 3
AMÉRICO TOMÁS

DOCUMENTOS GUARDADOS 2

DOCUMENTOS GUARDADOS 1

14/10/08

MAIS IMAGENS COM ALGUMA HISTÓRIA

12/10/08


ALGUMAS IMAGENS DO MEU PASSADO









07/10/08

Intelectuais
contra o Código de Trabalho

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29/09/08

abandono


Igreja de Bravães - Ponte da Barca