ALGUMAS IMAGENS DO MEU PASSADO

ESTRANGEIRO NUMA TERRA DISTANTE
MARIO BENEDETTI
Mais dois poemas deste escritor uruguaio, sobre quem já escrevi em Abril do ano passado e que, lamentavelmente, continua a não ser publicado em Portugal, com excepção das duas obras em prosa que referi na altura. Os portugueses deveriam conhecer a sua obra poética.
Memorándum
Uno llegar e incorporarse el día
Dos respirar para subir la cuesta
Tres no jugarse en una sola apuesta
Cuatro escapar de la melancolía
Cinco aprender la nueva geografía
Seis no quedarse nunca sin la siesta
Siete el futuro no será una fiesta
Y ocho no amilanarse todavía
Nueve vaya a saber quién es el fuerte
Diez no dejar que la paciencia ceda
Once cuidarse de la buena suerte
Doce guardar la última moneda
Trece no tutearse con la muerte
Catorce disfrutar mientras se pueda.
Cuando éramos Niños
Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.
luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque era un océano
la muerte solamente
una palabra
ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en los cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.
ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.

Retirado de http://www.odiario.info/
Com um abraço fraternal, transcrevo um pequeno artigo de www.resistir.info
REJEITADO O TRATADO EUROPEU !!!
Há sempre uma primeira vez... Ao contrário do habitual, uso hoje o CADERNOSEMCAPA para escrever, pela primeira vez, sobre um tema pessoal. Terminei, hoje de manhã, um pequeno curso de actualização dos meus conhecimentos da Língua Inglesa e quero registar aqui o enorme prazer de que usufruí nas aulas desse curso. Foram vinte sessões individuais, que teriam, à partida, uma hora cada uma, mas que, quase sempre, se prolongaram durante mais tempo, em agradáveis conversas sobre os mais variados temas, especialmente sobre os ivros e as leituras. Desde o primeiro dia, descobri, entre mim e o professor, um largo conjunto de afinidades, a começar pelo nosso primeiro nome. Entre outros aspectos comuns, recordo que partilhamos o vício dos queijos, o gosto pelo bacalhau e pelo vinho, assim como a preferência por uma determinada marca de cerveja (posso dizer o nome se uma certa empresa de Leça do Balio pagar a publicidade). Partilhamos a dependência dos livros, várias preferências literárias e artísticos e a alergia a certos autores de bestselers (não digo os nomes nem que me paguem a publicidade). Partilhamos a admiração pelo belíssimo filme italiano «A Melhor Juventude». Partilhamos o interesse pela temática da comunicação e sua aplicação específica aos fenómenos de ensino e aprendizagem. Acima de tudo, partilhamos uma forma atenta de observar a vida e o mundo e o persistente sentido da ironia. Ficou a grata recordação de vinte manhãs iniciadas com conversas descontraídas e sempre interessantes e penso que ficou uma amizade. Já agora há que dizer que - last but not the least - melhorei consideravelmente o domínio do Inglês ouvido, lido, falado e escrito. Por favor, acreditem que, há dois meses, era muito menor! There’s always a first time… In the opposite of what I’m used to do, today I use CADERNOSEMCAPA to write about a personal theme. This morning, I finished o little course of actualization of my English knowledge and I want to register here the great pleasure that I’ve enjoyed in this curs. It were twenty individual lessons that would have half an hour each other, but the most part of them, were extended for more time in pleasant talks about a lot of things , special about books and lectures. Since the first day, I’ve discovered, between me and the teacher, a large among of affinities, beginning by our first name. Among other aspects, I remember that we have in common the vice of cheese, the love of codfish and wine, such as the preference by certain mark of bear (I can say the name if a certain enterprise from Leça do Balio pays the publicity). We have in common the dependence from books, several literary and artistic preferences and the allergy to certain authors of bestsellers (I don’t say names neither if they pay me the publicity). We have in common the admiration about the very beautiful Italian film «A Melhor Juventude». We have in common the interest about communication and its specific application in phenomenon of learning and teaching. Above all, we have in common an attentive way of looking at life and word and the persistent sense of irony. I conserve the pleasant memory of twenty mornings begun with relaxed and always interesting conversations and I think that a friendship is conserved. And I must say that - last but not the least – I’ve improved my knowledge in English listened, talked, read and written. Please, believe that, two months ago it was very worse! |
| Certamente, não fui o único a recordar ontem este poema, escrito por Manuel Correia e musicado e cantado por Luís Cília. Quem se lembra? RESPOSTA A quem nos acusou por sermos fortes a quem nos combateu porque a razão se incendeia e revive à nossa beira, respondo, não nascemos em abril, não somos um punhado nem cem mil somos milhões e milhões na terra inteira. A nossa força vem-nos do trabalho que tudo transforma e modifica, que sempre nos fez e faz irmãos por isso nos unimos e avançamos. A nossa luta tem mais de cem anos escritos com fogo em nossas mãos. Há quem nos tema, há quem nos ataque, detentores de antigos privilégios que hoje temem a nossa vitória. E é natural que nos combatam são eles dia a dia que nos matam contra eles construímos nós a história. Os símbolos que vão nesta bandeira assustam quem nunca lhes pegou quem nunca debulhou na nossa eira quem antes e depois do mês de abril nos teme por não sermos só cem mil mas milhões e milhões na terra inteira. |
| A MENINA Sou eu que bato às portas às portas, umas após outras. Sou invisível aos vossos olhos. Os mortos são invisíveis. Morta em Hiroxima há mais de dez anos, sou uma menina de sete anos. As crianças mortas não crescem. Primeiro arderam os meus cabelos, também os olhos arderam, ficaram calcinados. Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas que se espalharam ao vento. No que diz respeito a mim, nada vos imploro: não podia comer, nem sequer bombons, a criança que ardeu como papel. Bato à vossa porta, tio, tia: uma assinatura. Não matem as crianças e deixem-nas também comer bombons. NÂZIM HIKMET (1901-1963) |
| Recordando Armindo Rodrigues Armindo José Rodrigues (Lisboa, 1904 –1993) é considerado um escritor do movimento neo-realista português.A sua vasta obra poética, publicada a partir de 1943, foi publicada em numerosos volumes, pela Sociedade de Expansão Cultural.Colaborou em diversas revistas como a Colóquio-Letras (da Fundação Calouste Gulbenkian), a Seara Nova, a Vértice e em jornais como O Diabo e Notícias de bloqueio.Tendo vivido durante o regime salazarista, e tendo ideias contrárias ao regime vigente, foi por diversas vezes preso.Na sua luta contra o fascismo, militou no Partido Comunista Português. Participou nas campanhas eleitorais de Arlindo Vicente e de Norton de Matos, nos anos 1945, 1949 e 1958. Armindo Rodrigues fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD).Foi um dos fundadores do PEN Club Português, juntamente com outros escritores portugueses de renome, tendo sido nomeado vogal.Fez traduções de autores como André Malraux, Alain-Fournier, Mikhail Cholokov e Oscar Wilde. (Adaptado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Armindo_Jos%C3%A9_Rodrigues) LIBERDADE Ser livre é querer ir e ter um rumo e ir sem medo, mesmo que sejam vãos os passos. É pensar e logo transformar o fumo do pensamento em braços. É não ter pão nem vinho, só ver portas fechadas e pessoas hostis e arrancar teimosamente do caminho sonhos de sol com fúrias de raiz. É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto e, mesmo assim, só de pensar gritar gritar e só de pensar ir ir e chegar ao fim. Armindo Rodrigues |
VINICIUS DE MORAES
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
| Volodia Teitelboim "No controlo el reloj de las despedidas. Falta no sé cuanto para la media noche. Aunque sea cada vez más tarde, trataré de seguir despierto. En la vigilia quede claro que no se trata de un asunto exclusivamente personal. Como se sabe desde la antigüedad, el “antes del olvido” nos concierne a todos. Deja por escrito lo que aun guarda la memoria. Será así más difícil borrarla del todo. Te pido algo personal: sé fiel al sueño de los sueños." Volodia Teitelboim |
SILOGISMOS
A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)
Ana Luísa Amaral, em Imagias