29/09/08
ESTRANGEIRO NUMA TERRA DISTANTE
17/09/08
MARIO BENEDETTI
Mais dois poemas deste escritor uruguaio, sobre quem já escrevi em Abril do ano passado e que, lamentavelmente, continua a não ser publicado em Portugal, com excepção das duas obras em prosa que referi na altura. Os portugueses deveriam conhecer a sua obra poética.
Memorándum
Uno llegar e incorporarse el día
Dos respirar para subir la cuesta
Tres no jugarse en una sola apuesta
Cuatro escapar de la melancolía
Cinco aprender la nueva geografía
Seis no quedarse nunca sin la siesta
Siete el futuro no será una fiesta
Y ocho no amilanarse todavía
Nueve vaya a saber quién es el fuerte
Diez no dejar que la paciencia ceda
Once cuidarse de la buena suerte
Doce guardar la última moneda
Trece no tutearse con la muerte
Catorce disfrutar mientras se pueda.
Cuando éramos Niños
Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.
luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque era un océano
la muerte solamente
una palabra
ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en los cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.
ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.
11/09/08

11 de Setembro de 1973
Salvador Allende, Presidente eleito do Chile, proclamava:
«¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!Éstas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.»
11 de Setembro de 2008
Vemos, ouvimos e lemos...
Não podemos ignorar as semelhanças com o que se passa na Bolívia e na Venezuela.
Temos o dever de exigir que os crimes terroristas do Império não se repitam e que seja respeitada a vontade soberana dos povos.
21/08/08
23/07/08
Retirado de http://www.odiario.info/
Este texto de Miguel Urbano Rodrigues foi a sua comunicação ao Fórum Unidade dos Comunistas, apresentada sábado, 19 de Julho, em Florianópolis, Brasil
A direita europeia, com destaque para os chamados atlantistas, defensores inflamados da OTAN e da presença das tropas dos EUA na Europa, insiste em atribuir a um sentimento de «anti americanismo» a vaga de protestos contra a estratégia de dominação mundial daquele país.
23/06/08
20/06/08
Com um abraço fraternal, transcrevo um pequeno artigo de www.resistir.info
REJEITADO O TRATADO EUROPEU !!!
06/05/08
Por temperamento e por formação, sou avesso a tentativas de condução do pensamento e recuso-me a formular apelos para que me sigam nas minhas crenças ou tomadas de posição.
Preservo e valorizo, para mim e para os outros, a liberdade de manifestar, quando quero e como quero, as minhas opiniões e de, em concordância com elas, agir nos momentos e pelas formas que entendo.
É nos limites destes pressupostos que escrevo para partilhar os motivos por que, no contexto das eleições para os Corpos Gerentes do SPN, decidi apoiar e integrar a lista A - «Pela defesa dos princípios fundadores do SPN. Ser a força e a vontade dos Professores do Norte. Defender a Escola Pública», apesar de nunca ter sido dirigente nem delegado sindical do SPN.
Tomei esta decisão apenas porque penso que os Professores do Norte precisam de ter de novo o Sindicato que construíram há 25 anos e não esta “espécie de sindicalismo funcionalizado”, que se tem instalado nos últimos anos.
Não precisam dum sindicato/secretaria ao qual se dirigem só para pedir esclarecimentos legais.
Não precisam dum sindicato preso ao cumprimento de rituais rotineiros e procedimentos burocráticos.
Não precisam de dirigentes vitalícios, instalados na sede, à espera que os colegas se mobilizem.
Não precisam dum sindicato cuja presença nas escolas se limita à afixação de cartazes e boletins, frequentemente, desactualizados.
Não precisam duma informação sindical que chega à caixa do correio na véspera das reuniões ou iniciativas para as quais pretendia mobilizar.
Não precisam duma revista de propaganda com 11 e com 18 fotografias da mesma dirigente em 11 e em 18 posições mais ou menos variadas (SPN-Informação, n.º13, de Março de 2007 e n.º14, de Abril de 2007). Pessoalmente, não participei, de forma directa, no último Congresso da FENPROF nem na discussão que o antecedeu, mas chocou-me ver este tipo de propaganda empobrecedora, na revista de Informação do SPN.
NO entanto, devo dizer que me chocou ainda mais ler, nos números seguintes do SPN-Informação, uma linguagem de ajuste de contas e de perseguição em relação aos que, democraticamente, tinham vencido o Congresso. Acredito que a maioria dos colegas que integram a lista da continuidade (S) não se identifica com tal espírito de vingança, mas ele demonstra o ponto a que chegou o apego ao poder por parte do núcleo que controla a actual direcção.
No próximo dia 13, sou candidato pela lista A -«Pela defesa dos princípios fundadores do SPN. Ser a força e a vontade dos Professores do Norte. Defender a Escola Pública» - apenas porque acredito que, mais do que nunca, necessitamos dum Sindicato de todos os Professores do Norte; democrático, combativo e participativo; livre de burocracias, rotinas e sectarismos; um Sindicato que seja, de novo, aquele que ajudei a fundar, no mês em que o meu filho nasceu.
13/04/08
29/03/08
13/03/08
11/03/08
03/03/08
Há sempre uma primeira vez... Ao contrário do habitual, uso hoje o CADERNOSEMCAPA para escrever, pela primeira vez, sobre um tema pessoal. Terminei, hoje de manhã, um pequeno curso de actualização dos meus conhecimentos da Língua Inglesa e quero registar aqui o enorme prazer de que usufruí nas aulas desse curso. Foram vinte sessões individuais, que teriam, à partida, uma hora cada uma, mas que, quase sempre, se prolongaram durante mais tempo, em agradáveis conversas sobre os mais variados temas, especialmente sobre os ivros e as leituras. Desde o primeiro dia, descobri, entre mim e o professor, um largo conjunto de afinidades, a começar pelo nosso primeiro nome. Entre outros aspectos comuns, recordo que partilhamos o vício dos queijos, o gosto pelo bacalhau e pelo vinho, assim como a preferência por uma determinada marca de cerveja (posso dizer o nome se uma certa empresa de Leça do Balio pagar a publicidade). Partilhamos a dependência dos livros, várias preferências literárias e artísticos e a alergia a certos autores de bestselers (não digo os nomes nem que me paguem a publicidade). Partilhamos a admiração pelo belíssimo filme italiano «A Melhor Juventude». Partilhamos o interesse pela temática da comunicação e sua aplicação específica aos fenómenos de ensino e aprendizagem. Acima de tudo, partilhamos uma forma atenta de observar a vida e o mundo e o persistente sentido da ironia. Ficou a grata recordação de vinte manhãs iniciadas com conversas descontraídas e sempre interessantes e penso que ficou uma amizade. Já agora há que dizer que - last but not the least - melhorei consideravelmente o domínio do Inglês ouvido, lido, falado e escrito. Por favor, acreditem que, há dois meses, era muito menor! There’s always a first time… In the opposite of what I’m used to do, today I use CADERNOSEMCAPA to write about a personal theme. This morning, I finished o little course of actualization of my English knowledge and I want to register here the great pleasure that I’ve enjoyed in this curs. It were twenty individual lessons that would have half an hour each other, but the most part of them, were extended for more time in pleasant talks about a lot of things , special about books and lectures. Since the first day, I’ve discovered, between me and the teacher, a large among of affinities, beginning by our first name. Among other aspects, I remember that we have in common the vice of cheese, the love of codfish and wine, such as the preference by certain mark of bear (I can say the name if a certain enterprise from Leça do Balio pays the publicity). We have in common the dependence from books, several literary and artistic preferences and the allergy to certain authors of bestsellers (I don’t say names neither if they pay me the publicity). We have in common the admiration about the very beautiful Italian film «A Melhor Juventude». We have in common the interest about communication and its specific application in phenomenon of learning and teaching. Above all, we have in common an attentive way of looking at life and word and the persistent sense of irony. I conserve the pleasant memory of twenty mornings begun with relaxed and always interesting conversations and I think that a friendship is conserved. And I must say that - last but not the least – I’ve improved my knowledge in English listened, talked, read and written. Please, believe that, two months ago it was very worse! |
02/03/08
| Certamente, não fui o único a recordar ontem este poema, escrito por Manuel Correia e musicado e cantado por Luís Cília. Quem se lembra? RESPOSTA A quem nos acusou por sermos fortes a quem nos combateu porque a razão se incendeia e revive à nossa beira, respondo, não nascemos em abril, não somos um punhado nem cem mil somos milhões e milhões na terra inteira. A nossa força vem-nos do trabalho que tudo transforma e modifica, que sempre nos fez e faz irmãos por isso nos unimos e avançamos. A nossa luta tem mais de cem anos escritos com fogo em nossas mãos. Há quem nos tema, há quem nos ataque, detentores de antigos privilégios que hoje temem a nossa vitória. E é natural que nos combatam são eles dia a dia que nos matam contra eles construímos nós a história. Os símbolos que vão nesta bandeira assustam quem nunca lhes pegou quem nunca debulhou na nossa eira quem antes e depois do mês de abril nos teme por não sermos só cem mil mas milhões e milhões na terra inteira. |
28/02/08
17/02/08
| A MENINA Sou eu que bato às portas às portas, umas após outras. Sou invisível aos vossos olhos. Os mortos são invisíveis. Morta em Hiroxima há mais de dez anos, sou uma menina de sete anos. As crianças mortas não crescem. Primeiro arderam os meus cabelos, também os olhos arderam, ficaram calcinados. Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas que se espalharam ao vento. No que diz respeito a mim, nada vos imploro: não podia comer, nem sequer bombons, a criança que ardeu como papel. Bato à vossa porta, tio, tia: uma assinatura. Não matem as crianças e deixem-nas também comer bombons. NÂZIM HIKMET (1901-1963) |
16/02/08
| Recordando Armindo Rodrigues Armindo José Rodrigues (Lisboa, 1904 –1993) é considerado um escritor do movimento neo-realista português.A sua vasta obra poética, publicada a partir de 1943, foi publicada em numerosos volumes, pela Sociedade de Expansão Cultural.Colaborou em diversas revistas como a Colóquio-Letras (da Fundação Calouste Gulbenkian), a Seara Nova, a Vértice e em jornais como O Diabo e Notícias de bloqueio.Tendo vivido durante o regime salazarista, e tendo ideias contrárias ao regime vigente, foi por diversas vezes preso.Na sua luta contra o fascismo, militou no Partido Comunista Português. Participou nas campanhas eleitorais de Arlindo Vicente e de Norton de Matos, nos anos 1945, 1949 e 1958. Armindo Rodrigues fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD).Foi um dos fundadores do PEN Club Português, juntamente com outros escritores portugueses de renome, tendo sido nomeado vogal.Fez traduções de autores como André Malraux, Alain-Fournier, Mikhail Cholokov e Oscar Wilde. (Adaptado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Armindo_Jos%C3%A9_Rodrigues) LIBERDADE Ser livre é querer ir e ter um rumo e ir sem medo, mesmo que sejam vãos os passos. É pensar e logo transformar o fumo do pensamento em braços. É não ter pão nem vinho, só ver portas fechadas e pessoas hostis e arrancar teimosamente do caminho sonhos de sol com fúrias de raiz. É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto e, mesmo assim, só de pensar gritar gritar e só de pensar ir ir e chegar ao fim. Armindo Rodrigues |
14/02/08
VINICIUS DE MORAES
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
| Volodia Teitelboim "No controlo el reloj de las despedidas. Falta no sé cuanto para la media noche. Aunque sea cada vez más tarde, trataré de seguir despierto. En la vigilia quede claro que no se trata de un asunto exclusivamente personal. Como se sabe desde la antigüedad, el “antes del olvido” nos concierne a todos. Deja por escrito lo que aun guarda la memoria. Será así más difícil borrarla del todo. Te pido algo personal: sé fiel al sueño de los sueños." Volodia Teitelboim |
03/02/08
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
01/02/08
SILOGISMOS
A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)
Ana Luísa Amaral, em Imagias
19/01/08
... NÃO PODEMOS IGNORAR
No último século, a humanidade desenvolveu meios capazes de produzir o suficiente para alimentar a todos os habitantes do planeta. Se os alimentos actualmente disponíveis fossem repartidos equitativamente, cada habitante excederia em cem calorias a dieta diária recomendada. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, assegura que o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de pessoas, quase o dobro da população actual. Portanto, a principal causa da fome é a injusta partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano. O modelo neoliberal de globalização, que impera no mundo - patrocinado por governos e grandes corporações transnacionais que ostentam a bandeira do livre comércio - esquece o discurso do combate à pobreza. As riquezas e os avanços tecnológicos promovidos pela globalização só têm beneficiado uma parcela mínima da humanidade. Um outro mundo é possível. (Adaptado de http://www.slideshare.net/asinistraministra/um-outro-mundo) |
18/01/08
08/01/08
PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN
| MANIFESTO PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN SER A FORÇA E A VONTADE DOS PROFESSORES DO NORTE, DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA Acho que está na altura de os Professores do Norte fazerem alguma coisa para terem um sindicato mais activo. Recomendo a leitura e assinatura do Manifesto publicado no blog http://afolhadoprofessor.blogspot.com/ |
02/01/08
| RECEITA DE ANO NOVO Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegrama?). Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. Poema de Carlos Drummond de Andrade |
14/06/07
A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS
Publicado em 1966, está cada vez mais actual este poema de Joaquim Namorado. Penso num certo tipo de informação domesticada... A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS |
A POESIA NECESSÁRIA
Finalmente encontrei um livro com um poema que procurava há anos.
O poema chama-se «Port-Wine», fazia parte dum disco de Mário Viegas e o autor é Joaquim Namorado.
O livro, que adquiri num alfarrabista do Porto, chama-se «Poesia Necessária».
Joaquim Namorado | ||























