29/09/08

abandono


Igreja de Bravães - Ponte da Barca

ESTRANGEIRO NUMA TERRA DISTANTE

Quando era jovem
e belo,
a rosa era a minha morada,
as fontes os meus mares.
A rosa transformou-se em ferida
e as fontes são, a partir de agora, sede.
-Mudaste muito?
-Não, não mudei muito.
Quando voltarmos como o vento
a casa,
repara na minha fronte.
Verás nela as rosas, palmeiras,
as fontes, suor,
e voltarás a encontrar-me como eu era,
jovem
e belo...

MAHMUD DARWICH


17/09/08

MARIO BENEDETTI

Mais dois poemas deste escritor uruguaio, sobre quem já escrevi em Abril do ano passado e que, lamentavelmente, continua a não ser publicado em Portugal, com excepção das duas obras em prosa que referi na altura. Os portugueses deveriam conhecer a sua obra poética.

Memorándum
Uno llegar e incorporarse el día
Dos respirar para subir la cuesta
Tres no jugarse en una sola apuesta
Cuatro escapar de la melancolía

Cinco aprender la nueva geografía
Seis no quedarse nunca sin la siesta
Siete el futuro no será una fiesta

Y ocho no amilanarse todavía
Nueve vaya a saber quién es el fuerte
Diez no dejar que la paciencia ceda

Once cuidarse de la buena suerte
Doce guardar la última moneda
Trece no tutearse con la muerte

Catorce disfrutar mientras se pueda.

Cuando éramos Niños
Cuando éramos niños
los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.
luego cuando muchachos

los viejos eran gente de cuarenta
un estanque era un océano
la muerte solamente
una palabra
ya cuando nos casamos

los ancianos estaban en los cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.
ahora veteranos

ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.

11/09/08

HÁ 35 ANOS – O TERRORISMO DO IMPÉRIO

11 de Setembro de 1973
Salvador Allende, Presidente eleito do Chile, proclamava:
«¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!Éstas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.»


11 de Setembro de 2008
Vemos, ouvimos e lemos...
Não podemos ignorar as semelhanças com o que se passa na Bolívia e na Venezuela.
Temos o dever de exigir que os crimes terroristas do Império não se repitam e que seja respeitada a vontade soberana dos povos.

21/08/08

Alguns bocadinhos das férias


Arrábida



Palmela



Setúbal

23/07/08

Retirado de http://www.odiario.info/

NOTAS SOBRE A ASCENSÃO DO FASCISMO NOS ESTADOS UNIDOS
Este texto de Miguel Urbano Rodrigues foi a sua comunicação ao Fórum Unidade dos Comunistas, apresentada sábado, 19 de Julho, em Florianópolis, Brasil
Miguel Urbano Rodrigues - 21.07.08
A direita europeia, com destaque para os chamados atlantistas, defensores inflamados da OTAN e da presença das tropas dos EUA na Europa, insiste em atribuir a um sentimento de «anti americanismo» a vaga de protestos contra a estratégia de dominação mundial daquele país.
A acusação não tem fundamento. A condenação da política imperial dos EUA não envolve o seu povo.
Em Setembro e Outubro de 2001, durante a agressão norte-americana contra o povo do Afeganistão publiquei em Portugal e na América Latina uma série de artigos em que, reflectindo sobre a chacina de Mazar-i–Charif e o saque de Kandahar, alertava para uma ameaça à humanidade que principiava a esboçar-se: a possibilidade da emergência nos EUA de um fascismo de novo tipo. Os seus contornos, ainda mal definidos, eram identificáveis na componente militar do sistema de poder da grande República e na sua ambição de impor um projecto de dominação planetária e perpétuo.
Em comunicações apresentadas no II e III Fóruns Sociais Mundiais, em Porto Alegre, retomei o tema, chamado a atenção para uma crise global de civilização, política, económica, militar, cultural e ambiental.
O perigo do neofascismo nos EUA crescia. No corpo de oficiais das suas Forças Armadas tomava forma um fascismo castrense, que se expressava através da participação de estruturas de comando em crimes contra a humanidade, missões genocidas da Força Aérea, no discurso messiânico e racista de generais e almirantes.
A velha tese da nação predestinada, a única capaz de salvar a humanidade, foi assumida pelo Presidente Bush, que dela fez coluna mestra da Nova Ordem Mundial, cujos princípios foram reformulados após o 11 de Setembro. Uma concepção maniqueísta da vida foi posta a serviço da estratégia imperial de «retaliação». A luta contra o terrorismo passou a servir de suporte a uma política de terrorismo de estado. O presidente informou o mundo de que o Senhor não era neutral e apoiava a sua política. E advertiu: quem não concordasse com ela seria considerado inimigo e como tal tratado. Esse discurso trouxe à memória arengas de Hitler nas vésperas da invasão da Polónia. A sua agressividade e a irracionalidade configuraram um assalto à razão.
Terei sido um dos primeiros escritores a utilizar a expressão IV Reich para denunciar a ameaça ao conjunto da humanidade e à própria continuidade da vida no planeta que a estratégia da Casa Branca carregava.
Permito-me transcrever alguns parágrafos do que afirmei então no II Fórum Social Mundial, em Porto Alegre:«As sementes do fascismo já contaminaram, é inegável, muitos pilotos e oficiais da US Army presentes no cenário de horrores do Afeganistão (…) O perigo de um fascismo de novo tipo torna-se difícil de identificar porque apresenta características inéditas.
1. Não se enquadra nas definições clássicas do fascismo.
2. Surge como inseparável da dinâmica agressiva de um poder imperial e como efeito da própria lógica da violência desencadeada pelas forças armadas desse sistema.
3. Sendo um fenómeno que se enraíza no corpo de oficiais, apresenta a peculiaridade de, ao estruturar-se e fortalecer-se, alastra de fora para dentro, ou seja da periferia para os EUA, coração do sistema.A dificuldade em admitir que a actual política de terrorismo de estado dos EUA ameaça desembocar no neofascismo reside no carácter e tradição das instituições norte-americanas e na atipicidade da ideologia subjacente às acções de genocídio praticadas com frequência cada vez maior por um poder militar hegemónico. O hábito de associar o fascismo quase mecanicamente, como modelo de Estado, à Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini, leva a esquecer que a sua implantação assumiu formas muito diferenciadas e que, tanto o assalto ao poder como o funcionamento do sistema, não cabem em definições rígidas.
O fascismo, tanto na Europa como fora dela, não obedeceu a um modelo único. Se no III Reich e na Itália (aí somente no inicio) contou com forte apoio de massas e teve como instrumento partidos que seguiam cegamente os líderes carismáticos, isso não ocorreu na Espanha de Franco, nem no Portugal de Salazar. Nem na Hungria de Horthy, na Roménia de Antonescu, na Croácia de Ante Pavelich, onde foram sobretudo aspectos básicos da organização do Estado que tomaram como fonte de inspiração os modelos alemão e italiano. O denominador comum a todos os fascismos identificamo-lo no nacionalismo irracional e agressivo, com uma componente racista, na tentativa de impor uma contracultura e na criação de aparelhos repressivos do tipo Gestapo. Na ordem económica as diferenças foram transparentes (…)
”O caso do Chile, por exemplo, é um tema de reflexão inesgotável tanto pelo que nele houve de especifico no terreno político, económico e militar, como pelas suas contradições. Aqueles que definem a ditadura terrorista de Pinochet, na teoria e na prática, como fascista sustentam – na minha opinião com fundamento – que as forças armadas desempenharam ali o papel que no Reich alemão foi assumido pelo partido nazi e pelos aparelhos policiais por ele criados.
O fenómeno chileno ajuda a compreender, num contexto diferente e noutra dimensão, a ameaça neofascista que o terrorismo de estado estadounidense carregava no ventre. O perigo agora é planetário e, repito, nasce em certa medida longe da sociedade cujo sistema de poder o gerou. As expedições punitivas não tomam como alvo minorias, nem partidos de esquerda ou organizações sindicais. O inimigo, imaginário, fabricado, é agora outro: indivíduos transformados em gigantes demoníacos e sobretudo povos paupérrimos, distantes e desarmados».
A transcrição foi longa, mas útil.
Transcorreram quase sete anos desde que escrevi essas linhas.
O desenvolvimento da História confirmou as apreensões que então manifestava. A crise de civilização agravou-se muito.
O Afeganistão foi transformado num protectorado com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA transferiram para a NATO as responsabilidades da ocupação militar do país e 60.000 homens daquela organização encontram-se ali envolvidos numa guerra perdida.
Osama bin Laden e o mollah Muhamad Omar – apontados como objectivo prioritário da invasão, não foram encontrados e encontram-se em paradeiro desconhecido. A produção de ópio aumentou e a soldadesca norte-americana é responsabilizada pelo próprio governo do presidente fantoche Hamid Karzai – ex -funcionário subalterno de uma companhia petrolífera estadounidense – de massacrar civis em operações de rotina. Em alguns casos, oficiais dos EUA nas ordens de combate desaconselham a captura de prisioneiros. Não querem sobreviventes. Em Seberghan foram cortadas as línguas a mujahedines que se tinham rendido.
No Iraque, a indignação mundial suscitada pelas revelações das torturas infligidas a resistentes iraquianos em Abu Grahib não se traduziu na condenação de qualquer oficial superior. O presídio foi fechado, mas os responsáveis pelos crimes abjectos ali cometidos ficaram impunes, a principiar pelo ex secretario da Defesa, Donald Rumsfeld, que tinha – ficou provado – conhecimento minucioso do que se passava em Abu Grahib.
Muçulmanos capturados no Iraque e no Afeganistão e acusados de «terroristas» foram transportados em voos clandestinos da CIA para campos de concentração instalados em países africanos e do Leste da Europa. O governo português foi cúmplice desse crime. Não obstante os voos da CIA terem sido confirmados por governos da União Europeia, Washington abafou o escândalo.Mais grave ainda: Bush conseguiu que o Congresso, agora com maioria Democrata, aprovasse legislação que na prática permite a tortura.
A guerra no Iraque está também irremediavelmente perdida não obstante o aumento para 160.000 homens do exército de ocupação. Um exército paralelo de mercenários altamente remunerados está assumindo um papel cada vez mais importante nas operações militares.
A situação existente é caótica. O presidente Bush foi finalmente obrigado a reconhecer que, afinal, o Iraque não dispunha de armas de extinção maciça – pretexto para a agressão – mas insiste em defender a ocupação do país por tempo ilimitado.
O balanço da agressão é terrível. O Iraque é hoje um país arruinado e famélico. As suas cidades foram semi destruídas, saqueados museus maravilhosos que guardavam a memória das milenárias civilizações da Mesopotâmia. A barbárie imperialista não respeita a cultura: blindados estadounidenses estacionam na área das ruínas da Babilónia.
Não há estatísticas confiáveis sobre o custo em vidas humanas da guerra genocida. Mas a própria media dos EUA admite que mais de 100.000 civis iraquianos morreram em consequência dela até final de 2007.
O tumor fascista dissemina-se.
As «guerras preventivas» lembram certas epidemias. Não é fácil avaliar os efeitos da contaminação, mas, como era inevitável, as metástases do tumor fascista disseminam-se no corpo da nação.
A defesa e execução de uma estratégia planetária perigosamente agressiva e irracional exigiram no plano interno mudanças na acção governativa que abalaram fortemente a estrutura institucional do país, abrindo nela fissuras pelas quais avança o fascismo.
Imediatamente após o 11 de Setembro, a maioria da população não se apercebeu de que o discurso bushiano contra o terrorismo funcionava como anestésico para golpes cirúrgicos que feriam garantias constitucionais e liberdades constitucionais. A destruição das torres de Manhattan foi invocada a despropósito para justificar uma feroz vaga de xenofobia que levou, por exemplo, à criação de tribunais militares para julgamento de estrangeiros suspeitos, a perseguições e humilhações infligidas a imigrantes muçulmanos, caça às bruxas nas universidades, ao desaparecimento de clássicos da literatura nas bibliotecas públicas, a gestos tão simbólicos como a proibição da canção de John Lennon em defesa da paz.
O Patriot Act, a lei ultra-reaccionária promulgada por George Bush, é um diploma que teria merecido a aprovação do III Reich de Hitler.
Gente íntima do Presidente, como o vice-presidente Cheeney, Rumsfeld, Condoleeza Rice, Paul Wolfowits, Perle, deram uma contribuição significativa para a radicalização de um discurso oficial de matizes fascizantes, não obstante alguns dos que o cultivam não se aperceberem, por indigência cultural. Muitos generais do Pentágono já se tinham antecipado.
A engrenagem que abre caminho ao neofascismo não poderia no entanto servir com eficácia a estratégia de dominação se não dispusesse como formidável e decisivo instrumento para manipular as consciências de um sistema mediático que exerce hoje um controle hegemónico dos grandes órgãos de comunicação social.
O tema tem sido tratado exaustivamente por autores como Chomsky e Chossudovsky, mas a complexidade e a gravidade dos estragos produzidos pelo funcionamento dessa máquina diabólica tornam indispensável a retomada permanente do assunto.
O discurso clássico sobre os EUA como pátria da liberdade de expressão foi sempre construído a partir de inverdades. Hoje é ridículo.
As três grandes cadeias de televisão que emitem notícias durante 24 horas – a NBC, a FOX e a CNN – mantêm laços íntimos com o Poder. A grande maioria das notícias que difundem provem de fontes do governo ou corporativas. A manutenção dos índices de audiência exige não apenas um bom relacionamento com essas fontes como a inclusão maciça de notícias sobre assuntos divertidos, histórias sobre guerras que façam a apologia do heroísmo norte-americano, a eliminação de temas considerados incómodos, um grande volume de informações ligadas a negócios, desporto, sexo, situação das grandes transnacionais, comentários superficiais sobre ciência, ambiente e arte.
Os jornalistas que não se submetem e recusam colaborar com o Poder são punidos, directa ou indirectamente, ou despedidos pelos grandes media, mesmo quando são celebridades, como aconteceu com o neozelandês Peter Arnett, da NBC. Num país onde um abismo cultural separa as elites do cidadão comum, a militarização da sociedade civil, em desenvolvimento, assume proporções inquietantes.
Segundo John Gilis – um conceituado analista militar – a militarização das consciências tornou-se imprescindível ao bom funcionamento do sistema. O establishment está empenhado em preparar a sociedade civil para a aceitação da violência como fenómeno natural. Enquanto o militarismo era tradicionalmente encarado «como uma série de crenças circunscritas a grupos sociais específicos, a militarização abrange uma série de mecanismos que envolvem todo o edifício social».
Nas escolas o avanço da militarização é alarmante. Contamina a juventude. Uma publicidade chocante na televisão, na imprensa, na rádio, em cartazes afixados nas paredes, apresenta as Forças Armadas como escola de virtudes. O Corpo de Marines cultiva o auto-elogio, apresentando-se como uma tropa de super-homens.
A militarização da sociedade é acompanhada de um discurso político que transforma a dureza, a insensibilidade e um conceito prussiano da disciplina em virtudes. A tese do «letal e solidário» ilumina bem uma mentalidade patológica.
Peter Mass, em artigo publicado pelo The New York Times, conta que perto de Bagdad, o comandante de um esquadrão de blindados, quando os seus soldados dispararam contra veículos civis, bradou: «Os meus homens não tiveram clemência. Formidável!»
Nas grandes cidades, entre a juventude dos bairros da classe média, um divertimento na moda é o painball – um jogo durante o qual os participantes lutam com selvajaria. Do choque faz parte a morte simulada.
O Presidente Bush considera «viris» esses jogos violentos. Para estimular o espírito marcial gosta muito de discursar em bases militares, em fábricas de armas e em porta-aviões.
Nesta atmosfera de apologia da violência como virtude patriótica a critica à ideologia do poder somente é assumida permanentemente por uma minoria de intelectuais corajosos. Mas a contribuição de estadounidenses progressistas como Ramsey Clark, Noam Chomsky e James Petras tem sido muito importante para a compreensão do perigo fascista e o funcionamento de um sistema de poder que não hesita em tripudiar sobre a Constituição para limitar ou suprimir direitos e liberdades.
Raízes do fascismo nos EUA
A influência exercida pela extrema-direita estadounidense no pensamento fascista continua a ser muito mal conhecida. Mas foi importante.
Ho Chi Minh terá sido um dos primeiros comunistas a identificar o parentesco ideológico existente entre ambos.
Quando era um jovem marinheiro presenciou no Sul dos EUA o linchamento de um negro. O ritual sinistro do crime, tolerado pelas autoridades, impressionou-o tanto que num artigo publicado em 1924 no órgão francês da Internacional Comunista afirmou que a Ku Klux Klan assumia toda «a brutalidade do fascismo».
Uma abundante documentação demonstra aliás com clareza que o partido nazi alemão, nos anos em que Hitler preparava o assalto ao poder, teve como fonte permanente de inspiração os movimentos reaccionários e racistas dos EUA.
Rosenberg, um dos ideólogos do nazismo, definia os EUA como «um esplêndido país do futuro» que tinha o mérito de formular «a nova ideia de um Estado Racial».
O genocídio dos índios era apresentado no III Reich como uma epopeia civilizatória e o projecto de germanização de parte da Europa Oriental como uma cruzada que tinha o seu precedente na conquista americana do Far-West. Hitler, em 1939, nas vésperas da guerra, enalteceu «a inaudita força interior» do modelo americano de civilização.
Um livro do escritor racista estadounidense Lothrop Stoddard – The Menace of de Under Man – foi traduzido para o alemão e suscitou tamanho entusiasmo nos meios nazis que o autor foi convidado a visitar o Reich onde foi recebido por Hitler.
Cabe recordar que o referido livro foi também elogiado por dois presidentes dos EUA, Harding e Hoover.
O filósofo marxista italiano Domenico Losurdo desenvolve o tema das origens americanas do fascismo numa comunicação que apresentou em Maio de 2003 ,em Florença. Nesse trabalho (ver em odiario.info em 24.06.08) cita textos de Theodore Roosevelt nos quais aquele ex-presidente dos EUA faz a apologia das «raças superiores» e sugere soluções radicais para defender a civilização do perigo representado pelas «raças inferiores».
Losurdo dedica especial atenção ao papel desempenhado por Henri Ford nas campanhas anti-semitas. O magnata da indústria automobilística foi então muito elogiado na Alemanha nazi. Hitler, o cérebro da «solução final» afirmou que para ele a leitura de um livro de Ford foi uma «revelação para os nacionais socialistas» porque os ajudou a compreender «o perigo do judaísmo».
Um sistema mediático perverso falsifica a História tão amplamente que centenas de milhões de pessoas continuam a ver nos EUA um Estado democrático, respeitador das liberdades e dos direitos humanos.
Os fundadores da nação são apresentados como heróis da humanidade. A mentira foi erigida em verdade. Creio que poucos brasileiros sabem que os autores da Declaração de Independência e da Constituição dos EUA eram todos proprietários de escravos. E proprietários de escravos foram quase todos os presidentes da União nos primeiros 36 anos de existência dos EUA.
Um comunista americano, James West, escreveu em 1977 um ensaio que, pelo seu significado, julgo oportuno relembrar neste Fórum. Nele chamou a atenção para uma realidade também esquecida: as origens do euro comunismo são também norte-americanas. James West demonstra nesse ensaio que o Browderismo, a doutrina de um ex secretario-geral do Partido Comunista dos EUA, não somente teve um efeito devastador na América Latina, ao condenar como supostamente de direita o combate ao imperialismo, como funcionou como fonte de inspiração ideológica para o movimento que na Europa contribuiu decisivamente para a destruição ou para a social democratização de muitos partidos comunistas, entre os quais o Italiano, o Francês e o Espanhol.
Camaradas:
Perigos enormes anunciam-se num horizonte de lutas. Mas o gigante americano tem pés de barro. Os mecanismos predatórios da globalização neo-liberal não bastam para resolver a crise estrutural de um capitalismo senil.
Entretanto, a tarefa prioritária e permanente para as forças progressistas, e em primeiro lugar para os comunistas, é fazer frente, em todo o mundo, com firmeza e lucidez, à ameaça que representa para a humanidade a estratégia neo-fascista de um sistema de poder que aspira a militarizar a Terra. O processo de militarização e fascização da sociedade norte-americana prossegue. E essa realidade não pode ser ignorada.
O combate torna mais necessária do que nunca a unidade dos comunistas.
Serpa, Julho de 2008
Intervenção na mesa 4 do Fórum Unidade dos Comunistas em Florianopolis a 19 de Julho

23/06/08

lado a lado





Eles estão a pensar...

Dizem que precisam de tempo para pensar como vão dar a volta ao resultado do referendo na Irlanda.
Isto de deixar os povos escolher acarreta-lhes dificuldades que lhes dão muitas tristezas e dores de cabeça.
Por mim, gostava de também ter podido votar NÃO ao tratado.

20/06/08

Com um abraço fraternal, transcrevo um pequeno artigo de www.resistir.info

REJEITADO O TRATADO EUROPEU !!!

Graças ao povo irlandês, a Europa foi salva do Tratado de Lisboa que lhe queriam impor. No referendo realizado dia 12 Junho a maioria do povo celta rejeitou este arremedo de constituição europeia, que em outra versão já fora rejeitado pelos povos francês e holandês. Em Portugal, o governo Sócrates deu o dito por não dito e recusou-se a efectuar um referendo popular por medo dos seus resultados. Nos demais países europeus, excepto a Irlanda, passou-se o mesmo: recusaram aos povos o direito de se pronunciarem contra a política neoliberal que se tentava plasmar num documento pseudo-constitucional.
A notícia está em The Irish Times .

06/05/08

Candidato pela Lista A do SPN
Aqueles que me conhecem melhor sabem que, apesar das convicções ideológicas que me acompanham quase desde a adolescência e apesar das actividades cívicas e políticas que, ao longo dos anos, tenho desenvolvido, não tenho por hábito exercer qualquer tipo de influência sobre as decisões dos meus amigos.
Por temperamento e por formação, sou avesso a tentativas de condução do pensamento e recuso-me a formular apelos para que me sigam nas minhas crenças ou tomadas de posição.
Preservo e valorizo, para mim e para os outros, a liberdade de manifestar, quando quero e como quero, as minhas opiniões e de, em concordância com elas, agir nos momentos e pelas formas que entendo.
É nos limites destes pressupostos que escrevo para partilhar os motivos por que, no contexto das eleições para os Corpos Gerentes do SPN, decidi apoiar e integrar a lista A - «Pela defesa dos princípios fundadores do SPN. Ser a força e a vontade dos Professores do Norte. Defender a Escola Pública», apesar de nunca ter sido dirigente nem delegado sindical do SPN.

Tomei esta decisão apenas porque penso que os Professores do Norte precisam de ter de novo o Sindicato que construíram há 25 anos e não esta “espécie de sindicalismo funcionalizado”, que se tem instalado nos últimos anos.
Não precisam dum sindicato/secretaria ao qual se dirigem só para pedir esclarecimentos legais.
Não precisam dum sindicato preso ao cumprimento de rituais rotineiros e procedimentos burocráticos.
Não precisam de dirigentes vitalícios, instalados na sede, à espera que os colegas se mobilizem.
Não precisam dum sindicato cuja presença nas escolas se limita à afixação de cartazes e boletins, frequentemente, desactualizados.
Não precisam duma informação sindical que chega à caixa do correio na véspera das reuniões ou iniciativas para as quais pretendia mobilizar.
Não precisam duma revista de propaganda com 11 e com 18 fotografias da mesma dirigente em 11 e em 18 posições mais ou menos variadas (SPN-Informação, n.º13, de Março de 2007 e n.º14, de Abril de 2007). Pessoalmente, não participei, de forma directa, no último Congresso da FENPROF nem na discussão que o antecedeu, mas chocou-me ver este tipo de propaganda empobrecedora, na revista de Informação do SPN.
NO entanto, devo dizer que me chocou ainda mais ler, nos números seguintes do SPN-Informação, uma linguagem de ajuste de contas e de perseguição em relação aos que, democraticamente, tinham vencido o Congresso. Acredito que a maioria dos colegas que integram a lista da continuidade (S) não se identifica com tal espírito de vingança, mas ele demonstra o ponto a que chegou o apego ao poder por parte do núcleo que controla a actual direcção.

No próximo dia 13, sou candidato pela lista A -«Pela defesa dos princípios fundadores do SPN. Ser a força e a vontade dos Professores do Norte. Defender a Escola Pública» - apenas porque acredito que, mais do que nunca, necessitamos dum Sindicato de todos os Professores do Norte; democrático, combativo e participativo; livre de burocracias, rotinas e sectarismos; um Sindicato que seja, de novo, aquele que ajudei a fundar, no mês em que o meu filho nasceu.

29/03/08

UNS DIAS EM PARIS
cansar o corpo - fortalecer a alma









13/03/08


Rogério Ribeiro

(1930-2008)

UM PINTOR DA LIBERDADE E DO TRABALHO

03/03/08

Há sempre uma primeira vez...
Ao contrário do habitual, uso hoje o CADERNOSEMCAPA para escrever, pela primeira vez, sobre um tema pessoal.
Terminei, hoje de manhã, um pequeno curso de actualização dos meus conhecimentos da Língua Inglesa e quero registar aqui o enorme prazer de que usufruí nas aulas desse curso.
Foram vinte sessões individuais, que teriam, à partida, uma hora cada uma, mas que, quase sempre, se prolongaram durante mais tempo, em agradáveis conversas sobre os mais variados temas, especialmente sobre os ivros e as leituras.
Desde o primeiro dia, descobri, entre mim e o professor, um largo conjunto de afinidades, a começar pelo nosso primeiro nome.
Entre outros aspectos comuns, recordo que partilhamos o vício dos queijos, o gosto pelo bacalhau e pelo vinho, assim como a preferência por uma determinada marca de cerveja (posso dizer o nome se uma certa empresa de Leça do Balio pagar a publicidade). Partilhamos a dependência dos livros, várias preferências literárias e artísticos e a alergia a certos autores de bestselers (não digo os nomes nem que me paguem a publicidade). Partilhamos a admiração pelo belíssimo filme italiano «A Melhor Juventude». Partilhamos o interesse pela temática da comunicação e sua aplicação específica aos fenómenos de ensino e aprendizagem.
Acima de tudo, partilhamos uma forma atenta de observar a vida e o mundo e o persistente sentido da ironia.
Ficou a grata recordação de vinte manhãs iniciadas com conversas descontraídas e sempre interessantes e penso que ficou uma amizade.
Já agora há que dizer que - last but not the least - melhorei consideravelmente o domínio do Inglês ouvido, lido, falado e escrito. Por favor, acreditem que, há dois meses, era muito menor!

There’s always a first time…
In the opposite of what I’m used to do, today I use CADERNOSEMCAPA to write about a personal theme.
This morning, I finished o little course of actualization of my English knowledge and I want to register here the great pleasure that I’ve enjoyed in this curs.
It were twenty individual lessons that would have half an hour each other, but the most part of them, were extended for more time in pleasant talks about a lot of things , special about books and lectures.
Since the first day, I’ve discovered, between me and the teacher, a large among of affinities, beginning by our first name.
Among other aspects, I remember that we have in common the vice of cheese, the love of codfish and wine, such as the preference by certain mark of bear (I can say the name if a certain enterprise from Leça do Balio pays the publicity). We have in common the dependence from books, several literary and artistic preferences and the allergy to certain authors of bestsellers (I don’t say names neither if they pay me the publicity). We have in common the admiration about the very beautiful Italian film «A Melhor Juventude». We have in common the interest about communication and its specific application in phenomenon of learning and teaching.
Above all, we have in common an attentive way of looking at life and word and the persistent sense of irony.
I conserve the pleasant memory of twenty mornings begun with relaxed and always interesting conversations and I think that a friendship is conserved.
And I must say that - last but not the least – I’ve improved my knowledge in English listened, talked, read and written. Please, believe that, two months ago it was very worse!

02/03/08

Certamente, não fui o único a recordar ontem este poema, escrito por
Manuel Correia e musicado e cantado por Luís Cília.
Quem se lembra?

RESPOSTA

A quem nos acusou por sermos fortes
a quem nos combateu porque a razão
se incendeia e revive à nossa beira,
respondo, não nascemos em abril,
não somos um punhado nem cem mil
somos milhões e milhões na terra inteira.

A nossa força vem-nos do trabalho
que tudo transforma e modifica,
que sempre nos fez e faz irmãos
por isso nos unimos e avançamos.
A nossa luta tem mais de cem anos
escritos com fogo em nossas mãos.

Há quem nos tema, há quem nos ataque,
detentores de antigos privilégios
que hoje temem a nossa vitória.
E é natural que nos combatam
são eles dia a dia que nos matam
contra eles construímos nós a história.

Os símbolos que vão nesta bandeira
assustam quem nunca lhes pegou
quem nunca debulhou na nossa eira
quem antes e depois do mês de abril
nos teme por não sermos só cem mil
mas milhões e milhões na terra inteira.

MARCHA LIBERDADE E DEMOCRACIA

LISBOA - 1/3/2008

50 000 PESSOAS NAS RUAS




foto copiada de asvinhasdaira.blogspot.com


28/02/08

IMAGENS DO SÉCULO XXI

17/02/08

NÂZIM HIKMET


POEMAS DA PRISÃO E DO EXÍLIO
NÂZIM HIKMET
Edição &etc, 2000

Este é um daqueles livros que apetece ler, aconselhar, citar, reler, oferecer...
Além duma preciosa antologia de poemas, inclui dois textos introdutórios com interessante informação sobre a vida e a obra do poeta e dramaturgo comunista turco.

A MENINA

Sou eu que bato às portas

às portas, umas após outras.

Sou invisível aos vossos olhos.

Os mortos são invisíveis.


Morta em Hiroxima

há mais de dez anos,

sou uma menina de sete anos.

As crianças mortas não crescem.


Primeiro arderam os meus cabelos,

também os olhos arderam, ficaram calcinados.

Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas

que se espalharam ao vento.


No que diz respeito a mim,

nada vos imploro:

não podia comer, nem sequer bombons,

a criança que ardeu como papel.


Bato à vossa porta, tio, tia:

uma assinatura. Não matem as crianças

e deixem-nas também comer bombons.

NÂZIM HIKMET (1901-1963)

16/02/08

Recordando Armindo Rodrigues
Armindo José Rodrigues (Lisboa, 1904 –1993) é considerado um escritor do movimento neo-realista português.A sua vasta obra poética, publicada a partir de 1943, foi publicada em numerosos volumes, pela Sociedade de Expansão Cultural.Colaborou em diversas revistas como a Colóquio-Letras (da Fundação Calouste Gulbenkian), a Seara Nova, a Vértice e em jornais como O Diabo e Notícias de bloqueio.Tendo vivido durante o regime salazarista, e tendo ideias contrárias ao regime vigente, foi por diversas vezes preso.Na sua luta contra o fascismo, militou no Partido Comunista Português. Participou nas campanhas eleitorais de Arlindo Vicente e de Norton de Matos, nos anos 1945, 1949 e 1958. Armindo Rodrigues fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD).Foi um dos fundadores do PEN Club Português, juntamente com outros escritores portugueses de renome, tendo sido nomeado vogal.Fez traduções de autores como André Malraux, Alain-Fournier, Mikhail Cholokov e Oscar Wilde.
LIBERDADE
Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.
Armindo Rodrigues

Marc Chagall



1887-1995

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!

não é motivo para não querê-las.

Que tristes os caminhos, se não fora

a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

Um certo sítio em Ponte de Lima
5 de Fevereiro de 2008



14/02/08

VINICIUS DE MORAES

Eu sei e você sabe

Já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe

Que a distância não existe

Que todo grande amor

Só é bem grande se for triste

Por isso meu amor

Não tenha medo de sofrer

Que todos os caminhos

Me encaminham a você.


Assim como o Oceano, só é belo com o luar

Assim como a Canção, só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem, só acontece se chover

Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer

Assim como viver sem ter amor, não é viver

Não há você sem mim

E eu não existo sem você!

Volodia Teitelboim
"No controlo el reloj de las despedidas. Falta no sé cuanto para la media noche. Aunque sea cada vez más tarde, trataré de seguir despierto. En la vigilia quede claro que no se trata de un asunto exclusivamente personal. Como se sabe desde la antigüedad, el “antes del olvido” nos concierne a todos. Deja por escrito lo que aun guarda la memoria. Será así más difícil borrarla del todo. Te pido algo personal: sé fiel al sueño de los sueños."
Volodia Teitelboim

03/02/08

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

Recordando as minhas leituras de 2007, observo que, por coincidência, comecei o ano com «CEMITÉRIO DE PIANOS» e acabei-o com «CAL», dois belíssimos livros de José Luís Peixoto.Das duas obras identifico e destaco dois traços comuns:
O primeiro é uma profunda sensibilidade na caracterização das personagens, tratadas pelo autor com a ternura e a cumplicidade que se dedica aos familiares mais queridos.

O segundo é uma abordagem do tempo como dimensão permanente, algo que não passa definitivamente, na medida em que os afectos e as memórias dos afectos tornam presentes as vidas passadas .
Dois traços bem presentes no poema, publicado em «A CRIANÇA EM RUÍNAS»
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:

o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs

e eu. depois, a minha irmã mais velha

casou-se. depois, a minha irmã mais nova

casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,

na hora de pôr a mesa, somos cinco,

menos a minha irmã mais velha que está

na casa dela, menos a minha irmã mais

nova que está na casa dela, menos o meu

pai, menos a minha mãe viúva. cada um

deles é um lugar vazio nesta mesa onde

como sozinho. mas irão estar sempre aqui.

na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.

enquanto um de nós estiver vivo, seremos

sempre cinco.

José Luís Peixoto

01/02/08




XLVIII (Pablo Neruda, de Cien Sonetos de Amor)

Dos amantes dichosos hacen un solo pan,
una sola gota de luna en la hierba,
dejan andando dos sombras que se reúnen,
dejan un solo sol vacío en una cama.

De todas las verdades escogieron el día:
no se ataron con hilos sino con un aroma,
y no despedazaron la paz ni las palabras.
La dicha es una torre transparente.
El aire, el vino van con los dos amantes,
la noche les regala sus pétalos dichosos,
tienen derecho a todos los claveles.
Dos amantes dichosos no tienen fin ni muerte,
nacen y mueren muchas veces mientras viven,
tienen la eternidad de la naturaleza.

Marc Chagall


SILOGISMOS
A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.

Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,nem sequer em morte.

A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?

Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.

(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)

Ana Luísa Amaral, em Imagias

19/01/08

... NÃO PODEMOS IGNORAR

No último século, a humanidade desenvolveu meios capazes de produzir o suficiente para alimentar a todos os habitantes do planeta.
Se os alimentos actualmente disponíveis fossem repartidos equitativamente, cada habitante excederia em cem calorias a dieta diária recomendada.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, assegura que o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de pessoas, quase o dobro da população actual.
Portanto, a principal causa da fome é a injusta partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.
O modelo neoliberal de globalização, que impera no mundo - patrocinado por governos e grandes corporações transnacionais que ostentam a bandeira do livre comércio - esquece o discurso do combate à pobreza.
As riquezas e os avanços tecnológicos promovidos pela globalização só têm beneficiado uma parcela mínima da humanidade.
Um outro mundo é possível.
(Adaptado de http://www.slideshare.net/asinistraministra/um-outro-mundo)

08/01/08

PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

MANIFESTO
PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

SER A FORÇA E A VONTADE DOS PROFESSORES DO NORTE,
DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA
Acho que está na altura de os Professores do Norte fazerem alguma coisa para terem um sindicato mais activo.
Recomendo a leitura e assinatura do Manifesto publicado no blog
http://afolhadoprofessor.blogspot.com/

02/01/08

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Poema de Carlos Drummond de Andrade


ANO NOVO - VIDA NOVA (NESTE BLOG)

Depois de meio ano de abandono, retomo hoje a manutenção deste blog.
Será que vou realizar regularmente esta tarefa, que a mim mesmo proponho?











14/06/07

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS

Publicado em 1966, está cada vez mais actual este poema de Joaquim Namorado.

Penso num certo tipo de informação domesticada...

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS
A máquina de fazer notas falsas
era uma máquina tão falsa
que nem notas fazia...

Mas trabalhava perfeito...
dentre dois rolos saíam,
em vez de notas de mil,
folhas de velhos jornais

com notícias falsas.


(Joaquim Namorado)

A POESIA NECESSÁRIA

Finalmente encontrei um livro com um poema que procurava há anos.
O poema chama-se «Port-Wine», fazia parte dum disco de Mário Viegas e o autor é
Joaquim Namorado.
O livro, que adquiri num alfarrabista do Porto, chama-se «Poesia Necessária».

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpoool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bars.

O Douro é um rio de barcos
onde remam os barqueiros suas desgraças.
primeiro se afundam em terra as suas vidas
que no rio se enterram as barcaças.

Nas sobremesas finas as garrafas
assemelham cristais cheios de rubis,
em Cape-Town, em Sidney, em Paris, tem um sabor generoso e fino
o sangue que dos cais exportamos em barris.

As margens do Douro são penedos
fecundados de sangue e amarguras
onde cava meu o povo as vinhas
como quem abre as próprias sepulturas:
nos entrepostos do cais, em armezéns,
comerciantes trocam por esterlino
o vinho que é o sangue dos seus corpos,
moeda pobre que são os seus destinos.

Em Londres os lords e em Paris os snobs,
no Cabo e no Rio os fazendeiros ricos
acham no Porto um sabor divino,
mas a nós só nos sabe, só nos sabe,
à tristeza infinita de um destino.

O rio Douro é um rio de sangue,
por onde o sangue do meu povo corre.
Meu povo, liberta-te, liberta-te!,
Liberta-te, meu povo! - ou morre.

Joaquim Namorado