29/03/08

UNS DIAS EM PARIS
cansar o corpo - fortalecer a alma









13/03/08


Rogério Ribeiro

(1930-2008)

UM PINTOR DA LIBERDADE E DO TRABALHO

03/03/08

Há sempre uma primeira vez...
Ao contrário do habitual, uso hoje o CADERNOSEMCAPA para escrever, pela primeira vez, sobre um tema pessoal.
Terminei, hoje de manhã, um pequeno curso de actualização dos meus conhecimentos da Língua Inglesa e quero registar aqui o enorme prazer de que usufruí nas aulas desse curso.
Foram vinte sessões individuais, que teriam, à partida, uma hora cada uma, mas que, quase sempre, se prolongaram durante mais tempo, em agradáveis conversas sobre os mais variados temas, especialmente sobre os ivros e as leituras.
Desde o primeiro dia, descobri, entre mim e o professor, um largo conjunto de afinidades, a começar pelo nosso primeiro nome.
Entre outros aspectos comuns, recordo que partilhamos o vício dos queijos, o gosto pelo bacalhau e pelo vinho, assim como a preferência por uma determinada marca de cerveja (posso dizer o nome se uma certa empresa de Leça do Balio pagar a publicidade). Partilhamos a dependência dos livros, várias preferências literárias e artísticos e a alergia a certos autores de bestselers (não digo os nomes nem que me paguem a publicidade). Partilhamos a admiração pelo belíssimo filme italiano «A Melhor Juventude». Partilhamos o interesse pela temática da comunicação e sua aplicação específica aos fenómenos de ensino e aprendizagem.
Acima de tudo, partilhamos uma forma atenta de observar a vida e o mundo e o persistente sentido da ironia.
Ficou a grata recordação de vinte manhãs iniciadas com conversas descontraídas e sempre interessantes e penso que ficou uma amizade.
Já agora há que dizer que - last but not the least - melhorei consideravelmente o domínio do Inglês ouvido, lido, falado e escrito. Por favor, acreditem que, há dois meses, era muito menor!

There’s always a first time…
In the opposite of what I’m used to do, today I use CADERNOSEMCAPA to write about a personal theme.
This morning, I finished o little course of actualization of my English knowledge and I want to register here the great pleasure that I’ve enjoyed in this curs.
It were twenty individual lessons that would have half an hour each other, but the most part of them, were extended for more time in pleasant talks about a lot of things , special about books and lectures.
Since the first day, I’ve discovered, between me and the teacher, a large among of affinities, beginning by our first name.
Among other aspects, I remember that we have in common the vice of cheese, the love of codfish and wine, such as the preference by certain mark of bear (I can say the name if a certain enterprise from Leça do Balio pays the publicity). We have in common the dependence from books, several literary and artistic preferences and the allergy to certain authors of bestsellers (I don’t say names neither if they pay me the publicity). We have in common the admiration about the very beautiful Italian film «A Melhor Juventude». We have in common the interest about communication and its specific application in phenomenon of learning and teaching.
Above all, we have in common an attentive way of looking at life and word and the persistent sense of irony.
I conserve the pleasant memory of twenty mornings begun with relaxed and always interesting conversations and I think that a friendship is conserved.
And I must say that - last but not the least – I’ve improved my knowledge in English listened, talked, read and written. Please, believe that, two months ago it was very worse!

02/03/08

Certamente, não fui o único a recordar ontem este poema, escrito por
Manuel Correia e musicado e cantado por Luís Cília.
Quem se lembra?

RESPOSTA

A quem nos acusou por sermos fortes
a quem nos combateu porque a razão
se incendeia e revive à nossa beira,
respondo, não nascemos em abril,
não somos um punhado nem cem mil
somos milhões e milhões na terra inteira.

A nossa força vem-nos do trabalho
que tudo transforma e modifica,
que sempre nos fez e faz irmãos
por isso nos unimos e avançamos.
A nossa luta tem mais de cem anos
escritos com fogo em nossas mãos.

Há quem nos tema, há quem nos ataque,
detentores de antigos privilégios
que hoje temem a nossa vitória.
E é natural que nos combatam
são eles dia a dia que nos matam
contra eles construímos nós a história.

Os símbolos que vão nesta bandeira
assustam quem nunca lhes pegou
quem nunca debulhou na nossa eira
quem antes e depois do mês de abril
nos teme por não sermos só cem mil
mas milhões e milhões na terra inteira.

MARCHA LIBERDADE E DEMOCRACIA

LISBOA - 1/3/2008

50 000 PESSOAS NAS RUAS




foto copiada de asvinhasdaira.blogspot.com


28/02/08

IMAGENS DO SÉCULO XXI

17/02/08

NÂZIM HIKMET


POEMAS DA PRISÃO E DO EXÍLIO
NÂZIM HIKMET
Edição &etc, 2000

Este é um daqueles livros que apetece ler, aconselhar, citar, reler, oferecer...
Além duma preciosa antologia de poemas, inclui dois textos introdutórios com interessante informação sobre a vida e a obra do poeta e dramaturgo comunista turco.

A MENINA

Sou eu que bato às portas

às portas, umas após outras.

Sou invisível aos vossos olhos.

Os mortos são invisíveis.


Morta em Hiroxima

há mais de dez anos,

sou uma menina de sete anos.

As crianças mortas não crescem.


Primeiro arderam os meus cabelos,

também os olhos arderam, ficaram calcinados.

Num instante fiquei reduzida a um punhado de cinzas

que se espalharam ao vento.


No que diz respeito a mim,

nada vos imploro:

não podia comer, nem sequer bombons,

a criança que ardeu como papel.


Bato à vossa porta, tio, tia:

uma assinatura. Não matem as crianças

e deixem-nas também comer bombons.

NÂZIM HIKMET (1901-1963)

16/02/08

Recordando Armindo Rodrigues
Armindo José Rodrigues (Lisboa, 1904 –1993) é considerado um escritor do movimento neo-realista português.A sua vasta obra poética, publicada a partir de 1943, foi publicada em numerosos volumes, pela Sociedade de Expansão Cultural.Colaborou em diversas revistas como a Colóquio-Letras (da Fundação Calouste Gulbenkian), a Seara Nova, a Vértice e em jornais como O Diabo e Notícias de bloqueio.Tendo vivido durante o regime salazarista, e tendo ideias contrárias ao regime vigente, foi por diversas vezes preso.Na sua luta contra o fascismo, militou no Partido Comunista Português. Participou nas campanhas eleitorais de Arlindo Vicente e de Norton de Matos, nos anos 1945, 1949 e 1958. Armindo Rodrigues fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD).Foi um dos fundadores do PEN Club Português, juntamente com outros escritores portugueses de renome, tendo sido nomeado vogal.Fez traduções de autores como André Malraux, Alain-Fournier, Mikhail Cholokov e Oscar Wilde.
LIBERDADE
Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.
Armindo Rodrigues

Marc Chagall



1887-1995

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!

não é motivo para não querê-las.

Que tristes os caminhos, se não fora

a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

Um certo sítio em Ponte de Lima
5 de Fevereiro de 2008



14/02/08

VINICIUS DE MORAES

Eu sei e você sabe

Já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe

Que a distância não existe

Que todo grande amor

Só é bem grande se for triste

Por isso meu amor

Não tenha medo de sofrer

Que todos os caminhos

Me encaminham a você.


Assim como o Oceano, só é belo com o luar

Assim como a Canção, só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem, só acontece se chover

Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer

Assim como viver sem ter amor, não é viver

Não há você sem mim

E eu não existo sem você!

Volodia Teitelboim
"No controlo el reloj de las despedidas. Falta no sé cuanto para la media noche. Aunque sea cada vez más tarde, trataré de seguir despierto. En la vigilia quede claro que no se trata de un asunto exclusivamente personal. Como se sabe desde la antigüedad, el “antes del olvido” nos concierne a todos. Deja por escrito lo que aun guarda la memoria. Será así más difícil borrarla del todo. Te pido algo personal: sé fiel al sueño de los sueños."
Volodia Teitelboim

03/02/08

JOSÉ LUÍS PEIXOTO

Recordando as minhas leituras de 2007, observo que, por coincidência, comecei o ano com «CEMITÉRIO DE PIANOS» e acabei-o com «CAL», dois belíssimos livros de José Luís Peixoto.Das duas obras identifico e destaco dois traços comuns:
O primeiro é uma profunda sensibilidade na caracterização das personagens, tratadas pelo autor com a ternura e a cumplicidade que se dedica aos familiares mais queridos.

O segundo é uma abordagem do tempo como dimensão permanente, algo que não passa definitivamente, na medida em que os afectos e as memórias dos afectos tornam presentes as vidas passadas .
Dois traços bem presentes no poema, publicado em «A CRIANÇA EM RUÍNAS»
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:

o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs

e eu. depois, a minha irmã mais velha

casou-se. depois, a minha irmã mais nova

casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,

na hora de pôr a mesa, somos cinco,

menos a minha irmã mais velha que está

na casa dela, menos a minha irmã mais

nova que está na casa dela, menos o meu

pai, menos a minha mãe viúva. cada um

deles é um lugar vazio nesta mesa onde

como sozinho. mas irão estar sempre aqui.

na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.

enquanto um de nós estiver vivo, seremos

sempre cinco.

José Luís Peixoto

01/02/08




XLVIII (Pablo Neruda, de Cien Sonetos de Amor)

Dos amantes dichosos hacen un solo pan,
una sola gota de luna en la hierba,
dejan andando dos sombras que se reúnen,
dejan un solo sol vacío en una cama.

De todas las verdades escogieron el día:
no se ataron con hilos sino con un aroma,
y no despedazaron la paz ni las palabras.
La dicha es una torre transparente.
El aire, el vino van con los dos amantes,
la noche les regala sus pétalos dichosos,
tienen derecho a todos los claveles.
Dos amantes dichosos no tienen fin ni muerte,
nacen y mueren muchas veces mientras viven,
tienen la eternidad de la naturaleza.

Marc Chagall


SILOGISMOS
A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.

Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,nem sequer em morte.

A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?

Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.

(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)

Ana Luísa Amaral, em Imagias

19/01/08

... NÃO PODEMOS IGNORAR

No último século, a humanidade desenvolveu meios capazes de produzir o suficiente para alimentar a todos os habitantes do planeta.
Se os alimentos actualmente disponíveis fossem repartidos equitativamente, cada habitante excederia em cem calorias a dieta diária recomendada.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, assegura que o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de pessoas, quase o dobro da população actual.
Portanto, a principal causa da fome é a injusta partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.
O modelo neoliberal de globalização, que impera no mundo - patrocinado por governos e grandes corporações transnacionais que ostentam a bandeira do livre comércio - esquece o discurso do combate à pobreza.
As riquezas e os avanços tecnológicos promovidos pela globalização só têm beneficiado uma parcela mínima da humanidade.
Um outro mundo é possível.
(Adaptado de http://www.slideshare.net/asinistraministra/um-outro-mundo)

08/01/08

PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

MANIFESTO
PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

SER A FORÇA E A VONTADE DOS PROFESSORES DO NORTE,
DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA
Acho que está na altura de os Professores do Norte fazerem alguma coisa para terem um sindicato mais activo.
Recomendo a leitura e assinatura do Manifesto publicado no blog
http://afolhadoprofessor.blogspot.com/

02/01/08

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Poema de Carlos Drummond de Andrade


ANO NOVO - VIDA NOVA (NESTE BLOG)

Depois de meio ano de abandono, retomo hoje a manutenção deste blog.
Será que vou realizar regularmente esta tarefa, que a mim mesmo proponho?











14/06/07

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS

Publicado em 1966, está cada vez mais actual este poema de Joaquim Namorado.

Penso num certo tipo de informação domesticada...

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS
A máquina de fazer notas falsas
era uma máquina tão falsa
que nem notas fazia...

Mas trabalhava perfeito...
dentre dois rolos saíam,
em vez de notas de mil,
folhas de velhos jornais

com notícias falsas.


(Joaquim Namorado)

A POESIA NECESSÁRIA

Finalmente encontrei um livro com um poema que procurava há anos.
O poema chama-se «Port-Wine», fazia parte dum disco de Mário Viegas e o autor é
Joaquim Namorado.
O livro, que adquiri num alfarrabista do Porto, chama-se «Poesia Necessária».

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpoool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bars.

O Douro é um rio de barcos
onde remam os barqueiros suas desgraças.
primeiro se afundam em terra as suas vidas
que no rio se enterram as barcaças.

Nas sobremesas finas as garrafas
assemelham cristais cheios de rubis,
em Cape-Town, em Sidney, em Paris, tem um sabor generoso e fino
o sangue que dos cais exportamos em barris.

As margens do Douro são penedos
fecundados de sangue e amarguras
onde cava meu o povo as vinhas
como quem abre as próprias sepulturas:
nos entrepostos do cais, em armezéns,
comerciantes trocam por esterlino
o vinho que é o sangue dos seus corpos,
moeda pobre que são os seus destinos.

Em Londres os lords e em Paris os snobs,
no Cabo e no Rio os fazendeiros ricos
acham no Porto um sabor divino,
mas a nós só nos sabe, só nos sabe,
à tristeza infinita de um destino.

O rio Douro é um rio de sangue,
por onde o sangue do meu povo corre.
Meu povo, liberta-te, liberta-te!,
Liberta-te, meu povo! - ou morre.

Joaquim Namorado

07/05/07

Lendo Steven Saylor

Lendo «O ABRAÇO DE NÉMESIS», um interessante romance policial, passado no Império Romano no tempo da revolta de escravos liderada por Espártaco, detenho-me numa reflexão do narrador e protagonista.
Leio-a, releio, sublinho-a.
Apetece-me partilhá-la, sem mais comentários...
"É curioso que um homem possa viajar em diversos navios ao longo da sua vida, sem nunca se preocupar com a oculta energia motora que os faz mover, mas é assim que muitas pessoas vivem a sua vida, todos os dias - os homens comem e vestem-se e tratam dos seus assuntos, sem nunca pensarem no suor de todos os escravos que trabalham para moer o trigo e tecer os tecidos e pavimentar as estradas, não pensando nessas coisas como não pensam no sangue que lhes aquece o corpo ou no muco que lhes aconchega o cérebro." (página 37)

05/05/07

Cineclube do Porto, UNICEP e UPP

Quando se fala de cultura na cidade do Porto, vêm à memória, de imediato, instituições marcantes e meritórias, como Serralves, Cooperativa Árvore, Coliseu, Teatro S. João ou a Casa da Música.

Entre as instituições culturais de menor dimensão, mas de valioso património histórico, apetece-me destacar e divulgar, por agora, estas três:

1. Cineclube do Porto - http://cineclubedoporto.canalblog.com/

2. UNICEP - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto - http://www.unicepe.com/

3. Universidade Popular do Porto - http://www.upp.pt/

Recomendo as visitas virtuais a estes três endereços .

Recomendo, sobretudo, o contacto directo com os bens culturais que, apesar de todas as dificuldades, continuam a prestar graças à dedicação de pessoas que acreditam que a cidadania também passa pela vivência da cultura como fruição e como construção.

22/04/07

UM POEMA DE MARIO BENEDETTI

TE QUIERO
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho mas que dos.
(in INVENTARIO UNO, p. 316)

Sobre o escritor Mário Benedetti

Um dos escritores que, a meu ver, estão muito insuficientemente editados em Portugal é Mario Benedetti, autor de vasta obra, em poesia e em prosa, que me foi dado a conhecer por um amigo da Cantábria. Este é um dos autores de língua castelhana que são pouco divulgados entre nós e que este blog procurará, muito modestamente, dar a conhecer.
Julgo que só estão editados, no nosso país, dois livros: «Contos de Futebol», pela Relógia de Água, e «A Trégua», pela editora Cavalo de Ferro. Corrijam-me, por favor, se a minha informação está incompleta.
Os breves apontamentos biogáficos que se seguem foram retirados de:
http://www.tinet.org/~elebro/poe/benedetti/bio.html
«Mario Benedetti nació en Paso de los Toros, Uruguay, en 1920. Se educó en un colegio alemán y se ganó la vida como taquígrafo, cajero, vendedor, contable, funcionario público, periodista, traductor. De 1945 a 1975 hizo periodismo en el semanario Marcha, clausurado en esa fecha por la dictadura. Es autor de novelas, cuentos, poesía, teatro, ensayos, crítica literaria, crónicas humorísticas, guiones cinematográficos, letras de canciones. Ha publicado más de 40 libros y ha sido traducido a 18 idiomas. Sus novelas y cuentos fueron adaptados a la radio, la televisión y el cine. Su teatro ha sido representado en más de diez países. Fue director del Centro de Investigaciones Literarias de la Casa de las Américas, en La Habana, y del Departamento de Literatura Latinoamericana, en la Facultad de Humanidades de Montevideo. Tras el golpe militar de 1973, renunció a su cargo en la Universidad y tuvo que exiliarse, primero en Argentina, y luego en Perú, Cuba y España.»

Pessoalmente, recomendo a leitura dos três volumes de «INVENTARIO - POESÍA COMPLETA», reunião da obra poética, editada em Madrid, na Colección Viso de Poesia.


20/04/07

E agora?

Está a iniciar-se uma primeira experiência de comunicação(?) por esta via.
Depois de várias horas a escolher um título que estivesse disponível e que, ao mesmo tempo, correspondesse ao que eu pretendia com este blog, acho que não foi má a escolha:
CADERNO SEM CAPA
Aqui se irão fazendo registos de assuntos que me interessam ou me preocupam, nomeadamente sobre a vida, a sociedade e o mundo.
Aqui serão divulgados temas, locais, autores e livros de que gosto, em especial os que, na minha opinião, possam estar menos lembrados do que merecem.
Aqui irei, quando me apetecer, tomar posições sobre aquilo que me apetecer.
Confesso (com alguma vergonha) que cheguei a ter a pretensão de incluir no nome deste blog a palavra «ágora». Felizmente o ataque de megalomania foi breve...
As posições aqui registadas serão suficientemente lidas para merecerem a designação de posições públicas?
Serão mais públicas as palavras escritas aqui do que se as proclamasse em voz alta no autocarro?
Alguém quer responder?
Está alguém aí?????