19/01/08

... NÃO PODEMOS IGNORAR

No último século, a humanidade desenvolveu meios capazes de produzir o suficiente para alimentar a todos os habitantes do planeta.
Se os alimentos actualmente disponíveis fossem repartidos equitativamente, cada habitante excederia em cem calorias a dieta diária recomendada.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, FAO, assegura que o planeta produz alimentos suficientes para 11 bilhões de pessoas, quase o dobro da população actual.
Portanto, a principal causa da fome é a injusta partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.
O modelo neoliberal de globalização, que impera no mundo - patrocinado por governos e grandes corporações transnacionais que ostentam a bandeira do livre comércio - esquece o discurso do combate à pobreza.
As riquezas e os avanços tecnológicos promovidos pela globalização só têm beneficiado uma parcela mínima da humanidade.
Um outro mundo é possível.
(Adaptado de http://www.slideshare.net/asinistraministra/um-outro-mundo)

08/01/08

PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

MANIFESTO
PELA DEFESA DOS PRINCÍPIOS FUNDADORES DO SPN

SER A FORÇA E A VONTADE DOS PROFESSORES DO NORTE,
DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA
Acho que está na altura de os Professores do Norte fazerem alguma coisa para terem um sindicato mais activo.
Recomendo a leitura e assinatura do Manifesto publicado no blog
http://afolhadoprofessor.blogspot.com/

02/01/08

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Poema de Carlos Drummond de Andrade


ANO NOVO - VIDA NOVA (NESTE BLOG)

Depois de meio ano de abandono, retomo hoje a manutenção deste blog.
Será que vou realizar regularmente esta tarefa, que a mim mesmo proponho?











14/06/07

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS

Publicado em 1966, está cada vez mais actual este poema de Joaquim Namorado.

Penso num certo tipo de informação domesticada...

A MÁQUINA DE FAZER NOTAS FALSAS
A máquina de fazer notas falsas
era uma máquina tão falsa
que nem notas fazia...

Mas trabalhava perfeito...
dentre dois rolos saíam,
em vez de notas de mil,
folhas de velhos jornais

com notícias falsas.


(Joaquim Namorado)

A POESIA NECESSÁRIA

Finalmente encontrei um livro com um poema que procurava há anos.
O poema chama-se «Port-Wine», fazia parte dum disco de Mário Viegas e o autor é
Joaquim Namorado.
O livro, que adquiri num alfarrabista do Porto, chama-se «Poesia Necessária».

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpoool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bars.

O Douro é um rio de barcos
onde remam os barqueiros suas desgraças.
primeiro se afundam em terra as suas vidas
que no rio se enterram as barcaças.

Nas sobremesas finas as garrafas
assemelham cristais cheios de rubis,
em Cape-Town, em Sidney, em Paris, tem um sabor generoso e fino
o sangue que dos cais exportamos em barris.

As margens do Douro são penedos
fecundados de sangue e amarguras
onde cava meu o povo as vinhas
como quem abre as próprias sepulturas:
nos entrepostos do cais, em armezéns,
comerciantes trocam por esterlino
o vinho que é o sangue dos seus corpos,
moeda pobre que são os seus destinos.

Em Londres os lords e em Paris os snobs,
no Cabo e no Rio os fazendeiros ricos
acham no Porto um sabor divino,
mas a nós só nos sabe, só nos sabe,
à tristeza infinita de um destino.

O rio Douro é um rio de sangue,
por onde o sangue do meu povo corre.
Meu povo, liberta-te, liberta-te!,
Liberta-te, meu povo! - ou morre.

Joaquim Namorado

07/05/07

Lendo Steven Saylor

Lendo «O ABRAÇO DE NÉMESIS», um interessante romance policial, passado no Império Romano no tempo da revolta de escravos liderada por Espártaco, detenho-me numa reflexão do narrador e protagonista.
Leio-a, releio, sublinho-a.
Apetece-me partilhá-la, sem mais comentários...
"É curioso que um homem possa viajar em diversos navios ao longo da sua vida, sem nunca se preocupar com a oculta energia motora que os faz mover, mas é assim que muitas pessoas vivem a sua vida, todos os dias - os homens comem e vestem-se e tratam dos seus assuntos, sem nunca pensarem no suor de todos os escravos que trabalham para moer o trigo e tecer os tecidos e pavimentar as estradas, não pensando nessas coisas como não pensam no sangue que lhes aquece o corpo ou no muco que lhes aconchega o cérebro." (página 37)

05/05/07

Cineclube do Porto, UNICEP e UPP

Quando se fala de cultura na cidade do Porto, vêm à memória, de imediato, instituições marcantes e meritórias, como Serralves, Cooperativa Árvore, Coliseu, Teatro S. João ou a Casa da Música.

Entre as instituições culturais de menor dimensão, mas de valioso património histórico, apetece-me destacar e divulgar, por agora, estas três:

1. Cineclube do Porto - http://cineclubedoporto.canalblog.com/

2. UNICEP - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto - http://www.unicepe.com/

3. Universidade Popular do Porto - http://www.upp.pt/

Recomendo as visitas virtuais a estes três endereços .

Recomendo, sobretudo, o contacto directo com os bens culturais que, apesar de todas as dificuldades, continuam a prestar graças à dedicação de pessoas que acreditam que a cidadania também passa pela vivência da cultura como fruição e como construção.

22/04/07

UM POEMA DE MARIO BENEDETTI

TE QUIERO
Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho mas que dos.
(in INVENTARIO UNO, p. 316)

Sobre o escritor Mário Benedetti

Um dos escritores que, a meu ver, estão muito insuficientemente editados em Portugal é Mario Benedetti, autor de vasta obra, em poesia e em prosa, que me foi dado a conhecer por um amigo da Cantábria. Este é um dos autores de língua castelhana que são pouco divulgados entre nós e que este blog procurará, muito modestamente, dar a conhecer.
Julgo que só estão editados, no nosso país, dois livros: «Contos de Futebol», pela Relógia de Água, e «A Trégua», pela editora Cavalo de Ferro. Corrijam-me, por favor, se a minha informação está incompleta.
Os breves apontamentos biogáficos que se seguem foram retirados de:
http://www.tinet.org/~elebro/poe/benedetti/bio.html
«Mario Benedetti nació en Paso de los Toros, Uruguay, en 1920. Se educó en un colegio alemán y se ganó la vida como taquígrafo, cajero, vendedor, contable, funcionario público, periodista, traductor. De 1945 a 1975 hizo periodismo en el semanario Marcha, clausurado en esa fecha por la dictadura. Es autor de novelas, cuentos, poesía, teatro, ensayos, crítica literaria, crónicas humorísticas, guiones cinematográficos, letras de canciones. Ha publicado más de 40 libros y ha sido traducido a 18 idiomas. Sus novelas y cuentos fueron adaptados a la radio, la televisión y el cine. Su teatro ha sido representado en más de diez países. Fue director del Centro de Investigaciones Literarias de la Casa de las Américas, en La Habana, y del Departamento de Literatura Latinoamericana, en la Facultad de Humanidades de Montevideo. Tras el golpe militar de 1973, renunció a su cargo en la Universidad y tuvo que exiliarse, primero en Argentina, y luego en Perú, Cuba y España.»

Pessoalmente, recomendo a leitura dos três volumes de «INVENTARIO - POESÍA COMPLETA», reunião da obra poética, editada em Madrid, na Colección Viso de Poesia.


20/04/07

E agora?

Está a iniciar-se uma primeira experiência de comunicação(?) por esta via.
Depois de várias horas a escolher um título que estivesse disponível e que, ao mesmo tempo, correspondesse ao que eu pretendia com este blog, acho que não foi má a escolha:
CADERNO SEM CAPA
Aqui se irão fazendo registos de assuntos que me interessam ou me preocupam, nomeadamente sobre a vida, a sociedade e o mundo.
Aqui serão divulgados temas, locais, autores e livros de que gosto, em especial os que, na minha opinião, possam estar menos lembrados do que merecem.
Aqui irei, quando me apetecer, tomar posições sobre aquilo que me apetecer.
Confesso (com alguma vergonha) que cheguei a ter a pretensão de incluir no nome deste blog a palavra «ágora». Felizmente o ataque de megalomania foi breve...
As posições aqui registadas serão suficientemente lidas para merecerem a designação de posições públicas?
Serão mais públicas as palavras escritas aqui do que se as proclamasse em voz alta no autocarro?
Alguém quer responder?
Está alguém aí?????